Trabalha, cliente

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Portugal Litoral, Agosto de 2014, foto jjc.

A Restauração? A de 1640 ou a de 2012?

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Proclamação de João IV como rei de Portugal livre, Veloso Salgado

Entre 1558 e a1668, Portugal esteve sujeito ao reinado da casa de Habsbugo , de Castella. Filipe II, III e IV de Habsburgo, passaram a ser os Filipe I, II e III de Portugal. A história é conhecida, bem como é sabido. Quem deseje saber mais, pode consultar o blogue histórico da página web . Sabemos também que João de Vasconcelos e Sousa, 2º Conde de Castelo Melhor liderou a conspiração que derrubara à denominada Dinastia Filipina, proclamando Rei de Portugal, após uma pesada guerra contra os soldados espanhóis, a João de Bragança como João IV de Portugal. A paz final foi assinada apenas em 1668 entre Afonso VI de Bragança e Carlos II de Habsburgo. Portugal tem tido sempre o hábito da autonomia e da independência. Não eram apenas os Habsburgo que perturbavam esse costume de autonomia, era o hábito da autonomia enraizada na nação desde a existência do Primeiro Rai, Afonso I ou Afonso Henriques como é mais conhecido.

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Uma moedinha por favor

(Pormenor de quadro de Adão Cruz)

O homem subia a Rua da Restauração, a qual, apesar do nome, nada restaurava, antes o desconjuntava ainda mais com a subida íngreme. Apoiado numa bengala arrastava a perna direita, desacertada por um AVC. Passava-se isto perto do Bairro Ignês, o bairro dos Erasmus, junto à casa abandonada do velho médico dos olhos, onde eu esperava os meus netos para a festa do primeiro aniversário da Carmen.

Filhos da puta enfiaram-me no banco de trás do carro, lá no fundo da rua, e disseram Ó meu, passa para cá o carcanhol. Limparam-me dezoito euros e deixaram-me aqui. O velho dirigia-se a mim fazendo esforços para lacrimejar. [Read more…]

Restauração a ser descontinuada

Cromo do Dia: Governo

Ainda não estão contabilizadas as consequências do aumento do IVA para a restauração, do aumento para o dobro das taxas moderadoras, da redução de horários e supressão de transportes públicos, etc., mas os níveis de confiança das famílias e empresas nunca andaram tão por baixo. Não sei se é a isto que chamam “união para vencer os desafios”, “motivação para cumprir os grandes desígnios nacionais” ou “comunicação eficaz”, mas com uma população depauperada e descrente não há milagres económicos que aconteçam.

governo de passos coelho

1 de Dezembro, dia nacional da aldrabice historiográfica

Cristovao de MouraEle é a independência, a cobardia da nobreza portuguesa em geral e dos Braganças em particular promovida a heroísmo, e mais umas lérias: o séc. XVII permanece como o menos estudado da nossa História, e os mitos historiográficos ainda perduram como verdade oficial.

Deixem-me saudar o povo irmão da Catalunha, e sobretudo o povo português em revolta antes do golpe palaciano também  contra esse mesmo povo que hoje se comemora.

Há um ano escrevi aqui umas coisas sobre o 1º de Dezembro, feriado nacional conhecido por “Dia da Restauração da Independência de Portugal” e hoje acrescento um retrato de Cristovão de Moura, e uma ligação para um curto blogue que lhe tomou o nome, do Paulo Varela Gomes, com quem comungo o gozo da provocação embora ele a exerça com o talento que lhe sobra e a mim me falta. Volta Paulo, estás mais que perdoado.

A protecção dos trabalhadores contra o fumo em segunda mão (fumadores passivos)

A ACOP exige revisão da lei antitabáquica.

Mercê da subversão das normas e da estranha opção que acabou por se sedimentar, os trabalhadores dos estabelecimentos de bebidas (cafés, snack bares e similares) “qualificados” como “azuis” (em que se fuma indiscriminadamente) não têm qualquer protecção.

Com a extrapolação da regra para os restaurantes, independentemente da área prevista por lei, fenómeno análogo se observa, vale dizer, durante o período laboral ficam expostos, sem remissão, ao fumo dos comensais fumadores, não se poupando aí sequer os menores que acompanhem os seus familiares.

Há locais de trabalho em que as zonas reservadas aos fumadores são contíguas (sem qualquer protecção acrescida) às que se consignam às tarefas laborais, o que subverte em absoluto o escopo da lei.

Não houve, por razões compreensíveis, qualquer investimento nas zonas de fumo das instalações laborais, o que causa natural incomodidade aos trabalhadores que fumam com as quebras sensíveis que se registam nos ritmos de trabalho e no rendimento específico de cada um e todos.

Situações de manifesta desigualdade e ausência de proporcionalidade entre os que fumam e os que resistem ao tabaco e aos produtos do tabaco.

Com a exposição dos trabalhadores, em situações climatéricas de ponta, às inclemências do tempo, as enfermidades disparam e o absentismo, ainda que não medido pelas estâncias do poder e as estruturas da saúde, cresce exponencialmente.

Referência ao facto de a OMS haver sustentado, desde sempre, que não há sistemas eficazes de extracção de fumos, mas o mais grave é que, por razões de economia, mesmo os precários sistemas implantados nos estabelecimentos de restauração, de bebidas, cafetaria e similares, só episodicamente funcionam com os efeitos negativos daí decorrentes.

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Seis questões sobre o 1º de Dezembro, feriado nacional conhecido por "Dia da Restauração da Independência de Portugal"

Choveram no mesmo instante pedras nas janelas e casas do Corregedor, despedidas dos rapazes e pícaros da Praça, os quais, animados com a assistência do Povo, subiram acima e botaram na Praça, furiosa e confusamente, quanto acharam nas mesmas casas do Corregedor e, fazendo uma fogueira defronte delas, se pôs fogo a tudo.Escondeu-se o Corregedor em uns entre-solhos. E, sendo pouco depois achado pelos rapazes, passou aos telhados por uma fresta […] se recolheu desairoso às casas do Cónego […], que estão paredes meias com as suas. […]

Manuel de Severim de Faria, descrevendo as Alterações de Évora de 1637

 Ler mais na Rua de Alconxel

 

 

Os acontecimentos de 1580 devem-se ao “desastre” de Alcácer-Quibir?

Não. Desde o séc. XV que as monarquias ibéricas tinham acordado na sua unificação política, sob o jugo de um mesmo rei. Apenas vários acidentes (a começar na morte do filho de João II, que seria o futuro rei de Portugal e dos restantes reinos ibéricos dominados por Castela) o tinham evitado. O rei Sebastião e a aventura dramática em terras da mourama apenas atestam que num regime monárquico é extremamente fácil um doente herdar a coroa. Mesmo assim e até por isso podemos dizer que hoje em dia o criminoso  de guerra Sebastião seria dado como inimputável. Filipe II de Espanha foi aclamado Filipe I de Portugal com toda a legitimidade, à luz das leis e da sucessiva intenção política do poder régio.

 

Em 1580 Portugal perdeu a independência e ficou sob domínio espanhol?

Técnicamente não é bem verdade. O regime estabelecido após 1580 designa-se por monarquia dual, ou seja, o mesmo rei era-o de dois estadosmais ou menos soberanos.

Filipe I tentou mudar a sua residência para Lisboa, no que foi impedido pela nobreza, uma porque não queria sair de casa, a outra, a portuguesa, porque adorava a vida na corte espanhola. Contudo no governo de Filipe III, o acordo que garantia a independência de Portugal deixou de ser respeitado.

 

Durante a dinastia filipina houve resistência à monarquia dual?

Entre o povo sim. A nobreza sempre se sentiu encantada com essa união, os intelectuais escreviam em castelhano, etc. etc. Na década de 30 houve várias revoltas populares, conhecidas por alterações, contra o poderio da nobreza e do clero, das quais a mais conhecida foi a de Évora, em 1637. Revoltas de um povo esfaimado e que não distinguia portugueses de castelhanos quando atacava quem tinha que comer, colocando o país a ferro e fogo.

 

Porque se dá o golpe de estado de 1 de Dezembro de 1640?

São várias as circunstâncias. Internamente a nobreza vivia em pânico com as revoltas populares. Internacionalmente o Duque de Bragança foi pressionado pela França para assumir o poder, o que primeiro recusou com o heroísmo que lhe era muito peculiar, e se viu obrigado a aceitar antes que o cheiro a fumo das alterações lhe chamuscasse as propriedades. Por outro lado e para não variar a norbreza mais jovem precisava de se fazer à vida, que o morgadio ainda era lei.

 

A que se deve o sucesso da chamada “restauração”?

A uma feliz conjuntura internacional, sobretudo a guerra na Catalunha que levou Filipe III a concentrar os seus esforços militares, permitindo a Portugal organizar o seu exército, com o apoio de potências estrangeiras rivais.