Os Controladores do Ar Fazem Greve Geral à Portuguesa

Tenho de começar por dizer que não faço greve, nunca fiz e de certeza que nunca farei.

Não concordo com greves e não acho que resolvam seja o que for, ainda para mais em Portugal e numa altura em que é preciso produzir e gerar riqueza.

A greve, direito inalienável dos trabalhadores, nunca resolveu nada em Portugal, desde que após a revolução, a implementaram.

Tinha prometido a mim mesmo e a alguns dos meus próximos, que sobre este assunto iria escrever nada, mas voltei atrás com o que disse, e isto porque a Ryanair, decidiu cancelar vários voos, entre os quais um de Paris para o Porto, no dia 23 p.f. pelas 22h, hora local, e chegada às 23h50, hora do Porto, com a desculpa da greve dos Controladoresd Aéreos Portugueses.

Mas a greve anunciada é só no dia 24 de Novembro, GREVE GERAL EM PORTUGAL, pensei eu, e o voo efectuar-se -ia no dia 23.
Não entendi e dirigi-me ao Aeroporto de Pedras Rubras, ao balcão da Ryanair.

Aí, a muito simpática, e diga-se em abono da verdade, quase bonita funcionária, informou-me que a Companhia de Aviação, não poderia fazer de outra forma já que, a  

Greve dos Controladores Aéreos Portugueses marcada para o dia 24 de Novembro,

o dia da Greve Geral em Portugal, jornada de luta dos trabalhadores contra este Governo que os oprime,

começa às 22h do dia 23.

E assim se luta pela saída da crise em Portugal.

Comments


  1. “Não concordo com greves e não acho que resolvam seja o que for,…”
    Completamente de acordo!


  2. O que querem estes controladores ? Para começarem mais cedo a greve deve ser por um assunto muitooooo importanteeeee.

  3. Hugo says:

    Nada de importante, querem um Conselho de Administração! É que o Governo não nomeia administradores para esta empresa há mais ou menos um ano! E eles decidiram juntar-se à greve geral, para terem um conselho de administração ou a possibilidade de diálogo com o Governo (leia-se patrão), vejam lá os malandros…

  4. Martunis says:

    O típico comentário do Português.
    Ignora a origem do direito a greve e ignora as mudanças económicas e sociais que tal trouxe, ao longo da história, para os trabalhadores por contra de outrém.

    Provavelmente a única maneira de estas pessoas perceberem para que serve a greve seria coloca-las a trabalhar com as condições laborais do sec XIX…

  5. Martunis says:

    Adenda: Antecipando os possíveis comentários ao meu comentário informo que não estou aqui a defender os motivos de greve seja de quem for, mas apenas a salientar que as organizações de trabalhadores têm o direito de lutar por aquilo que considerem ser os seus interesses.

    Se alguma crítica tenho a fazer é àquela grande maioria em Portugal, que usando como desculpa as sanções patronais covardemente aceita tudo e critica os que não fazem o mesmo.

    A violência, as sanções e os despedimentos não foram impedimento para os primeiros grevistas em todo o mundo, e não o são, nos dias de hoje, em muitos outros países, mais ou menos desenvolvidos.


  6. Muitos não compreendem a greve, nem para que serve.
    Na CP também quando há um dia de greve, começa no dia anterior e prolonga-se até ao seguinte, fazendo na prática três dias sem comboios.
    Sendo um transporte público, e muitos dos seus utentes pagam títulos mensais, os únicos lesados são estes, o os beneficiados são quem quer encerrar ou desmantelar estas empresas públicas.
    Por outro lado nas privadas, leiam!
    http://anossaterrinha.blogspot.com/2011/11/nomes-que-respiram-classe-24.html

    O mundo está de pernas para o ar.
    Eu por mim não faço greve nem farei porque as minhas tarefas desta semana tenho que as completar eu próprio, e se faltar dia 24 não me pagam…Por outro lado, se quiser falar com a administração posso fazê-lo de viva voz e olhos nos olhos.

  7. MAGRIÇO says:

    Sou, por formação, bastante tolerante e acho que é salutar a troca de ideias com quem difere com os nossos padrões e concepções de vida. Mas, como não tive pais que estivessem sempre disponíveis para ocorrer às minhas necessidades, cedo tive de começar a procurar a minha independência económica e se quis ir mais além de um curso médio tive de estudar e trabalhar simultaneamente, como, aliás, muitos outros. Mas não estou a lamentar-me: a vida deu-me uma enriquecedora experiência que hoje reconheço ser uma mais valia, sobretudo quando comparado com gerações mais novas que sempre tiveram a vida facilitada pelos pais, muitas vezes com enormes sacrifícios e privações. É por isto que não posso deixar de sentir alguma mágoa quando alguém diz que é contra greves. Compreende-se, se for um menino (ou menina!) família que nunca sentiu dificuldades na vida e sempre teve o que quis. Mas se for alguém que viva do seu trabalho e do vencimento medíocre que, na maior parte das vezes aufere, confesso que tenho muita dificuldade em compreender esta posição. Será desconhecimento histórico? Se assim for, quero recordar que se hoje se trabalham 8 horas diárias foi porque alguém, trabalhador explorado por uma classe patronal emergente da Revolução Industrial, teve a coragem de fazer greve (Ah! Esta palavra horrorosa ligada aos tão plebeus operários!) para esse direito ser reconhecido. Em 1886, em Chicago, alguns pagaram essa “ousadia” com a vida, o mesmo sucedendo em França, 5 anos depois, e que, calcule-se, em 1954 leva à morte uma trabalhadora rural alentejana, Catarina Eufémia, morta por um ignorante e serviçal tenente da GNR. Confesso que não nutro muita simpatia por mentalidades pequeno burguesas que ainda persistem, mas reconheço que cada um tem direito às suas opções. O que já me custa mais aceitar é a falta de respeito e consideração devidas à memória de quem deu a vida por uma luta de que todos nós hoje beneficiamos.


  8. Ora então permitam-me mandar mais uma achazita para a fogueira!

    Eu sou contra as greves, e claro está, tenho os meus motivos para tal. E os meus motivos prendem-se com algo que eu considero fundamental e inalienável: a não interferência lesiva na liberdade do meu semelhante!

    Quer queiramos, quer não, somos egoístas. Pensamos muito mais em nós próprios do que nos outros. E porque assim somos, raramente ponderamos nas consequências nefastas que as nossas acções podem trazer para terceiros. Haverá portanto que colocar na balança estes dois pesos: num prato a defesa dos meus interesses e no outro o dano que com ela causo aos meus semelhantes! Para mim sempre pesou mais o prato dos danos! Conscientemente, recuso-me a prejudicar o meu semelhante!

    E pronto, agora que alimentei a fogueira, podem atirar-me com uns baldezitos de água! 🙂

    • MAGRIÇO says:

      Cara Isabel, não acredito, pelo que aqui já li de si, que seja tão egoísta como quer fazer crer. Mas nós somos seres racionais, certo? Então acha que tem alguma lógica eu pôr os meus prosaicos interesses pessoais acima do interesse do colectivo? Pois digo-lhe, como mero exemplo, que para mim é muito mais importante a luta dos trabalhadores por melhores salários do que eu ficar privado de transporte. E olhe que não disputo qualquer lugar no paraíso!


      • Pois é caro Magriço, temos andado tão alinhados ultimamente e agora desalinhámos! 🙂

        Mas desta vez, realmente, não posso concordar consigo! Já com o José Magalhães quando diz que “A greve, direito inalienável dos trabalhadores, nunca resolveu nada em Portugal, desde que após a revolução, a implementaram.” concordo a 100%!

        Nestas coisas de direitos e deveres, de melhores condições de vida, a minha perspectiva é a seguinte: sem uma evolução de mentalidades que acompanhe a par e passo a incrível evolução tecnológica que tem vindo a ocorrer, tudo continuará como está! E as greves, na conjuntura actual, são a meu ver um factor de elevada desestabilização e portanto perfeitamente dispensáveis!


        • Cara Isabel,
          Estamos numa situação delicada, e se a greve não resolve, também a (falta de) estratégia dos sucessivos governos e dos sindicatos não resultará.
          A greve é o instrumento maior nas mão dos trabalhadores, mas deve ser usada com cautela ou rebenta-lhes com as próprias mãos.
          Em casos paradigmáticos, como algumas empresas públicas, a greve “beneficia o infractor” e só prejudica os mais desfavorecidos. Nesses casos fazia falta outra “forma de luta” mais inteligente.
          Por outro lado, há profissões (como a minha) em que o conceito de greve não é aplicável, embora eu tenha a opinião que deve continuar a ser um direito inalienável dos cidadãos (não só dos trabalhadores).

        • MAGRIÇO says:

          Cara Isabel, não tenho a pretensão de estar sempre do lado correcto e pontos de vista diferentes geram normalmente uma dinâmica de onde se poderá, eventualmente, extrair algo de útil. Eu defendo a greve porque é a única arma do trabalhador, mas não defendo a greve oportunista ou sectária. De que outro modo é que acha que os trabalhadores podem enfrentar o patronato ávido de lucro e com os governos do seu lado?


  9. Caro José Pinto e caro Magriço, as questões que ambos colocam são sem dúvida pertinentes. Eu, que infelizmente sou portadora de muito pouco conhecimento, não tenho respostas palpáveis.

    Para mim estas questões de desigualdes e de lutas de direitos têm uma causa muito, muito antiga. Procedem da altura em que o ser humano enveredou por um caminho que não tem mais volta. É minha convicção que, façamos o que fizermos, o confuso emaranhamento a que a sociedade chegou não mais vai permitir que a civilização tome um rumo justo e humano. Uma das minhas grandes preocupações é precisamente essa: o que fez com que o ser humano se desviasse tanto dos seus desígnios, que começasse a construir uma civilização tão alheada da natureza? Porque afinal, todos nós sentimos as injustiças sociais, todos nós nos apercebemos de que as coisas estão visceralmente mal, mas a questão é tão profunda e tão complicada que as soluções que a actualidade tenta implementar não são na realidade soluções mas simples remendos. São reformas e nada do que é reformado, remendado, a partir de uma mesma raiz velha, podre e gasta, poderá jamais originar algo novo, viçoso, vivo.

    Nas minhas mais selvagens cogitações, e aqui corro o sério risco de me considerarem completamente insana, confesso que a solução que se me aflora muitas vezes à mente é esta: regressar às origens! Que não mais se labore em erros por demais repetidos. Que não se acredite nas palavras, que estão demasiado gastas. Que não se vote, que caia tudo por terra. E num novo começo que sejam líderes aqueles que assim se provarem no silêncio do trabalho e do esforço prestado e testemunhado pela comunidade.

    Estejam à vontade, caros colegas de comentários no Aventar, para me colarem na testa o rótulo que acharem que melhor se me adequa! 🙂

    • MAGRIÇO says:

      Cara Isabel, estes assuntos tornam-se menos complexos se na sua análise se usar mais a razão e menos a emoção. O pré-determinismo evidente na sua exposição está em contradição com outras suas posições que aqui já vi defender, o que me leva a concluir que, neste caso particular, menos que a falta de conhecimento que modestamente alega, o que realmente a leva à defesa da sua tese é o excesso de emoção presente na sua análise. Na ciência, em todas as suas vertentes, a sua evolução depende muitas vezes da experimentação e os resultados só são obtidos após vários falhanços, mas em que a persistência tem um importante papel. Sinceramente, não acredito na genuína convicção da sua asserção “É minha convicção que, façamos o que fizermos, o confuso emaranhamento a que a sociedade chegou não mais vai permitir que a civilização tome um rumo justo e humano.” Isto é do mais fatalista que já ouvi! Prefiro acreditar que, apesar dos tombos que a humanidade dá a cada passo (“o que fez com que o ser humano se desviasse tanto dos seus desígnios”), ela consiga, finalmente, erguer-se na vertical e ser dona do seu próprio destino. Se não, o que nos resta? Por mim, recuso ser um subproduto do Universo.


      • Caro Magriço, não deixo de lhe conceder uma certa razão. Mas também é preciso, de ambos os lados, analisar a que luz vemos os problemas. Eu sou mais Lao Tsé e nada Marx ou afins. O conhecimento que o indivíduo pode retirar de si próprio é fundamental para o entendimento global.
        E infelizmente, muito infelizmente, após um dia de greve dita geral, não tenho outro remédio senão consolidar a opinião que tenho sobre os seres humanos que, para pensar, precisam de incitamento exterior. O resultado está à vista. Foi lamentável este dia pelo que de “encarneiramento colectivo” deixou perceber e pelos actos irreflectidos e lesivos que o acompanharam! Tem toda a razão quando diz que a humanidade aprende com os tombos. Mas eu sinceramente acho que há um limite para os tombos: quando se bate com a cabeça contra uma parede vezes sem conta esperando derrubá-la e isso não acontece, talvez a atitude mais sensata seja abandoná-la e seguir por outro caminho!
        Mais uma vez repito que esta é tão somente a minha opinião e quiçá o única valor que tenha seja só para mim mesma!
        Quanto ao Universo, jamais poderemos ser um seu subproduto já que somos feitos inequivocamente da mesma massa. Pó de estrelas é que somos! 🙂

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