Os profissionais da caridade

Há duas espécies, os que andam a mendigar na rua e os que andam a “sugar” no Estado Social. Os primeiros, embora menos apresentáveis e mais chatos (não nos deixam ler o jornal sossegados) são bem mais respeitáveis que os segundos.

Quando se vai a uma qualquer repartição da Segurança Social, o que se lá vê é gentinha com o ar de quem foi à esmola. Jovens, na casa dos vinte anos, com um filho de meses ao colo e com outro na barriga, lá estão a fazer contas aos subsídios. Para ele subsídio de desemprego, para ela e filhos, subsídio de aleitamento, subsídio de família . A seguir vão tomar banho numa das casas do “Exército de Salvação”, comem numa das lojas da Santa casa da Misericórdia e vão dormir a uma casa da Câmara de que não pagam renda.

Pagam o plasma a prestações e o carro está sempre atestado, tomam o pequeno almoço num dos cafés da esquina, galão, sandes de queijo ou uma “bola de berlinde”, incluindo as crianças, antes de rumarem à AMI para receberem roupas lavadinhas e passadas a ferro.

Às três da manhã fazem um algazarra na rua, cerveja a rodos, tabaco e namorada. Se têm uma dor de barriga vão ao hospital, tudo de borla. Dizia-me a funcionária da Segurança Social no cabeleireiro, enquanto me arranjavam as unhas a mim e o cabelo a ela, que há famílias que levam 1 500,00 euros para casa por mês e oferecem porrada a toda a gente se a Segurança Social não lhes conceder mais um qualquer subsídio a que se acham com direito.

Há gente feliz!

Comments

  1. maria monteiro says:

    sem os primeiros e segundos profissionais da caridade as instituições “caritativas” abriam falência…


  2. É uma vergonha. Vejo casos destes todos os dias, e, infelizmente, um bem chegado a mim.
    Repito, é uma vergonha nacional, a acompanhar muitas outras, e que mostra o nível a que chegamos.
    Abraço

  3. madalena says:

    muito bem , Luís. e depois ainda querem que o estado social sobreviva . é só fazer as contas : classes médias e remediadas à volta de um filho e ” pouco ” por casal ; subsidiodependentes….3/4 ou até mais filhos . Cada filho de pais que fazem contas à vida vai ter de sustentar os 3 ou 4 que vivem à conta do estado e que são socializados na subsidiodependência ? estamos lixados.

  4. Pedro Rocha says:

    O agora D. Sebastião, já palrou sobre esta matéria?

  5. maria monteiro says:

    Ontem entre o Cais do Sodré e os Restauradores era ver os sem-abrigo abrigados à sua maneira já em repouso para passarem a noite…. De dia por lá se vão mantendo sempre com o olho nos seus parcos haveres… Entre eles circula que com a visita do Papa eles serão temporariamente deslocalizados…. depois cada um poderá regressar ao seu canto e … a vida continua

  6. joão Nunes says:

    Um destes dias fui a laboratório de análises clínicas.
    À minha frente estava uma cigana, na casa dos trinta e tais, com uma mão cheia de credenciais para análises. A funcionária lá ia debitando dos papéis para o computador e ao fim de uns vinte minutos terminou, pediu uma rubrica da senhora em cada uma das credenciais, (estão a ver, como eu vi, uma fraude em que uma pessoa “assina” por meia dúzia) e remata dizendo com um belo sorriso:
    Pronto, não tem nada a pagar porque são todos isentos.
    Bom dia.

  7. Sa Moreira says:

    Sr. Luis, há ainda uma terceira especie: Os pais ricos (de onde vem a riqueza)? Os filhos na casa dos vinte e tal anos que frequentaram os melhores colegios, têm os melhores empregos, os melhores carros, vão aos melhores restaurantes, viajam quando querem, têm as mais belas mulheres por companhia, as discotecas estão ao dispor da presença deles, vão aos melhores médicos (Hospitais privados).
    Concerteza esses não vão a Segurança Social e não o incomodam quando está a ler o jornal, por isso são mais respeitaveis pelo senhor.
    PS: Quero lembrar-lhe que o nosso governo recebe da UE os tais ditos subsidios que o Sr. fala para sustentar este tipo de culturas (ciganos e outros)

    • Luís Moreira says:

      Tem razão, mas isso não apaga a estupidez de quem trabalha receber menos do que quem recebe subsídios.

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