CGTP – E agora?

Carvalho da Silva, CGTP

Uma imagem da RTP, por Tiago Petinga, Lusa

Está a decorrer o Congresso dos Trabalhadores Portugueses, isto porque considero que a CGTP é a única organização que realmente representa quem trabalha!

Com uma cobertura mediática nunca antes vista, milhares de sindicalistas estão reunidos em Lisboa para, entre outras coisas, assistirem à passagem de testemunho entre Carvalho da Silva e Arménio Carlos, sendo que, como todos têm afirmado, a CGTP é muito mais do que uma só pessoa. Mas, ao contrário sou dos que pensa que o Carvalho da Silva dos últimos anos, valeu sempre mais que a Central.

Já escrevi sobre esta questão antes, mas há ainda algo mais por dizer.

José Magalhães, escreve aqui no Aventar que o Arménio Carlos é um “seguidista e ortodoxo” e que “a autonomia face ao partido comunista conseguida durante mais de vinte anos por Carvalho da Silva, tem vindo a esmorecer.” E se calhar tem razão, mas a questão é mais do que só o Carvalho da Silva ou só o Arménio Carlos.

A CGTP nunca esteve tão distante da linha definida no PCP como nos últimos anos até porque muitos dos dirigentes que agora vão sair são gente de ENORME qualidade, alguns dos melhores quadros deste país, com uma competência técnica e política fora do comum e muito para além do que era definido pelo PCP.

Como tem sido fácil de perceber nos últimos dias, Carvalho da Silva não é um figurante nas mãos de quem quer que seja – não é do PC, como não é do BE do PS ou…

E foi esta capacidade de ser um verdadeiro líder que transformou Carvalho da Silva num homem consensual dentro das Esquerdas Portugueses, sendo que é no PC que ele tem mais anti-corpos.

Mas, depois de Carvalho da Silva, o que fica?

Fica um legado complicado porque a CENTRAL não está a conseguir a renovação de quadros com a qualidade e quantidade que seria necessário – a geração que agora sai foi-se fazendo sindicalista na prática, na vida dura das empresas, no contacto directo com quem trabalha. Hoje, a realidade é diferente. Nunca como hoje a precariedade e a violência do poder exercido pelo dinheiro fazem desacreditar quem trabalha. E no reino do medo, o trabalhador não se aproxima do sindicato.

Sem este primeiro passo não há delegados, sem eles escasseiam os dirigentes, ficam a faltar os quadros.

Ser sindicalista significa não progredir na carreira, significa não ter horas para nada, significa enfrentar o poder, significa ter chatices! E os tempos que correm não estão para grandes chatices.

Com esta dificuldade de militância sindical sobre uma máquina bem oleada que continua a ter na CGTP uma parte central do seu poder – o Partido Comunista Português.

E para o PC a CGTP é também uma forma de ter muitos quadros espalhados por todo o país que, vão sendo operacionais nas mais diversas áreas, seja contras as portagens, seja nas comissões de utentes, nas lutas a, b, c…

Neste quadro dou como certa a entrada da CGTP – INTER SINDICAL num campo mais partidário do que político. Se isso acontecer, perdemos todos porque PORTUGAL precisa de um SINDICALISMO plural, democrático e livre.

Comments


  1. Concordo com o elogio feito a Carvalho da Silva.
    Merecidíssimo.


  2. Quando o Proença assinou o último acordo,e sendo do secretariado nacional/PS,não foi uma posição politico / partidária ?

  3. Ainda penso says:

    Concordo com a apreciação a Carvalho da Silva que é um homem que eu muito respeito pela sua coerência, integridade, valores e independência, mas também acredito que a CGTP é mais do que um homem e que ninguém é insubstituivel. Penso que haverá gente à altura para lidar com essas interrogações que coloca e bem, claro, que poderão manter o nivel de exigência que os trabalhadores merecem, para além de que um “líder” como o Carvalho da Silva, deverá ter preparado bem o seu sucessor. Assim esperamos e acreditamos. Se as politicas do PCP, também servirem os interesses de quem trabalha, como penso que servem, seguir alguma das suas opiniões também não será negativo. Comparativamente ao serviço que a UGT tem prestado aos trabalhadores deste país, pior não pode ser de certeza absoluta, até porque estes senhores têm servido sempre o PS e o PSD, mas infelizmente também não é nada de que possamos reclamar muito, porque o povo quando vota também faz o mesmo.
    Valha-nos Alguém

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  1. […] história que vai para o terceiro acto: congresso, manifestação e greve […]

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