Passos Coelho na SIC – Tributo Social

Uma ideia muito interessante esta que foi apresentada por Passos Coelho na primeira entrevista televisa depois de eleito. Basicamente, quem recebe apoios sociais deve ter alguma forma para recompensar a sociedade que os apoia . Há imensos trabalhos que podem ser feitos e necessitam de ser feitos, por exemplo, ao nível da concelhia ou da Junta de freguesia.

Para além do trabalho efectuado, tira as pessoas dos bancos dos jardins e dos cafés, mantem a auto-estima, dá uma noção de utilidade que é muito importante para o bem estar psicológico  das pessoas.

As boas ideias são quase sempre simples, é preciso é não as matar no ovo!

Comments

  1. maria monteiro says:

    ora cá está uma boa ideia que não funciona… há o medo que se tornem agentes infiltrados…

  2. Luis Moreira says:

    Uma tarefa que já tenho visto (até cá) é pessoas ajudarem à saída de uma escola, para os jovens não sairem a correr para a estrada. tarefa importante e que está ao alcance de todos.

  3. maria monteiro says:

    Luís, o que as escolas precisam é que lhes sejam dadas verbas para admissão de pessoal auxiliar… onde além de outras tarefas fariam também essas nas horas de saída (assim já não havia necessidade de apoios sociais…)

  4. Eduardo Caldeira says:

    O “Tributo Solidário” assume-se como um instrumento de moralização pública.
    Carta que nunca consegui enviar para o Senhor Deputado Adão Silva, via email do Grupo Parlamentar do PSD.
    Caro Senhor Deputado Adão Silva,

    Sou apenas um dos mais de 600 mil “aproveitadores eventualmente ilícitos do subsídio de desemprego que se limitam a viver de expedientes” que, justa ou injustamente, assim são classificados, segundo uma ideia de difusão crescente, da qual o Senhor Deputado se tornou no principal mensageiro, porque a considera justa.

    Com estas linhas, dedico-lhe uma parte substancial do meu tempo, em prejuízo do tempo que devia dedicar, p.e., à minha formação (assalta-me agora a dúvida se uma licenciatura se enquadra no conceito de formação), ou à tentativa de correcção da minha condição.

    Como lhe dizia, a tal formação que frequento não me é paga por V. Exa., nem por nenhum dos lesados desta dual sociedade. Sou eu que a pago, com sacrifício. Ou, na linha da difundida ideia, a devolvo ao Estado através do pagamento das propinas, contribuindo assim para que os professores e restantes funcionários da instituição pública de ensino (mais os indirectos) conservem os seus empregos e, não perdendo a ideia, me considerem também eles um aproveitador ilícito que vive de expedientes. Irónico, não é?
    Ainda, para efeitos da minha formação, compro livros e sebentas, combustível para a viatura e pago portagens, entre outros custos, devolvendo à economia, na (in)justa proporção, as vantagens da minha existência, apesar de em ilícita situação (no caso das portagens, é mais ao senhor Mota que, curiosamente, saca mais ao erário público que 600 mil vis aproveitadores).

    Como habitante deste dual país, peço desculpa também por cumprir com os meus compromissos financeiros, anteriores à minha situação actual, com as instituições cujo crédito me possibilitou ter uma casa e uma viatura [sim, as pessoas que trabalham pagam as casas onde vivem e as viaturas que utilizam – não têm subsídios de deslocação, habitação nem viaturas à disposição]. Ao cumprir com essas obrigações estou – eu e mais umas centenas de milhar – a contribuir para a remuneração do capital dos accionistas dessas instituições que, por sua vez, empregam gente, que são pessoas como eu e mais umas centenas de milhar mas, seguramente, diferentes de V. Exa.. Afinal, isto está tudo ligado, não concorda? Antes de se meter o Senhor Deputado em aventuras, umas lições sobre princípios básicos de economia não lhe ficariam mal. Experimente um exercício em que, pura e simplesmente, assim de repente, extingue as prestações sociais de desemprego a 600 mil cidadãos. Se encontrar dificuldades no exercício, experimente então promover a ideia no parlamento.
    Haverá gente da sua bancada que o irá tratar mesmo mal e não será pelos desempregados.

    De facto, e há muito mais tempo, “que se verifica uma difusão crescente da ideia de que a sociedade portuguesa é uma sociedade dual, em que uns trabalham e contribuem através dos seus impostos e outros se limitam a viver de expedientes. Esta situação é altamente danosa pois desgasta o espírito de solidariedade e fomenta fracturas sociais insustentáveis” (sic Adão Silva). É o caso dos deputados da República, gestores públicos e políticos em geral. A difusão desta ideia, largamente implantada na mentalidade dos nativos desta dual e aberrante sociedade, corre o risco, talvez menor que a sua, de ser injusta. Tal como uma outra ideia de idêntica difusão e igualmente injusta, de que os funcionários públicos são todos uma cambada de gente ociosa, improdutiva, cuja principal tarefa é dificultar a vida aos restantes cidadãos e que esgotam os recursos da nação.

    Creio que a maioria dos desempregados a beneficiar de prestações sociais são pessoas que, antes desta condição, trabalhavam e pagavam impostos pelos seus rendimentos do trabalho. Antigamente havia uma parcela dos descontos que se denominava Fundo de Desemprego, lembram-se? Não. Seguramente não. É suposto, quando pagamos impostos pelos rendimentos do trabalho, cobrir essa parcela entretanto extinta. A sociedade não me está a dar nada a que não se tenha comigo (e mais seiscentos mil) obrigado. Se assim for, então os reformados também devem prestar o tributo social. Descontaram? Também eu. E, das pessoas que estão a beneficiar do subsídio de desemprego, quantas são oriundas do Estado? Nenhuma. Porquê? Porque o Estado não despede ninguém, mesmo que cometam crimes, entre os quais o furto televisionado de gravadores. Como tal, todos os excedentários, assim como os que deviam ser despedidos com justa causa e não foram, não têm um subsídio, têm um salário. E esse salário não é questionado. É a prática de “uma solidariedade passiva, aquela em que o funcionário ou gestor público, deputado ou político recebe um benefício pecuniário dos contribuintes e é deixado, despreocupadamente, ao seu usufruto, até que os cidadãos se esgotem”. (Hic, Adão Silva)

    Segundo pude constatar no site do Grupo Parlamentar do PSD, o Senhor Deputado não trabalha, nem nunca trabalhou. Ocupa cargos.
    Entre os cargos que ocupa ou ocupou, consta o de professor efectivo do ensino secundário. Não exerce a profissão de professor. Ocupa o cargo. Efectivo. E, por isso, deve ter retirado a possibilidade a alguém que queria mesmo trabalhar como professor. Quando sair da Assembleia da República vai dar aulas? Duvido. Mas vai receber um subsídio de reintegração, “deixado despreocupadamente ao seu usufruto”. Sim, porque vai sentir uma enorme dificuldade para voltar a ocupar o cargo de professor efectivo do ensino secundário. É professor mas, se não dá aulas…como é que é professor efectivo? Tem o lugar garantido?
    Também ocupou o cargo de Director do Centro de Reabilitação Profissional de Macedo de Cavaleiros (ah, daí a ideia). Já percebi. O Senhor Deputado confunde a árvore com a floresta e Portugal com Macedo de Cavaleiros mas em ambas as situações fica muito mal, porque até ofende a gente de Macedo de Cavaleiros, cujos desempregados não se revêm todos na sua lúgubre experiência.

    O seguinte exercício é, também ele injusto:
    O facto de nunca ter trabalhado justifica perfeitamente a hemorróidal ideia de colocar gente que vem do mundo do trabalho, a trabalhar de borla, lado a lado com funcionários públicos. A sua sorte é que, pelo exposto anteriormente, o podem considerar inimputável. Mas as contas até estão bem feitas. A produtividade dos funcionários públicos iria aumentar em flecha, sem que estes prescindissem das quinze horas semanais dedicadas a pequenos-almoços e lanches. Se aumentar a carga da decretada solidariedade para 20 horas semanais, já se corre o risco dos forçados voluntários porem em evidência a inutilidade dos titulares.
    E, para além disso, existe a salvaguarda presente na sua proposta:
    “No modo como os competentes serviços passarão a acompanhar os beneficiários, numa relação de proximidade e de acordo com um projecto de vida individual o que permitirá uma constante monitorização e avaliação;”
    Capatazes!! Isso. Daqueles que querem agradar ao chefe que quer agradar ao senhor Director que quer agradar ao senhor Secretário…e, por decreto, vamos ser solidários nas vindimas da Quinta de um qualquer Senhor Qualquer Coisa. Senão, lá se vai o subsídio. Por má avaliação. Ou o Senhor Deputado estava a pensar em algo mais…do tipo, cuidar dos idosos ou doentes hospitalares daqueles que só dão prejuízo ao ser Vício Nacional de Saúde.

    O Senhor Deputado é um provocador, um preverso doentio.
    A sua proposta faz com que Ceausescu, Himmler ou Saddam pareçam meninos do coro.

    Por agora, vou ficar por aqui, Senhor Deputado. Já estou farto de si.
    E, com dificuldade, consegui chegar ao fim resistindo à tentação de o tratar por Senhor de Putado.
    Se volta a atacar os direitos dos outros, principalmente os que estão em situação precária, corre o risco de, um dia, lhe retirarem os seus, talvez todos, de vez, e merecidamente. A actual situação não foi criada pelos que estão hoje sem emprego. O Senhores Deputados, restantes políticos, derivados e associados sabem quem são, mas não me parece que se tenham apercebido da tensão que se vive por aí.
    Vá trabalhar!
    Volte para Macedo de Cavaleiros, se lá o quiserem!

    Deixo-o com uma passagem que lhe assenta melhor que um fato à medida. Com a sua formação, saberá identificar o fornecedor (ele que me perdoe).

    “…achou-se no regaço da estúpida fortuna que o beijou, na fronte, e lhe disse: «Este anélito de meus beiços coa-te fogo ao cérebro! Amo-te, porque careço de ti. Eu sou a Circe dos Gregos: bestifico tudo que toco, e em ti delego o condão de radiares tua bestidade ao cérebro de quem embarrar por ti. Proponho-me transfigurar, não já em cochinos, mas em mais nobres alimárias, os regedores da coisa pública de Portugal. Tu, dilecto, vai caminho da glória. Hoje és deputado; daqui a pouco serás ministro.»

    Atentamente,

    Eduardo M. Duarte Caldeira

    Verdizela, 27 de Maio de 2010

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