Cromo do Dia: Governo

Ainda não estão contabilizadas as consequências do aumento do IVA para a restauração, do aumento para o dobro das taxas moderadoras, da redução de horários e supressão de transportes públicos, etc., mas os níveis de confiança das famílias e empresas nunca andaram tão por baixo. Não sei se é a isto que chamam “união para vencer os desafios”, “motivação para cumprir os grandes desígnios nacionais” ou “comunicação eficaz”, mas com uma população depauperada e descrente não há milagres económicos que aconteçam.

governo de passos coelho

Comments


  1. Numa altura em que se discute a abolição de quatro feriados como solução para a crise sistémica nacional, proponho que partindo desse ponto façamos uma viagem pela sociedade portuguesa, refletindo sobre os dias que correm.

    A proposta em cima da mesa parece pressupôr que a abolição de quatro feriados somada a meia hora extra de trabalho resolverá os problemas de produtividade e competitividade de Portugal.

    É isso o que falta? São esses os fatores primordiais?
    A grande maioria de nós concordará que não. O valor destas medidas, em termos líquidos, traduzir-se-á num diminuto impacto.

    Porque temos baixa produtividade?
    Na minha opinião os principais fatores que deveriam ser objetivo de análise e atuação por parte do Governo são:
    – Custos de produção excessivos
    – Custos energéticos elevados
    – Carga fiscal pesada
    – Falta de celeridade processual da Justiça que assusta investidores estrangeiros
    – Falta de organização e competência na estrutura empresarial
    – Falta de formação dos trabalhadores
    – Falta de motivação

    Discordam muito de mim? Não creio.
    Nos países mais competitivos da Europa os colaboradores trabalham menos horas, auferem mais dinheiro e as empresas não só subsistem como proliferam.
    Porquê seguir o caminho oposto se todos desejamos estes resultados?
    Não acham que devíamos tentar concorrer com a Alemanha ao invés da China?!

    Para os trabalhadores portugueses que não concordem com estas medidas e que nelas encontrem apenas a continuidade da prossecução de um ataque a direitos supostamente adquiridos espera-se sequer aumento da sua produtividade individual?

    Assumindo esta argumentação como válida, qual o real objetivo na prossecução destas medidas?
    Se o impacto positivo será mínimo e ainda assim discutível, quando os fatores que determinariam a correção dos nossos índices produtivos são outros e nem sequer de muito difícil perceção, quando o principal efeito se fará sentir nos mesmos do costume, para quê prosseguir?

    A motivação é o motor do comportamento.
    Se insistirem no caminho da desmotivação enquanto retiram direitos e simultaneamente apostam no empobrecimento real, assumido e abrupto da população sem se marimbarem nem para as empresas nem para as pessoas, esperam realmente bons resultados?

    Caso a resposta seja afirmativa então não tenho qualquer pudor em afirmar que somos governados por uma data de idiotas chapados.

    Caso saibam que não terão bons resultados, então assumam de uma vez que estão determinados em cumprir uma qualquer agenda que não a do interesse de Portugal, como até esta data demagógica e desavergonhadamente têm feito.

    Numa sociedade pautada pela ética, pela lógica, pelo mérito e pela honra, um Governo que executasse o antónimo do que apregoou deveria ser destituído.
    Não sei muito bem que pena aplicar a um executivo que prejudica deliberadamente o Povo que o sufragou…

    Não só por ser parte integrada e interessada em todo este logro, também sob o ponto de vista sociológico questiono-me verdadeiramente até que ponto os portugueses se deixam enganar. Interrogo-me até quando o mentiroso e sofrível argumento da inevitabilidade de nos despojar de tudo, até da dignidade, é aceite como meio para nos salvar, sem qualquer protesto indignado e massivo.

    Será que na nossa tão jovem e por isso tão frágil democracia teremos tido tempo e arte para, enquanto Povo, termos eliminado a nefasta e derrotista resignação que tão facilmente abre caminho às ditaduras e totalitarismos?

    Tenho receio, confesso.
    Quando vejo que os portugueses aceitam que tudo lhes roubem e em tudo os prejudiquem sem espírito crítico, sem reflexão, sem aparentemente sequer se importarem, este é, para mim, o estado de espírito de quem vive na subjugação e tudo, inclusivamente a perda da liberdade, é capaz de aceitar.

    Esta é a conclusão e isto o que fundamentalmente me preocupa.
    Mais do que a condução idiota dos destinos da nação, mais do que o cumprimento de uma qualquer agenda escondida, o que me deixa deveras preocupado é a falta de capacidade de análise, reflexão e reação do meu Povo.

    A quem tudo aceita, tudo farão, não duvido.
    Não gosto de me colocar nas mãos dos outros mas os meus concidadãos parecem desejar fazê-lo ardente, cegamente, sem qualquer critério.

    Sempre ouvi dizer que a ira nos cega.

    Esta Ira, em que escrevo, procura fervorosamente abrir os olhos de quem não vê.

    Podem discordar de mim à vontade. Será incomensuravelmente melhor do que não terem qualquer opinião.


    • Pois tenho eu opinião há muito, e concordo inteiramente consigo e assino por baixo o que escreveu
      Apenas que um homem tabém se cansa e à força de levar porrda se calhar até tem direito de não ser capaz de se levantar, o que acho que nem é o caso mas se você vir apenas o espoliador (com a matraca na mão) na sua frente como o enfrenta e lhe grita ??
      omo se levanta a mulher que o homem espancou até à morte durante anos e anos
      creio que os portuguses estão fartos mas não submetidos ou desistentes – e ainda têm quem fale por eles como as duas centrais sindicais, mesmo que já queiram prescindir deles, o que até me agrada – se olhar para trás vê como sempre se foi espoliado (penso apenas desde 1986 e tanto me chega nem é preciso mais) e como as chefias não interessa de que nível nunca foram capazes porque estiveram por eles e não pra a sociedade – e se ontem um deputado da AR comprou um carro de 86 mil euros (e fez a fita de andar de lambreta só para gozar todos) e ainda vem dar bocas – se hoje se afirmou que o mais rico de Portugal citado na revista Formes dos 100 mais ricos do mundo deve milhºoes de euros de impostos e já prescritos, como há oça para combater e de que fora, tanta iniquidade – eu não desisto mas se fizer algo sozinha é como faca na água – ou saímos para a rua e constantemente ou será como a peste que todos dizima e ficamos aqui só a trocar palavras, o que é muito bom, mas não chegapara nada agora – já me descontram mais de 2 mil euros em 2011 silenciosa e insinuadamente, antes de ser “legalizado” e antes do prazo anunciado para o fazerem, e se os jovens têm muitas razões, mas são jovens, como quer que a mairia da população activa que está mal, mas os já reformados como eu, façam o que quer que seja que seja útil em vez de ser mais uma ilusão – é preciso união dos espoliados novos ou velhos, empregados ou desempregados – faça sugestões que conduzam a movimentação que seja vista – de que servem as 2 sindicais ?? não sou sindicalizada mas agrupo-me com quem quizer fazer o que for para o bem comum sem perder mais tempo por que nos intervalos da CHUCA roubaram-me em 2010 mais de 2 mil euros (desde há 2 anos oIRS sobiu e despesas de saúde, que mais importa até pela idade são ZERO – ADSE diminuiu drasticamente -mcor

    • MAGRIÇO says:

      Absolutamente de acordo! Só faria uma pequena alteração: a razão que apresentou em antepenúltimo lugar eu passaria para primeiro. São muitos anos de experiência em empresas nacionais e multinacionais. Os métodos de gestão e de organização laboral estão nos antípodas, e a tradicional vaidade tão portuguesa também não ajuda muito.

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