Debate sobre a Grécia no Forum SPIEGEL-ONLINE:
“A Europa fracassou”
“… Muitos participantes do forum pensam que com esta crise se tornaram evidentes erros fundamentais de construção na UE. Assim ‘Ylex’ escreve que a União Europeia se encontra numa grave crise de existência que também a Alemanha não é capaz de sanear com uma ‘maquilhagem financeira’ para os gregos. “Só se os responsáveis assumirem a sua responsabilidade, tirando as conclusões certas que tenham por consequência mudanças drásticas, a UE poderá sobreviver”. ‘Atzigen’ considera a ideia europeia desde já fracassada. “A UE baseia obviamente num senso de solidariedade subdesenvolvido. Obviamente a UE encontra-se muito longe do seu autoproclamado objectivo de criar proposperidade para toda a gente na Europa.”A sua conclusão: “A Europa fracassou”.
Comentário:
“Há no mundo dois poderes: a espada e o espírito. O espírito têm sempre vencido a espada.”
Napoleão Bonaparte
Orá cá está: “Só se os responsáveis assumirem a sua responsabilidade… a UE poderá sobreviver” e “A Europa fracassou”. Estas e muitas outras afirmações, impensáveis há 10 anos atrás, corroboram os meus repetidos vaticínios desde o anos 90. Assim, no meu artigo “Porque vale a pena apostar em África” publicado em 1997 no Semanário Económico, fui taxativo ao escrever:
“Na fase final de sistemas primariamente introvertidos, como o é a UE e todos os seus subsistemas na sua actual forma – os meios tornaram-se fim –, as “desgraças” aumentam sempre exponencialmente…”
Em posteriores publicações – nunca deixei de fazer propostas concretas de prevênção e solução ao longo dos anos! – o meu vaticinio já fui sendo mais preciso:
“… quando uma União Europeia às avessas, que de outrora extrovertida e alterocêntrica virou introvertida e egocêntrica,
chegar ao fim da linha, serão os seus subsistemas menos desenvolvidos os primeiros que terão que passar pelas armas”
É exactamente aqui onde nos encontramos actualmente. Recebemos um presságio de Menetekel (Daniel 5, A Bíblia Sagarada) de uma força superior do universo – Deus, invisible hands, etc. – , avisando-nos que “foste pesado na balança e foste achado em falta; teu reino será destruido e dado aos medos e persas”. Consequentemente, as ditas forças testaram o ponto ciberneticamente mais fraco da UE que quando é acertado – todos os engenheiros civis sabem-no – faz ruir irremedialvente qualquer edificação: a Grécia.
Quanto à causa central da actual situação sobremaneira crítica, já em 26 de Agosto 2007 escrevi – em simultâneo – ao Presidente da Comissão Europeia, Dr. José Manuel Durão Barroso e à Chanceler alemã, Angela Merkel, como segue:
“… Para isso (salvar a UE) , e preciso admitir primeiro, com toda a sinceridade, que o objectivo da agenda de Lisboa de Marco 2000 ―“tornar a UE no espaco economico mais dinamico e competitivo do mundo baseado no conhecimento e capaz de garantir um crescimento economico sustentavel, com mais e melhores empregos e maior coesao social” ― esta errado. Errado, porque constitui um objectivo primariamente introvertido e egocentrico, cuja perseguição conduz a efeitos e resultado serrados, por não ser recompensado pelo meio-envolvente em que a Europa se insere. O novo objectivo poderia ser: “…tornar-se, atraves dos seus Estados membros de perfis diversos e multiplices, a preferencial parceira e solucionadora de problemas para os países subdesenvolvidos e em vias de desenvolvimento”.
Todavia, apesar da situação crítica, a União Europeia ainda não está perdida. Os “medos e persas” – diga-se de passagem que eles não têm propriamente fama de meigos – ainda terão que esperar um pouco. De facto isto, se entretanto não houver mudança de estratégia/comportamento, só acontecerá quando as Rating Agencies começarem a ter dúvidas sobre a justificação da classificação “AAA” da própria Alemanha e se, consequentemente, houver ruptura de tesouraria em Berlim, onde residem os principais co-responsaveis pela estratégia errada da UE nos últimos 30 anos – enquanto os restantes comeram e calaram, claro.
Enquanto a ruptura não acontecer, uma saída sustentada do atoleiro é perfeitamente possível reintegrando-se o sublime espírito da Europa que se tinha perdido no meio de uma sociedade totalmente desnorteada, materialista e confusa onde se pensava que o “cacau de Bruxelas” (o de Berlim!) tudo controlava, resolvia e nunca mais acabava. Foi engano e hoje a UE está a sofrer uma incalculável e acentuada perda de imagem, influência e poder no mundo.
Para quem quiser saber como se consegue ter de volta esse espítiro europeu capaz de dar a volta por cima quando se encontra em equilibrio com os valores materiais, basta ler com atenção a minha carta anexa (- ou então pedir o meu esboço estratégico mais detalhado, NEW DEAL).
Agora iremos ver o que vai acontecer. Ou uma mundança de estratégia já nesta fase do campeonato – o que seria o início de uma era nova e mais feliz. Ou a continuação do comportamento linear das últimas décadas, tentando, como de costume, impedir pela via material-monetária a queda dos dominós até ao fim amargo. Resultado final: Rating B- para todos.
Claro, no imediato vai ser preciso dinheiro, muito dinheiro. Mas se ao mesmo tempo não for identificada e implementada uma estratégia diversa correcta, isto nos irá levar definitivamente e de forma acelerada à catástrofe social cujos contornos já hoje começam a vislumbrar ameaçadoramente. Eu quero seguir pelo primeiro caminho.
Rolf Damher
SPIEGEL ONLINE, 30.04.2010






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