A quem serve a RTP pública?

Um estado em falência, cada vez mais endividado, com uma economia exígua e a decair, a primeira lição a tirar é que um Estado assim não é sustentável. Ouve-se que é preciso fechar Centros de Saúde e Escolas, despedir funcionários públicos, congelar concursos e progressões, mas ninguem ouve falar na RTP pública.

Ninguem ouve falar das centenas de milhões que o Orçamento Nacional todos os anos transfere para a RTP para que faça um serviço que pode ser feito por outros, imensamente mais barato. Há serviços públicos importantes que devem ser mantidos (RTP África, RTP internacional…) sem dúvida, mas esse tempo de antena pode ser comprado às televisões privadas. Sem custos fixos, sem megalomanias, sem pessoal a ser pago de forma milionária, sem estruturas caríssimas que custam milhões ao contribuinte.

Aumentam-se os impostos, acabam-se as SCUTS, diminuem-se as pensões, reduzem-se os subsídios, fecham-se escolas e Centros de Saúde desertificando o interior do país, tudo se lança mão para alimentar o monstro insaciável, mas cortá-lo no que não faz diferença nenhuma em termos de serviço, mas muito em termos de poupança, aí o governo e os políticos não mexem.

Será por causa dos telefonemas do gabinete do primeiro ministro a alinhar os telejornais? E será por isso que se pagam estes vencimentos?

– A directora-adjunta. Judite de Sousa, 14.720 euros.

– José Rodrigues dos Santos recebe como pivôt 14.644 euros por mês.

– O director-adjunto do Porto, Carlos Daniel aufere 10.188 euros brutos,
remunerações estas que não contemplam ajudas de custos, viaturas Audi
de serviço e mais o cartão de combustíveis Frota Galp.

De salientar que o Presidente da República recebe mensalmente o
salário ilíquido de 10.381 euros e o primeiro-ministro José Sócrates
recebe 7.786 euros

Outros escândalos:
– Director de Programas, José Fragoso: 12.836 euros
– Directora de Produção, Maria José Nunes: 10.594
– Pivôt João Adelino Faria: 9.736
– Director Financeiro, Teixeira de Bastos: 8.500
– Director de Compras, Pedro Reis: 5.200
– Director do Gabinete Institucional (?), Afonso Rato: 4.000
– Paulo Dentinho, jornalista: 5.330
– Rosa Veloso, jornalista: 3.984
– Ana Gaivotas, relações públicas: 3.984
– Rui Lagartinho, repórter: 2.530
– Rui Lopes da Silva, jornalista: 1900
– Isabel Damásio, jornalista: 2.450
– Patrícia Galo, jornalista: 2.846
– Maria João Gama, RTP Memória: 2.350
– Ana Fischer, ex-directora do pessoal: 5.800
– Margarida Neves de Sousa, jornalista: 2.393
– Helder Conduto, jornalista: 4.000
– Ana Ribeiro, jornalista: 2.950
– Marisa Garrido, directora de pessoal: 7.300
– Jacinto Godinho, jornalista: 4.100
– Patrícia Lucas, jornalista: 2.100
– Anabela Saint-Maurice: 2.800
– Jaime Fernandes, assessor da direcção: 6.162
– João Tomé de Carvalho, pivôt: 3.550
– António Simas, director de meios: 6.200
– Alexandre Simas, jornalista nos Açores: 4.800
– António Esteves Martins, jornalista em Bruxelas: 2.986 (sem ajudas)
– Margarida Metelo, jornalista: 3.200



Comments

  1. António Soares says:

    Áh Ganda Luís,nem mesmo a chamares os( Boys) pelos nomes,eles te ouvem…esses salários são pagos aonde?!!Na tv sueca?Na tv dinamarquesa?Na tv Norueguesa?Ás armas,ás armas…por esse ordenado, lutar, lutar…somos mesmo pobres de espírito.

  2. Luis Moreira says:

    Por aqui não passa a crise, nem os cortes…

  3. maria monteiro says:

    Acho que tem a ver com a localização… (do mesmo lado da UIndependente) os vencimentos também têm que ser em grande

  4. António Lopes says:

    Só quero deixar uma interrogação. O meter tudo no mesmo saco (escândalos) os casos de, por exemplo, Rui Lagartinho, Rui Lopes da Silva, ou Patrícia Lucas. Caramba, não será exagerado?

  5. Luís Moreira says:

    António, o problema não são as pessoas, é a existência da RTP pública.

  6. Paulo Rato says:

    Quando se fazem afirmações tão peremptórias como a anterior, ou se fundamentam ou não passam de vacuidades, de nível inferior ao do pensamento de um troll, banido pelas “Regras da Casa”, mas… que, ao menos, tem um pensamento…
    Não me refiro ao agitar frívolo de questões secundárias e resolúveis, económica e politicamente, mas à apresentação de argumentos que as sustentem.
    Com o risco de ser de imediato banido, como troll, pelo soberano do blogue, perguntaria qual a elevação de alguns dos comentários sobre o tróllico pensamento. Ou a ausência total de conteúdo útil é circunstância atenuante para se manterem no blogue, apesar das regras?
    Quanto à peremptória declaração:
    Se o problema é a existência da RTP pública, pretende-se uma RTP “privada”? O que é isso? O sujeito a quem essa existência parece incomodar muitíssimo (embora já soubesse dela antes de se apresentar como candidato a operador privado) é o Dr. Balsemão? Será LM meramente um seu discípulo?
    Ou a existência de um serviço público (SP) de rádio (pois, também há…) e televisão é desnecessária? Em que países não existe? E que actividades desempenha (ou não) em cada um deles?
    Afinal, o que pretende Luís Moreira (LM) que, no artigo inicial, se limita a amontoar uma quantidade de “frases da moda”, completamente ocas – que estou fartinho de ouvir todos os dias, proferidas por todo o bicho-careta opinante – para, no final, se despenhar num rol de nomes e respectivos rendimentos (misturando quantias verdadeiramente abjectas, com outras, previstas no Acordo de Empresa e que nada têm de especial, se comparadas com o que recebem trabalhadores com funções equivalentes, nos mais diversos sectores de actividade, misturada essa que, moralmente, não é nada bonita…)?
    Discutir porque é que uma empresa que deveria ser, de facto, pública, é uma SARL? Não sabia que sucessivos Governos se conluiaram para tal, de modo a subtrair as empresas de SP (que eram duas e assim deveriam permanecer) a algumas “aborrecidas” limitações?
    Debater o SP de rádio e televisão? A sua mera existência? A sua sustentabilidade? O modo como (não) é fiscalizada, por manifesta obstrução dos tais Governos a que se criem estruturas e entidades que o façam com rigor e, sobretudo, isenção política? A qualidade do serviço que presta, a sua planificação, quem a faz, quem a deveria fazer e fiscalizar o seu cumprimento (ver acima, prós “idens”)?
    Dá LM resposta à pergunta que coloca como título do seu artigo? Não.
    Dá-a algum dos outros comentadores? Não.
    Sabem, LM e os outros, de quantos canais se compõe o SP de rádio? E o de TV? Quais os seus objectivos? Quais são as outras obrigações do SP, p.e., no que se refere à manutenção e recuperação de arquivos áudio e vídeo, que constituem um valiosíssimo e insubstituível património nacional? Que por todo o mundo se estudam e investigam procedimentos e tecnologias que garantam a defesa desse património? Importa-lhes alguma coisa se isso está a ser feito e como?
    Quanto aos vencimentos, verifico faltarem os dos administradores que, quaisquer que sejam os valores, serão sempre excessivos, face à gestão perniciosa que vêm praticando e mais parece visar a destruição da empresa. O actual presidente do CA publicou recentemente um artigo em que demonstra a sua ignorância do que deve ser o SP; a sua confusão em relação às missões que lhe devem caber e às funções que deve desempenhar; em que, em vez de propor ideias (que não tem), mendiga junto do Governo e da AR qualquer coisinha que o oriente (faz-me recordar o final dum poema de Jorge de Sena, que não cito, porque o autor era, claramente, um troll…); e justifica os tais vencimentos elevadíssimos de algumas vedetas (esses não constam do AE…) com os “valores de mercado”… Ora, de onde vêm tais “valores”? Dos praticados pelos operadores privados! Pelo que a ideia da compra de programas aos canais privados, por serem mais baratos (embora seja certo que, nestes, os trabalhadores não-vedetas são despojados de quaisquer direitos e AEs é coisa que não há…) é, além de peregrina, assaz fosca. De resto, este parágrafo é um bom modelo de defesa (voluntária ou não) de interesses privados, em detrimento do bem público…
    Mas isto já é debater, coisa que não parece ser o que se pretende, neste caso…
    Fico à espera, para esclarecer umas dúvidas, de conhecer a decisão do mentor do blogue. Serei um pensador livre ou um troll incómodo?

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