Ireneu Teixeira é apresentado no canal Now como “analista internacional”.
Ninguém espera que um analista seja imune a opiniões, valores, ideologias ou preferências gastronómicas. Espera-se, ainda assim, que seja um analista, que analise, que explique, que argumente. Ireneu , no entanto, está na televisão como qualquer um de nós num café, em conversa entre amigos, expectorando preconceitos e inventando teorias.
Recentemente, a propósito dos problemas de Ceuta, Ireneu atirou-se à História e explicou que está tudo relacionado com a perda da independência de Portugal em 1580, porque, caso a cidade tivesse permanecido em poder dos portugueses, a crise de 2026 nunca teria acontecido, porque nós teríamos resolvido o assunto. Por outro lado, se a minha avó tivesse rodas, era um camião TIR
Segundo Ireneu, ficámos também a saber que os espanhóis foram expulsos pela padeira, em 1640. É verdade que a História tem tendência para se repetir e, num país com tão bom pão e tão invadido pelos espanhóis, a probabilidade de ter havido, no século XVII, um episódio como o da lendária Brites de Almeida, em 1385, é decerto altíssima. A não ser que Ireneu tenha confundido Aljubarrota com o Primeiro de Dezembro, do mesmo modo que há quem o confunda com um analista internacional.





Ele é a independência, a cobardia da nobreza portuguesa em geral e dos Braganças em particular promovida a heroísmo, e mais umas lérias: o séc. XVII permanece como o menos estudado da nossa História, e os mitos historiográficos ainda perduram como verdade oficial.







Recent Comments