as minhas memórias-7-o código civil de Bello

escrito pelo venezuelano Andrés Bello, feito chileno por graça

Desde o sítio em que escrevo é-me impossível usar o texto completo do Código Civil do Chile. Felizmente, a Internet disponibiliza excertos possibilitando, assim, a sua consulta e comentários. No entanto, esta maravilhosa tecnologia, recentemente criada, guarda o texto completo da autoria de Andrés Bello e, paralelamente, a modificação introduzida, no ano de 2001, sobre filiação. O Código de Bello, como é conhecido, foi tão completo, que somente de verificaram, posteriormente, mudanças quanto à filiação e às heranças. Há quem diga que o Código foi retirado do de Napoleão, outro texto perfeito que, como o chileno, soube organizar a vida civil, desde a interacção social até às transacções comerciais, como os contratos, acordos ou convenções para a execução de algo sob determinadas condições.

A filiação, precisava de uma ordenação dos descendentes por causa, especialmente, das heranças, que o código refere como designação dos pais de alguém, define, até onde eu lembro pelos meus estudos e graduação em Ciências do Direito e Ciências Sociais, quem é descendente de quem e qual o direito à herança dos bens, definidos dentro do articulado do código, como referi no ensaio 6 das minhas memórias – escrevo a partir das minhas lembranças, com o apoio dos artigos necessários para apoiar uma hipótese ou um facto. Como a apresentação do Presidente da República, Manuel Montt e do seu Ministro de Justiça, Francisco Javier Ovalle, do Projecto do Código ao Congresso Pleno, para debate, introdução de novas ideias e eliminação de outras. Só com a aprovação do Congresso, pode o presidente da República promulgar a lei, tão importante como ela é, por causa de ordenar e arrumar a vida social, aí onde não havia nenhuma legislação para as trocas de bens e a reprodução humana: os contratos e a filiação, mais uma vez. Na sua mensagem ao Congresso, o Presidente Montt salienta estes dois factos como os mais importantes para a vida social, saber quem é filho de quem e quais os direitos de pessoas próximas dos bens e a sua reprodução. Mas, antes de apresentar a legislação, cumprimenta o Congresso e define o que é uma lei, com estas palavras: Creo haber dicho lo bastante para recomendar a vuestra sabiduría y patriotismo la adopción del presente Proyecto de Código Civil, que o propongo de acuerdo con el Consejo de Estado.- Santiago, noviembre 22 de 1855.

Ao longo da apresentação, refere com palavras claras a sua preocupação pelas transacções e pela filiação. De facto, define-as como Bello tinha feito no Projecto, com a preocupação de não permitir dentro do país vidas dolosas e azaradas, como pode acontecer no dia-a-dia. O Chile era um país rural, pelo que havia imensos huachos, termo que citei noutro ensaio das minhas memórias a partir da obra de Sónia Montecino, 1991. Madres y huachos: alegorías del mestizaje chileno. Santiago, Editorial Cuarto Propio-CEDEM. 1a ed.

De facto, o tratamento dado às mulheres trabalhadoras era quase como o tratamento às prostitutas, especialmente pelos proprietários de terras e indústrias. Quem tivesse dinheiro, podia usar e abusar das pessoas que para si trabalhasse. Montt e Bello eram pessoas éticas e sabiam pôr ordem nas relações sociais, como sabiam que a inexistência de uma lei não lhes era favorável. Pelo que, na sua mensagem ao Congresso, o texto entregue começa pela definição da lei:

1. De la ley

Artículo 1. La ley es una declaración de la voluntad soberana que, manifestada en la forma prescrita por la Constitución, manda, prohíbe o permite.

Art. 2. La costumbre no constituye derecho sino en los casos en que la ley se remite a ella.

Art. 3. Sólo toca al legislador explicar o interpretar la ley de un modo generalmente obligatorio.

Las sentencias judiciales no tienen fuerza obligatoria sino respecto de las causas en que actualmente se pronunciaren.

Art. 4. Las disposiciones contenidas en los Códigos de Comercio, de Minería, del Ejército y Armada, y demás especiales, se aplicarán con preferencia a las de este Código.

Parecia desnecessário, para uma República, definir a lei. Mas era uma república muito jovem, com 35 anos de independência, e a lei que antes imperava, era a lei da monarquia espanhola. Era um país em construção, governado até 1827 por um ditador, o libertador do Chile, Bernardo O’Higgins, mais um huacho, ainda que reconhecido pelo seu pai, o Vice-Rei do Peru, Ambrósio O’Higgins, de quem, na sua morte, herdou a fortuna e a arrogância. A República, nesses tempos, teve três diferentes Constituições, nenhuma delas do agrado do Congresso, fundado por José Miguel Carrera, o primeiro ditador do Chile, até ser fuzilado por causa de um golpe de Estado de O´Higgins e San Martín, num motim criado por Carrera e irmãos, na época em que o Exército Libertador teve que fugir do Chile, porque a Monarquia Espanhola queria reaver as suas colónias. Foram quatro anos de exílio, quando o exército libertador voltou ao Chile, treinado e armado, derrotou em 1818, na batalha de Maipú o Exército espanhol. Desde esse dia, o Chile tornou-se numa República independente, com uma legislação organizada dia após dia para substituir as leis espanholas. Este Código que comento, é parte dessa construção. Passaram anos, até o país estabilizar, com a derrocada do ditador chileno, que governou como O’Higgins durante 19 anos, assassino do Presidente da República em 1973. O povo, por meios pacíficos, derrocou-o e a democracia voltou de novo à Pátria.

Estes e outros factos azarados tornaram necessária a escrita e a promulgação do Código de Bello. O discurso de apresentação do Código, diz:

La filiación es legítima, natural o simplemente ilegítima. En cuanto a los hijos legítimos concebidos en matrimonio verdadero o putativo, el presente proyecto no difiere substancialmente de lo establecido en otras legislaciones, incluso la nuestra. En cuanto a los legitimados por matrimonio posterior a la concepción (única especie de legitimación que admite el proyecto), el sistema adoptado en éste combina las reglas del derecho romano, el canónico y el código civil francés. En el derecho romano al que se casaba con la concubina, se exigía para la legitimación de los hijos habidos en ella el otorgamiento de escritura; no para que valiese el matrimonio, pues éste se contraía por el solo consentimiento; sino para que constase que la concubina pasaba a la categoría de mujer legítima, y si existían hijos, cuáles de ellos se legitimaban. Esta es la doctrina de los más ilustres intérpretes de la ley romana. De que se colige que la legitimación era voluntaria por parte de los padres, y no se extendía a todos los hijos habidos en la concubina, sino a los que el padre quería. Era asimismo voluntario de parte de los hijos, pues sin su consentimiento no podían hacerse aliene juris, ni asociarse a la condición de un padre tal vez de mala fama y perversas costumbres. Estos dos principios, legitimación otorgada por instrumento público, y legitimación voluntariamente concebida y aceptada, se han adoptado en el proyecto; exceptuados solamente dos casos: el hijo concebido antes del matrimonio, y nacido en él, y el hijo natural, esto es, el ilegítimo que ha sido antes reconocido formal y voluntariamente por el padre o madre, quedan ipso jure legitimados por el matrimonio subsecuente.

La calidad de hijo legítimo es una de las más importantes que el derecho civil ha creado. ¿Cómo, pues, dejarla a la merced de pruebas testimoniales, tan fáciles de fraguar, si no en la vida de los padres, a lo menos después de sus días? ¿Penetrará la ley en las tinieblas de esas conexiones clandestinas, y les conferirá el derecho de constituir por sí solas la presunción de paternidad, que es el privilegio del matrimonio? Un comercio carnal, vago, incierto, en que nada garantiza la fidelidad de una mujer que se ha degradado, ¿será un principio de legitimidad, aunque no lo corrobore el juicio del padre? Y suponiendo que éste crea suya la prole ilegítima, ¿será obligado a legitimar un hijo o hija de malas costumbres, y se le pondrá en la alternativa de no casarse o de introducir en su familia un germen de inmoralidad y depravación? Y el hijo por su parte, ¿irá contra su voluntad a participar del envilecimiento ajeno, y a poner la administración de sus bienes en manos de un hombre perdido? El derecho canónico relajó en esta parte los principios del romano; pero a la potestad temporal es a la que toca prescribir las condiciones necesarias para el goce de los derechos civiles.

Uma das preocupações, na organização da República, assentava, como se vê, em que todos tinham de saber a sua proveniência, o seu sítio social, para isto, contou, também, com a promulgação do Código Penal,  a 12 de Novembro de 1874. Já não era possível cometer delitos impunes, como violar, amancebar, não pagar ordenados ou despedir sem justa causa.

O Código de Bello importa-se também com a boa e má fé com contratos. No  artigo Art. 57, estipula: La ley no reconoce diferencias entre el chileno y el extranjero en cuanto a la adquisición y goce de los derechos civiles que regla este Código.

Protege também a boa fé, ao legislar em vários artigos: Art. 706. La buena fe es la conciencia de haberse adquirido el dominio de la cosa por medios legítimos, exentos de fraude y de todo otro vicio. Así en los títulos translaticios de dominio la buena fe supone la persuasión de haberse recibido la cosa de quien tenía la facultad de enajenarla, y de no haber habido fraude ni otro vicio en el acto o contrato. Un justo error en materia de hecho no se opone a la buena fe” y Art. 1546 “Los contratos deben ejecutarse de buena fe, y por consiguiente obligan no sólo a lo que en ellos se expresa, sino a todas las cosas que emanan precisamente de la naturaleza de la obligación, o que por la ley o la costumbre pertenecen a ella”. Art. 197 “La persona que ejerza una acción de filiación de mala fe o con el propósito de lesionar la honra de la persona demandada es obligada a indemnizar los perjuicios que cause al afectado”.

Parece-me que os legisladores eram puritanos, estéticos, conhecendo bem as felonias dos residentes chilenos e a necessidade de proteger os que se comportam com ética e sem dolo. Também sabiam defender a liberdade das pessoas, com o objectivo de não serem coagidas, como acontecia quer nas eleições quer no Parlamento. Era a defesa da autonomia das pessoas:

Art. 706. La buena fe es la conciencia de haberse adquirido el dominio de la cosa por medios legítimos, exentos de fraude y de todo otro vicio. Así en los títulos translaticios de dominio la buena fe supone la persuasión de haberse recibido la cosa de quien tenía la facultad de enajenarla, y de no haber habido fraude ni otro vicio en el acto o contrato. Un justo error en materia de hecho no se opone a la buena fe” y Art. 1546 “Los contratos deben ejecutarse de buena fe, y por consiguiente obligan no sólo a lo que en ellos se expresa, sino a todas las cosas que emanan precisamente de la naturaleza de la obligación, o que por la ley o la costumbre pertenecen a ella”. Art. 197 “La persona que ejerza una acción de filiación de mala fe o con el propósito de lesionar la honra de la persona demandada es obligada a indemnizar los perjuicios que cause al afectado”.

Analisar um Código Civil em poucas páginas, é tarefa de Titãs e é quase impossível pelo limitado espaço que nos é concedido.

Porém, não posso deixar de dizer que Andrés Bello, para mim, foi dos mais sábios legisladores que tivemos, usando o seu tempo de senador, reitor, escritor…, para legislar ou propor novas ideias para defesa do povo.

Não esqueçamos que era um liberal revolucionário, que ensinou Bolívar, seu estudante, a pensar na liberdade e na autonomia, ajudando-o a revoltar-se contra a coroa espanhola, pela independência da Venezuela. A revolução estava pensada para 1809, mas, por causa de Francisco de Miranda, outro douto libertador (que procurou asilo em França quando foi liberado), a revolução venezuelana foi adiada, sendo finalmente declarada a 5 de Julho de 1811, vindo o reconhecimento internacional em 1845.

O Código de Bello foi tão perfeito, que apenas teve uma modificação no Chile de 2001.

Fico por estas linhas. O leitor pode ficar exausto com tanta palavra proferida por escrito…mas necessárias para conhecer a defesa do povo, para o povo e pelo povo.

Continua esta análise (ensaio 8), com a formação dos sindicatos, no Século XX, por Juan Emílio Recabarren, no Chile e Carlos Mariátegui, no Peru, sendo Mariátegui o primeiro a lançar a ideia no seu país, exportando-a para outros sítios.

A filiação, precisava de uma ordenação dos descendentes por causa, especialmente, das heranças, que o código refere como designação dos pais de alguém, define, até onde eu lembro pelos meus estudos e graduação em Ciências do Direito e Ciências Sociais, quem é descendente de quem e qual o direito à herança dos bens, definidos dentro do articulado do código, como referi no ensaio 6 das minhas memórias – escrevo a partir das minhas lembranças, com o apoio dos artigos necessários para apoiar uma hipótese ou um facto. Como a apresentação do Presidente da República, Manuel Montt e do seu Ministro de Justiça, Francisco Javier Ovalle, do Projecto do Código ao Congresso Pleno, para debate, introdução de novas ideias e eliminação de outras. Só com a aprovação do Congresso, pode o presidente da República promulgar a lei, tão importante como ela é, por causa de ordenar e arrumar a vida social, aí onde não havia nenhuma legislação para as trocas de bens e a reprodução humana: os contratos e a filiação, mais uma vez. Na sua mensagem ao Congresso, o Presidente Montt salienta estes dois factos como os mais importantes para a vida social, saber quem é filho de quem e quais os direitos de pessoas próximas dos bens e a sua reprodução. Mas, antes de apresentar a legislação, cumprimenta o Congresso e define o que é uma lei, com estas palavras: Creo haber dicho lo bastante para recomendar a vuestra sabiduría y patriotismo la adopción del presente Proyecto de Código Civil, que o propongo de acuerdo con el Consejo de Estado.- Santiago, noviembre 22 de 1855.

Ao longo da apresentação, refere com palavras claras a sua preocupação pelas transacções e pela filiação. De facto, define-as como Bello tinha feito no Projecto, com a preocupação de não permitir dentro do país vidas dolosas e azaradas, como pode acontecer no dia-a-dia. O Chile era um país rural, pelo que havia imensos huachos, termo que citei noutro ensaio das minhas memórias a partir da obra de Sónia Montecino, 1991. Madres y huachos: alegorías del mestizaje chileno. Santiago, Editorial Cuarto Propio-CEDEM. 1a ed.

De facto, o tratamento dado às mulheres trabalhadoras era quase como o tratamento às prostitutas, especialmente pelos proprietários de terras e indústrias. Quem tivesse dinheiro, podia usar e abusar das pessoas que para si trabalhasse. Montt e Bello eram pessoas éticas e sabiam pôr ordem nas relações sociais, como sabiam que a inexistência de uma lei não lhes era favorável. Pelo que, na sua mensagem ao Congresso, o texto entregue começa pela definição da lei:

1. De la ley

Artículo 1. La ley es una declaración de la voluntad soberana que, manifestada en la forma prescrita por la Constitución, manda, prohíbe o permite.

Art. 2. La costumbre no constituye derecho sino en los casos en que la ley se remite a ella.

Art. 3. Sólo toca al legislador explicar o interpretar la ley de un modo generalmente obligatorio.

Las sentencias judiciales no tienen fuerza obligatoria sino respecto de las causas en que actualmente se pronunciaren.

Art. 4. Las disposiciones contenidas en los Códigos de Comercio, de Minería, del Ejército y Armada, y demás especiales, se aplicarán con preferencia a las de este Código.

Parecia desnecessário, para uma República, definir a lei. Mas era uma república muito jovem, com 35 anos de independência, e a lei que antes imperava, era a lei da monarquia espanhola. Era um país em construção, governado até 1827 por um ditador, o libertador do Chile, Bernardo O’Higgins, mais um huacho, ainda que reconhecido pelo seu pai, o Vice-Rei do Peru, Ambrósio O’Higgins, de quem, na sua morte, herdou a fortuna e a arrogância. A República, nesses tempos, teve três diferentes Constituições, nenhuma delas do agrado do Congresso, fundado por José Miguel Carrera, o primeiro ditador do Chile, até ser fuzilado por causa de um golpe de Estado de O´Higgins e San Martín, num motim criado por Carrera e irmãos, na época em que o Exército Libertador teve que fugir do Chile, porque a Monarquia Espanhola queria reaver as suas colónias. Foram quatro anos de exílio, quando o exército libertador voltou ao Chile, treinado e armado, derrotou em 1818, na batalha de Maipú o Exército espanhol. Desde esse dia, o Chile tornou-se numa República independente, com uma legislação organizada dia após dia para substituir as leis espanholas. Este Código que comento, é parte dessa construção. Passaram anos, até o país estabilizar, com a derrocada do ditador chileno, que governou como O’Higgins durante 19 anos, assassino do Presidente da República em 1973. O povo, por meios pacíficos, derrocou-o e a democracia voltou de novo à Pátria.

Estes e outros factos azarados tornaram necessária a escrita e a promulgação do Código de Bello. O discurso de apresentação do Código, diz:

La filiación es legítima, natural o simplemente ilegítima. En cuanto a los hijos legítimos concebidos en matrimonio verdadero o putativo, el presente proyecto no difiere substancialmente de lo establecido en otras legislaciones, incluso la nuestra. En cuanto a los legitimados por matrimonio posterior a la concepción (única especie de legitimación que admite el proyecto), el sistema adoptado en éste combina las reglas del derecho romano, el canónico y el código civil francés. En el derecho romano al que se casaba con la concubina, se exigía para la legitimación de los hijos habidos en ella el otorgamiento de escritura; no para que valiese el matrimonio, pues éste se contraía por el solo consentimiento; sino para que constase que la concubina pasaba a la categoría de mujer legítima, y si existían hijos, cuáles de ellos se legitimaban. Esta es la doctrina de los más ilustres intérpretes de la ley romana. De que se colige que la legitimación era voluntaria por parte de los padres, y no se extendía a todos los hijos habidos en la concubina, sino a los que el padre quería. Era asimismo voluntario de parte de los hijos, pues sin su consentimiento no podían hacerse aliene juris, ni asociarse a la condición de un padre tal vez de mala fama y perversas costumbres. Estos dos principios, legitimación otorgada por instrumento público, y legitimación voluntariamente concebida y aceptada, se han adoptado en el proyecto; exceptuados solamente dos casos: el hijo concebido antes del matrimonio, y nacido en él, y el hijo natural, esto es, el ilegítimo que ha sido antes reconocido formal y voluntariamente por el padre o madre, quedan ipso jure legitimados por el matrimonio subsecuente.

La calidad de hijo legítimo es una de las más importantes que el derecho civil ha creado. ¿Cómo, pues, dejarla a la merced de pruebas testimoniales, tan fáciles de fraguar, si no en la vida de los padres, a lo menos después de sus días? ¿Penetrará la ley en las tinieblas de esas conexiones clandestinas, y les conferirá el derecho de constituir por sí solas la presunción de paternidad, que es el privilegio del matrimonio? Un comercio carnal, vago, incierto, en que nada garantiza la fidelidad de una mujer que se ha degradado, ¿será un principio de legitimidad, aunque no lo corrobore el juicio del padre? Y suponiendo que éste crea suya la prole ilegítima, ¿será obligado a legitimar un hijo o hija de malas costumbres, y se le pondrá en la alternativa de no casarse o de introducir en su familia un germen de inmoralidad y depravación? Y el hijo por su parte, ¿irá contra su voluntad a participar del envilecimiento ajeno, y a poner la administración de sus bienes en manos de un hombre perdido? El derecho canónico relajó en esta parte los principios del romano; pero a la potestad temporal es a la que toca prescribir las condiciones necesarias para el goce de los derechos civiles.

Uma das preocupações, na organização da República, assentava, como se vê, em que todos tinham de saber a sua proveniência, o seu sítio social, para isto, contou, também, com a promulgação do Código Penal,  a 12 de Novembro de 1874. Já não era possível cometer delitos impunes, como violar, amancebar, não pagar ordenados ou despedir sem justa causa.

O Código de Bello importa-se também com a boa e má fé com contratos. No  artigo Art. 57, estipula: La ley no reconoce diferencias entre el chileno y el extranjero en cuanto a la adquisición y goce de los derechos civiles que regla este Código.

Protege também a boa fé, ao legislar em vários artigos: Art. 706. La buena fe es la conciencia de haberse adquirido el dominio de la cosa por medios legítimos, exentos de fraude y de todo otro vicio. Así en los títulos translaticios de dominio la buena fe supone la persuasión de haberse recibido la cosa de quien tenía la facultad de enajenarla, y de no haber habido fraude ni otro vicio en el acto o contrato. Un justo error en materia de hecho no se opone a la buena fe” y Art. 1546 “Los contratos deben ejecutarse de buena fe, y por consiguiente obligan no sólo a lo que en ellos se expresa, sino a todas las cosas que emanan precisamente de la naturaleza de la obligación, o que por la ley o la costumbre pertenecen a ella”. Art. 197 “La persona que ejerza una acción de filiación de mala fe o con el propósito de lesionar la honra de la persona demandada es obligada a indemnizar los perjuicios que cause al afectado”.

Parece-me que os legisladores eram puritanos, estéticos, conhecendo bem as felonias dos residentes chilenos e a necessidade de proteger os que se comportam com ética e sem dolo. Também sabiam defender a liberdade das pessoas, com o objectivo de não serem coagidas, como acontecia quer nas eleições quer no Parlamento. Era a defesa da autonomia das pessoas:

Art. 706. La buena fe es la conciencia de haberse adquirido el dominio de la cosa por medios legítimos, exentos de fraude y de todo otro vicio. Así en los títulos translaticios de dominio la buena fe supone la persuasión de haberse recibido la cosa de quien tenía la facultad de enajenarla, y de no haber habido fraude ni otro vicio en el acto o contrato. Un justo error en materia de hecho no se opone a la buena fe” y Art. 1546 “Los contratos deben ejecutarse de buena fe, y por consiguiente obligan no sólo a lo que en ellos se expresa, sino a todas las cosas que emanan precisamente de la naturaleza de la obligación, o que por la ley o la costumbre pertenecen a ella”. Art. 197 “La persona que ejerza una acción de filiación de mala fe o con el propósito de lesionar la honra de la persona demandada es obligada a indemnizar los perjuicios que cause al afectado”.

Analisar um Código Civil em poucas páginas, é tarefa de Titãs e é quase impossível pelo limitado espaço que nos é concedido.

Porém, não posso deixar de dizer que Andrés Bello, para mim, foi dos mais sábios legisladores que tivemos, usando o seu tempo de senador, reitor, escritor…, para legislar ou propor novas ideias para defesa do povo.

Não esqueçamos que era um liberal revolucionário, que ensinou Bolívar, seu estudante, a pensar na liberdade e na autonomia, ajudando-o a revoltar-se contra a coroa espanhola, pela independência da Venezuela. A revolução estava pensada para 1809, mas, por causa de Francisco de Miranda, outro douto libertador (que procurou asilo em França quando foi liberado), a revolução venezuelana foi adiada, sendo finalmente declarada a 5 de Julho de 1811, vindo o reconhecimento internacional em 1845.

O Código de Bello foi tão perfeito, que apenas teve uma modificação no Chile de 2001.

Fico por estas linhas. O leitor pode ficar exausto com tanta palavra proferida por escrito…mas necessárias para conhecer a defesa do povo, para o povo e pelo povo.

Continua esta análise (ensaio 8), com a formação dos sindicatos, no Século XX, por Juan Emílio Recabarren, no Chile e Carlos Mariátegui, no Peru, sendo Mariátegui o primeiro a lançar a ideia no seu país, exportando-a para outros sítios.

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