heresia, direito de Saramago, Ratzinger e candidatos

a corrida à Presidência da República, com mentiras, é uma heresia

Estamos em tempos de corrida à Presidência da República. Cada candidato fala bem de si e diz a piores coisas dos outros. Vivem em heresia. Cavaco acusa a Alegre de ser marxista, como se for pecado, Alegre riposta que por Santo, cavaqueou com as acções do BPN a 1€ cada e as vendeu ao 1.800€, ele e o seu filho. Nobre diz que a tirania da Madeira chega ao seu fim, enquanto Lopes diz que o povo tem sido traído pelos seus candidatos que prometem um assunto e, no poder, fazem como entendem, especialmente realizam actos de vil baixeza para ganhar dinheiro, criar um lucro e, especialmente à Alegre de ser mentiroso.

Estamos em um país de hereges. Saibamos, pois, qual é o conteúdo do que falam os candidatos, porque os seus discursos estão em todos os jornais e em toda informação televisiva. Entender porque se acusam uns aos outros, é simples: todos querem ganhar. Apesar de um deles estar em maus lençóis: ensina na Universidade Nova e Católica de Lisboa. Está dispensado de dar aulas, mas pagam o seu ordenado completa, o que esse professor não dispensa. É evidente que falo do Presidente da República, confesso Católico Romano fervoroso. Sim assim não for, faria o correcto: foi indigitado para outro cargo, neste não recebe, como se faz dentro da ética política, como fez Jorge Sampaio que viveu do ordenado de Presidente, durante dez anos.

Saibamos, pois, do que falamos, usando este texto que escrevi para o meu amigo José Saramago e para a admiração que me causara Ratzinger, ao usar as definições de Kart Marx nos seus textos, bem citado e bem calibrado: comemorou o entendimento de Marx sobre alienação e a sua devota ideia do socialismo. Com ele, condenou ao capitalismo. Vamos em frente antes que Cavaco nos maldiga com a sua fé católica e corra connosco, como fez com Zé Saramago…a quem nem visitou na sua fé católica, nem fez luto nacional pela desaparição de uma glória portuguesa.

Heresia (do latim haerĕsis, por sua vez do grego αἵρεσις, “escolha” ou “opção”) é a doutrina ou linha de pensamento contrária ou diferente de um credo ou sistema de um ou mais credos religiosos que pressuponha (m) um sistema doutrinal organizado ou ortodoxo. A palavra pode referir-se também a qualquer “deturpação” de sistemas filosóficos instituídos, ideologias políticas, paradigmas científicos, movimentos artísticos, ou outros. A quem funda uma heresia dá-se o nome de heresiarca, ou linha de pensamento contrária ou diferente de um credo ou sistema de um ou mais credos religiosos que pressuponha (m) um sistema doutrinal organizado ou ortodoxo.

A palavra pode referir-se também a qualquer “deturpação” de sistemas filosóficos, como Alegre e Cavaco fazem entre eles.

Instituídos, ideologias políticas, paradigmas científicos, movimentos artísticos, ou outros.

A quem funda uma heresia dá-se o nome de heresiarca. A definição não é minha.

O título de este texto, também não. O conceito está definido em

http://pt.wikipedia.org/wiki/Heresia é o título foi retirado de um Alerta Google, que me fora enviado pelo motor de pesquisa assim denominado, a pedido meu, e que diz: Saramago advoga “direito à heresia”

Se a definição fosse minha começaria por dizer que heresia era uma opinião ou doutrina diferente às ideias recebidas. Por outras palavras, aprendemos uma ideia ou várias delas  e passamos a pensar de forma diferente em todos os campos do saber material ou ideal.

Heréticos seriam Karl e Jenny Marx e a sua família, que pensavam de forma diferente aos outros membros da família extensa. Família extensa que costumava pensar apenas em eles e não em factos sociais legais e religiosos que aconteciam em torno deles. O interesse deles era estar bem acomodados na vida tomar conta dos seus bens e ser sempre bem recebidos na corte do Rei da Prússia, ou do seu substituto, o Imperador.

A família Marx, de Karl e Jenny, não tinham essa pretensão. Conviviam com os operários, os convidam a sua casa e eram atendidos como se forem Imperadores. Como Alegre, Lopes e Nobre, nunca Silva que dá Cavaco ao povo.

Era a heresia da família Marx e de vários outros de classe social aristocrata ou burguesa, como Engels, Owen, o Conde de Saint-Simon e o próprio pai de Jenny, o Barão Johann von Westpalen. A consequência era evidente: o acesso aos seus iguais, era-lhes negado.

Donde, a heresia não é apenas em matéria de ideias religiosas, é também dentro do campo social. É considerada uma heresia o texto publicado por mim ontem no Aventar, ao advogar pelo matrimónio homossexual. Várias opiniões foram exprimidas, de forma irónica sobre o direito a formar família. Como se a família fosse apenas pais e filhos e não duas pessoas que se amam, capazes de ou adoptar filhos ou de entregar esperma deles a ventres femininos alugados, como acontece hoje em dia e terem filhos próprios a partir de essa relação. Relação que não é herética por ser usada por casais heterossexuais que não podem formar descendência entre eles.

Há a heresia da liberdade de opinião. Leio no jornal de hoje que Saramago denomina a Bento XVI ou Ratzinger, um hipócrita, por não gostar da sua imagem e figura, acrescentando que o assunto não é com ele, é entre só fiéis da confissão que ele governa confissão que deve opinar, mas nada diz por ser Ratzinger um Papa, um representante da divindade na terra. Vê-se bem que a heresia, desta vez, é literária. O Nobel português nem conhece a doutrina cristã nem sabe que Ratzinger baseia parte dos seus argumentos da teoria do Marx, referido linhas atrás. Heresia hipócrita: a seguir a sua opinião de como Marx entendia tão bem a alienação de bens e salário por parte do espólio ou despojos da guerra que a burguesia tem começado, desde o primeiro dia da Revolução Industrial, e os argumentos nos textos Ratzinger que era pena que Marx não fosse cristão.

Não há ignorância em Bento XVI. Sabe, pelas suas leituras e uso de citações, que a obra de Marx está toda baseada na Bíblia e nos Evangelhos.

O primeiro escrito de Karl Heinrich, ais seus 15 anos, era um texto denominado União dos Cristãos na base do Evangelho de São João. Ignorância de Saramago, quem diz ter assistido apenas duas vezes a missa ao longo da sua vida. É possível ver que há vários tipos de heresia, todas elas definidas ao mencionar os factos narrados por mim neste texto. Duas outras heresias, é não ter falado do matrimónio homossexual das mulheres que têm os mesmos direitos que os matrimónios entre homens. Estou certo que quem defende o matrimónio homossexual, não discrimina géneros,.. Dentro dessa luta, somos todos iguais. Luta que para nós, pais, pode passar a ser uma heresia se não entendemos que existe e liberdade de amar. Amor que pode mudar ao longo da vida para os incertos: começam como heterossexuais, amando pessoas do sexo mal chamado oposto -outra heresia, não sou capaz de entender o facto de luta por serem homens e mulheres, excepto se já não existe paixão nem devoção e se muda de género para amar um igual. Como Freud tinha previsto.

O que não estava nada previsto, é a entrada à eternidade de José Saramago, adormece e nunca mais acorda. Um homem alegre desde novo jovem alegre, simpático, amigo dos seus amigos amante da sua família, novo na vida que adormeceu para sempre. Uma heresia para os seus pais, especialmente a sua mãe que o teve, criou e ensinou durante 32 anos. Uma heresia que nos prega a vida sem sabermos como e porque. Heresia imperdoável. Ele já não está, mas mata de desespero a sua família, longe dele Família que não entra em heresia de desespero: estão estonteados pela inesperada dor que causa a morte de quem a não merece, em idade nova, cedo na vida.

Heresias há muitas, mas esta é a pior. Saramago tem todo o seu direito as heresias que entende, mas a desaparição não esperada de um jovem galã, é, de entre todas, a pior. Paz e serenidade para a família que nunca tem sido herética dentro de nenhuma das espécies das descritas. Paz e amor e uma lei para apagar estas heresias que matam e que resultam das arrogâncias da luta de classes ou da ignorância, sempre transferida a outros. Luta de classes que levara ao Saramago a ganhar a vida longe da sua terra e família.

Heresia, esta, de divindade maldosa, impossível de perdoar. Ratzinger e Saramago…E os candidatos presidenciais. O saber económico de Cavaco, é o de entesourar para o seu lucro, como todos hoje em dia sabemos; o de Alegre, a declamar textos que acusa aos seus rivais de ladrões e mentirosos.

Mas, a heresia que não tem perdão, é não sabermos por quem votar. No nosso Portugal não há imagem de Presidente, nem por saber nem por apresentação pública. São os que temos, e mais nada. A alternativa de não votar, porém, seria a pior delas: dá votos ao partido do Presidente da República.

Que vai ganhar à primeira volta? Nem pensar. Após as provas incriminatórias de Manuel Alegre sobre o Banco do qual foi proprietário, duvido que alguém queira-se arriscar a tamanha manha de meter todo no seu bolso e esquecer ao povo.

Infelizmente, como no Chile, Portugal é de curta memória e tem esquecido a gestão governamental do Presidente, como Ministro de Economia, o ano em que esta impossível heresia começou. No meu ver, no meu anseio de premonição, estou certo que a corrida será ganha pelos Socialistas, não por causa apenas do candidato que joga coma verdade como com as palavras, mas porque é do bando diferenciado de quem causara em nós esta crises económica, começada pelo ministro dos anos 85, ao pactuar com a União Europeia a sua entrada, sem nada para oferecer em troca. A economia portuguesa começou andar de rastos: eram gastos e gastos e entrada, nenhuma. Em 1986, com a eleição de Mário Soares como Presidente da República e mudança de Assembleia e Ministros, a politica como actividade passou a ser o elo dos governantes. Industrias? Nenhuma…

Deixemos os heréticos jogar à política enquanto nós, temos tido que reduzir até a compra do pão e os transportes privados e público pela heresia maior: a de Sócrates e o seu não aos empréstimos.

Quem será? Suspenso de Hitchcock…

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