NADA DISSO ME INTERESSA

NÃO ME INTERESSAM PARA NADA AS ELEIÇÕES ANTECIPADAS

Esta coisa da demissão do senhor nosso Primeiro-ministro, provocada pelo próprio com as atitudes desonestas que são do domínio público, acrescidas das razões indecorosas e de cobiça que assistiram à oposição para tomarem as atitudes que o senhor nosso Primeiro esperava, e ainda, os ditos dos responsáveis máximos da dita oposição após o desfecho anunciado, fizeram-me pensar ainda mais que de costume.

Pelo que se entende da situação, iremos ter eleições antecipadas, o que, pensando bem, é coisa na qual não estou minimamente interessado. Nesta já pré-campanha eleitoral vejo o que a mesma virá a ser, e desde já me desinteresso dela. A campanha eleitoral que se aproxima não vai esclarecer ninguém, sendo que unicamente irá servir de pasto para alimentar troca de acusações e insultos pessoalizados. É certo que irei votar quando chegar a altura devida, mas, pelo andar da carruagem, dificilmente terei oportunidade de escolher em quem.

No que respeita aos partidos com assento no lado central e no lado direito do Parlamento, as suas direcções, a do PS, a do CDS e a do PSD, à qual se podem juntar os que à volta dela gravitam, são compostas por uma cambada de idiotas servis e manipuladores que ambicionam o poder que lhes dará, a uns, o acesso a não perderem os tachos já conquistados, a outros, o acesso ao ‘direito’ aos mesmos.

No que respeita aos que habitam o lado esquerdo do mesmo Parlamento, as suas direcções, a do PCP e a do BE, acrescidos da parte Verde dos comunistas e também dos que à volta deles se colocam, não passam de um punhado de desqualificados cinzentões que anseiam pelas migalhas miseráveis de um lugar nos poucos assentos destinados aos seus grupos parlamentares, sendo esta uma das maiores razões para não aceitarem a redução do número de deputados da Assembleia.

De todos estes, embora todos reclamem para si uma ideologia, só o CDS e o PCP a detêm, sendo que desse ponto de vista, nenhum dos outros existe.

Nestes anos pós-revolução, construímos uma falsa democracia. Os mandantes não a praticam, os menos mandantes também não e os outros quase se limitam a dizer ‘yess sir’. O povo não manda, ou porque não quer (está cada vez mais desinteressado e preguiçoso), ou porque o não deixam. Em muitos dos aspectos da vida corrente, vivemos numa ditadura mais assanhada do que aquela em que anteriormente vivíamos, apesar dos rótulos de liberdade que temos em cima de nós. O Estado é o primeiro a derrubar as linhas pelas quais um Estado de direito se deveria reger, e o povo, desinteressado e preguiçoso, já o disse, quer (ou já não pode deixar de querer) que a sua soberania continue a ser praticada indirectamente pelos seus representantes, eleitos sem a existência de círculos uninominais, mantendo assim o ‘status quo’, o que satisfaz plenamente os que estão na esfera do poder.

O ideal seria podermos mudar este estado das coisas. Mudar o tipo de democracia que temos, mudar o Estado que temos, mudar o tipo de governação que temos, e essencialmente e acima de tudo, mudar a mentalidade que temos.

E não é com este espectro político que vamos a caminho dessa mudança, razão pela qual me irá ser muito difícil escolher em quem votar, quando chegar a altura para o fazer.

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