Negociar objectivos na escola autónoma

Não tendo coragem em assumir que não querem ser avaliados, os professores agarram-se a argumentos que não primam, nem pela inteligência nem pelo bom senso. O mais rísivel de todos, é que não seria possível fixar objectivos porque o ambiente social e económico em que as escolas laboram, são muito diferentes e, como tal, há o pecado da desigualdade.

É, claro, que não sendo verdade (fica para mais tarde)esta visão é resultado da pirâmide organizacional do Ministério da Educação. A fixação de objectivos seria, pois, feita em cascata, de cima para baixo, tendo uma matriz única na avaliação. Nada de mais errado. Os objectivos são fixados escola a escola, levando em conta o ambiente socio-cultural e económico em que se inserem.

Vamos supor que estamos numa região que tem três escolas, uma delas frequentada por alunos de extracto social mais elevado e a outra escola, do mesmo nível da nossa. Por comparação ( espero que não me venham dizer que não podemos fazer reuniões de trabalho com os colegas das outras escolas, porque mesmo que assim seja o Ministério tem os números) sabemos a nossa posição.

A partir desta análise comparativa eu posso determinar quais são os meus “pontos fortes” e os meus “pontos fracos”. Em reuniões sucessivas com os orgãos sociais da escola e os professores eu fixo os meus objectivos gerais. Quero manter os meus “pontos fortes” e melhorar em 70% os meus “pontos fracos”. O que é que a escola necessita para atingir estes objectivos globais ? A seguir vou negociar com os orgãos escolares e com os professores os objectivos específicos.

Uma das cadeiras que é “ponto fraco” é, por exemplo, a matemática. O coordenador da cadeira, com os seus colegas, determina as necessidades financeiras, humanas, e de equipamento necessárias para atingir aquele objectivo, o qual é , no caso desta cadeira, ultrapassar a escola do mesmo nível e aproximar-me em 30% da escola com nível superior. (por exemplo)

De três em três meses fazemos reuniões de controlo. Dificuldades, quais são, como se tratam, o que é necessário fazer ? Reajustar metas, orçamentos, objectivos, num processo reactivo que junta forças no mesmo sentido.( em caso de necessidade podemos fazer outras reuniões). Avalio o mérito “pedagógico”( resultados e eficácia) no total da avaliação em 50%, o mérito profissional (envolvimento nos trabalhos, contribuição, disponibilidade…) em 30% e mérito auto-formativo (frequência de acções de formação, seminários…) em 20%. Se for necessário posso atribuir valorizações a acções concretas que pela sua importância o justifiquem.

Tudo isto se faz há muitos anos, em ambientes sócio-culturais e económicos muito dificeis e diversos. Não se faz quando há má vontade, quando as pessoas julgam que é possível receber o vencimento sem se empenharem. Dificil, muito dificil, é produzir , vender, receber e pagar vencimentos ao fim do mês, a famílias que não têm mais nenhum rendimento.

Isso, sim, é muito dificil!