Obrigado J. Mário Teixeira:

Julgo não estar a cometer nenhuma inconfidência: quando o aventador J. Mário Teixeira, amigo de longa data e de memoráveis tertúlias, me solicitou uma pequena ajuda na campanha para a reeleição de Marinho e Pinto como Bastonário da Ordem dos Advogados, imediatamente aceitei.

Não sendo advogado não deixo de ser um espectador do que se passa à minha volta. A solicitação do Zé Mário entroncava em dois motivos óbvios justificadores da minha decisão: a velha amizade com o Zé Mário e a minha admiração por Marinho e Pinto. A frontalidade é algo que admiro numa pessoa. A forma clara e sem papas na língua como transmite as suas ideias e a coragem da sua postura pública, aliadas à dita frontalidade, fazem de Marinho e Pinto alguém que sempre gostei de ouvir e que genuinamente admiro – o que não impede discordância em determinados momentos ou temas.

Por isso, confesso, estava ansioso por ouvir Marinho e Pinto sobre a famosa sentença da vergonha. Tal como esperava, ele foi igual a si próprio, frontal e claro:

O bastonário da Ordem dos Advogados , António Marinho Pinto, diz que esta decisão “se enquadra na melhor tradição jurisprudencial do macho ibérico”.

Meu caro José Mário Teixeira, algum tempo já passou sobre a reeleição de Marinho e Pinto. Digo agora aquilo que na altura indirectamente te disse e faço-o agora desta forma pública: obrigado por me teres permitido ajudar, de forma minúscula, na campanha de Marinho e Pinto. É uma espécie de medalha ter estado do lado certo da barricada e hoje, ao ler o i, mais certeza tive.

A alguns amigos e, sobretudo, a alguns “camaradas ideológicos” que ficaram absolutamente surpreendidos (um ou outro indignados) pela minha modesta colaboração, só lhes posso dizer que é por esta e por outras de igual calibre que admiro Marinho e Pinto e que tomaria, novamente, a mesma decisão. Não julgo as pessoas por serem de direita ou de esquerda, mas por serem, ao longo da sua vida, bons exemplos a seguir. É o caso.

Obrigado Zé Mário.

Comments

  1. Rodrigo Costa says:

    … A minha pergunta é:

    —Pode, Marinho e Pinto, dentro da Ordem, corrigir, impor correcções ao comportamento de muitos advogados?… Se pode, se o está a fazer, fazem todo o sentido os disparos para tudo quanto é lado; se não pode, falta-lhe a legitimidade.

    Vem isto a proópsito de um processo que movi, e ganhei, a uma advogada; que, valendo-se dos conhecimentos e das influências, foi fazendo recurso a tudo quanto era medida dilatória. A própria Ordem foi demorando, demorando…

    Baseado na sua frontalidade e vontade de justiça, escrevia Marinho e Pinto, e fui recebido pela sua assessora, a quem expus a situação. Em função do exposto e dos documentos apresentados, a senhora perguntou-me em que é que eu achava que me podiam ajudar. Muito simples: inibir a advogada de continuar a exercer, enquanto não cumprisse o que foi determinado pelo Tribunal…

    —”É muito difícil julgar os pares, senhor Rodrigo Costa…”.
    —A senhora jé está julgada, Doutora, por uma Instituição independente; falta é que a Ordem tenha mecanismos de auto-regulação; porque o senhor Bastonário não pode querer limpar todas as casas, sem começar por limpar a casa de que é a face.

    Ficou a promessa de verem o que poderiam fazer.

    O tempo passou; fiz interpelação directa ao juiz do processo. No entretanto, chegou-me a comunicação da Ordem de que a Advogada, na sequência da sentença proferida pelos Tribunal e comprovados os factos por mim apresentados, fora codenada ao pagamento… à Ordem, de 1 500 Euros.

    Escrevi, pela segunda vez, ao Dr. Marinho e Pinto, uma carta a meu modo, em que terminava dizendo não me parecer a Ordem mais do que um espaço onde se escondaim, também, indivíduos que se dedicam ao crime organizado. Até hoje… népia.

    É claro que deixei admitida a possibilidade de Marinho e Pinto não ter tão grande espaço de manobra, sendo perceptível, quando se propôs fazer um “approach” à classe. Mas, como todos os “lobos” lhe sairam ao caminho, de há muito que Marinho e Pinto não fala lá para casa; conquistando o silêncio dos advogados, que, assim sendo, pouco lhes importa o barulho que Marinho e Pinto faça; até porque, como é visível, não produz consequências. No dia em que, realmente, incomodar, alguém lhe oferecerá um cargo. veremos, então, se será ou não a segunda edição de Durão Barroso.

    Nota: o processo foi concluído, porque senhora optou por pagar, em vez de ir viver para a rua. Quanto ao resto, a Ordem acabou lucrando 1 500 Euros, sem grande trabalho, porque a advogada nunca lá apareceu, foi julgada, tal como no Tribunal, à revelia.

    Poderia o tempo que demorou o meu ressarcimento ser encurtado? Claro que poderia, se a Ordem agisse de acordo com a consideração em que pretende ser tida. Porém, nunca pude saber, a partir do Bastonário ou, até, da sua assessora, o porquê da fraqueza —quem sabe, talvez um dia eu não venha a saber?… Até lá, tenho que assumir que estranho a frontalidade de Marinho e Pinto, estou a tentar percebê-lo.


  2. Meu caro Fernando: as causas não se agradecem, partilham-se.
    Um abraço!