Preços de bens e serviços vão aumentar após privatizações

Durante anos, a ofensiva ideológica neo-liberal foi passando a sua cartilha baseada em algumas “verdades” salvadoras. Repetiu-se até à exaustão que o estado era o papão e os privados, coitados, as vítimas. Entre os argumentos mais usados, havia dois que fluíam sempre na boca  dos novos evangelizadores:

– O estado faz mal, os privados fazem melhor.

– A presença do estado no mercado impede a concorrência e a livre concorrência faz baixar os preços.

Apesar dos factos desmentirem estas “verdades”, apesar de nunca termos visto uma descida sustentada dos preços após uma privatização, estes argumentos, de tão repetidos, passaram para o senso comum. O Provedor de Justiça vem agora dizer que teme uma subida de custos para o consumidor nos serviços públicos que vão ser privatizados e frisou que

a privatização de serviços como os CTT, EDP, Águas de Portugal e empresas de transporte vai reflectir-se num aumento dos preços

Da próxima vez que falar num estado-papão e em privados-santinhos, pense duas vezes antes de dizer asneiras e ampliar uma mentira que não passa a verdade só porque é dita por gente aparentemente séria. Como o meu avô me ensinou, o estado somos nós. Quando algo que é nosso passa para a posse de outrém, quem perde somos nós.

Comments

  1. Zé Povinho says:

    Infelizmente são muitos os que se deixam embalar pelo canto da sereia.
    Abraço do Zé


  2. Diretor da FAO quer tratar a fome como um tema de guerra.
    http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19450&editoria_id=6
    A FAO, a ONU e a fome nunca resolvida em África e que alastrará a todo o mundo desenvolvido. A “maquilhagem” do governo Mundial ainda funciona? São persistentes!


  3. Há coisas melhor entregues a privados, outras melhor entregues ao estado, não há modelos perfeitos. A eficácia das organizações depende das pessoas que a integram, e dos processos de trabalho adoptados.
    Um bom exemplo: os hospitais. Existem hospitais públicos e privados, e as melhores e piores práticas nuns e noutros, por isso…
    Outro caso, não se devem por privados em monopólios naturais (ex: àguas, REN, EDP) por razões que deviam ser óbvias:
    -Não existindo concorrência, não há qualquer vantagem na privatização.
    -Grande risco de abuso de posição dominante pelos proprietários monopolistas

  4. Antonio Joao says:

    Claro que o facto dos CTT, águas de portugal, transportes estarem altamente endividadas, e com problemas de equilíbrio financeiro é completamente ignorado. (sim, até a EDP, que tem um défice tarifário que só vai aumentar)

    Os Serviços ou deveriam ser mais caros, ou então é o estado que através dos nossos impostos que os financiam.

    Mas continuemos a viver assim, a fingir que o dinheiro que o estado mete nestas empresas, ou o dinheiro que elas devem não existe… É como quem todos os meses pede novos créditos para pagar o carro e depois diz que ter um carro é barato!

    Funcionou tão bem até agora!

    (pensar duas vezes com que então?)

  5. A. Pedro says:

    António João
    -É muito mais justo que serviços essenciais e serviços estratégicos sejam de todos e suportados por todos quando dão prejuízos (transportes públicos, por ex.) do que darem lucros a poucos e serem incomportáveis para muitos.
    -Mas é também claro que o facto de os bens públicos lucrativos serem os mais apetecidos (lembra-se da rábula Passos Coelho/ CGD?) é dispisciendo para si.


  6. #4
    O combate ao endividamento de certas empresas públicas não se faz com privatizações. Mesmo porque os privados que se “predispõem” a entrar nas empresas públicas, não o fazem para perder dinheiro. E o défice é um passivo, logo não é interessante para aqueles.
    Depois, misturar transportes, águas e correios na mesa lenga-lenga , faz parte da cartilha dos pensantes com miolo de aveia. Ou seja, misturam alhos e bugalhos. São situações diferentes, que requerem soluções diferentes e diferentes tipos de gestão.
    Sobre a EDP e o famoso “défice tarifário”, resolvia-se muito simplesmente com uns decretos à la Salazar. Haja coragem para isso.
    Quanto aos nossos impostos que o financiam, se fosse apenas os nossos impostos não haveria défice em muitas empresas públicas. O problema é que elas se endividaram para além do dinheiro dos impostos porque foram mal geridas. E sejam públicos ou privados, um mau gestor é sempre um mau gestor, assim como um cretino é sempre um cretino


  7. … como é evidente!!
    (Mas a culpa é dos eleitores!)


  8. O endividamento das empresas públicas é um ponto de vista.
    Na realidade, muitas dessas dívidas resultam de o estado esconder o real custo desses serviços, não fazer os pagamentos que deve quando deve e forçar as empresas a contrair empréstimos para financiar despesas que deviam ser do estado. Em resumo, aquelas dívidas são défice do estado que foi ali “escondido” em anos anteriores.
    A privatização em nada favorece essa situação, pois as dívidas e despesas de investimento seriam sempre do estado, não dos privados.

  9. marai celeste ramos says:

    Será que o público dá prejuízo ou que roubam mais e mais à vontade e com menos fiscalização e controle ??? – e as público privadas não é a maior sedução e hipocrisia ???
    Desde quando o privado em geral é mais barato em geral e melhor em geral ?? se até o privado escolar que tantos dizem sem tão melhor é quase sempre financiado pelo estatal e pode, pior do que tudo, aldrabar classificaçõs escolares para vitrem em topo de tabela de melhor ensino ?? Nem tantos nem todos é claro
    Não hé regulação nem fiscalização conveniente nem no privado nem no público- è um problemas de indecência ou decência e entretanto em situações fora da linha como é que a TAP do EStado permite que um gestor se promova anualmente o dobro do que ganhava b«no ano anterior e a TAP está sempre falida ?? e porquê a EDP é tão ladrona ?? e a PT o que é ???
    Se calhar ou há moral através de regulação – se calhar as golden share não seriam um bom instrumento regulador – mas a UE proibe ?? e tal que nem se pode alterar nada neste país para melhor – nem acredito que não se possa
    E desde quando o privado do mesmo produto concorre com preços mais baixos – basta o drama do preço das gasolineiras – cantigas – pois que com a ultima crise de petróleo os preços subiram sem parar prometendo-se baixar quando baixasse o preço do crude e quem se lebra de se trem baixado os preços ?? é de facto uma questão de moral – mas que aqui o estado só dá os piores exemplos – e pensemos em autarquias imorais e o trabalho que fazem (betuminoso e rotundas) – é uma questaão de moral e a moral regulas-se – imoôe-se se quem a tiver que regular TIVER MORAL – e quem faliu – os anco público ou PRIVADO – ora bolas – não foram os bancos – e faliram mesmo ou roubaram até dizer chega ??
    E nem concordo com saúde e ensino gratuitos – todos têm de pagar – os que não podem que o demonstrem – ninguém dá valor ao que não paga nem lhe custa – apenas que pagam uns pelos mais espertos e menos capazes – porque é que cada vez é maior a diferença rico-pobre – não será por total imoralidade ?? o pobre é ESTÚPIDO e quer ser pobre – o rico é mais inteligente e habilitado para quê ?? para roubar e ter cama feita e roupa lavada e vai à igreja confessar-se do seu autismo ?? quem governa desgoverna pois que dão os piores exemplos e onstalam-se e os outros que se lixem e vem de lá o Rio e Carlos Costa a darem música – reduzam os funcionários parasitas a 50% e que vão para o “privado” por conta própria – para aprender a andar começa-se por gatinhar – os privados pôe tudo e todod«s de cócoras – e agora com as sindicais que há uma delas governamental e outra a vir radical e raivosa como vai ser ?? o homem não muda, refina e fazer como se tem feito desde 1986 é a grande caminhada para o buraco mais fundo do pa+is, com ou sem influência externa – se não houvesse ladrões e desonestos a pulular por todos os cantos a “ourivesaria” estaria cheia e nem haveria desperdícios que há onde ?? até a vida dos homens e da terra foi considerada desperdício – nada vale nada – só o que mais rouba e quem nem vai para a prisão – vai para CV e vão chorar e berrar para as TV fazer queixinhas e propor soluções – já lá vão 30 anos de aprender a roubar – no PRIVADO e no público e quanto mais incompetente mais garantido tem um lugar em Bruxelas – eu não gosto da srª Merkel que tem outra forma de roubar e explorar cada país que se deixa roubar pelo menos deslocalizando o que deslocalizou – é culpa do ladrão ou do que se deixou roubar e que % levou ??? para o permitir ??

  10. Nightwish says:

    Pois, esta coisa de serem públicas mas não serem verdadeiramente independentes só dá em dívidas escondidas e outras opções de gestão que depois causam problemas. Porque não está em causa que foram mal geridas, só na solução.
    Os neo-liberais colaboracionistas, e estranho que não tenha aparecido aqui nenhum, viriam dizer que quem usa é que paga, que depois o mercado resolve tudo. Mesmo assumindo um mercado livre com barreiras de entrada possíveis de saltas, o que não existe nestes mercados a não ser para grandes empresas estrangeiras (umas quantas estatais, ironia das hipocrisias), essa opinião assume que não existem efeitos de escala ou que toda a sociedade não beneficia de certas apostas e investimentos públicos, mesmo que não sejam beneficiários diretos.
    De resto, o que se vê quando se admite privados nestas áreas depois dá desastre, ou, pelo menos, pioria do serviço e tão pouco os impostos diminuem quando sai a despesa.

  11. J.Pinto says:

    Muitas mentiras no meio de algumas verdades. Nesses serviços, pelos menos por algum tempo, não assistiremos a uma verdadeira concorrência. Aliás, a eletricidade tem sido dos serviços que mais sobem, sabendo nós que era público. Pelo contrário, eu consigo comprar leite e arroz ao praticamente ao mesmo preço de há dez anos… Diferença? Muito simples: a distribuição alimentar está completamente liberalizada. Já repararam que a EDP, pela primeira vez, oferece descontos aos seus clientes? Atenção, só a partir de 2015 é que se espera que este setor esteja completamente liberalizado.

    Ciriosamente, ou não, os serviços protegidos e os públicos (EDP, transportes, etc) têm sido dos que mais encarecem.

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