Por JOÃO PINTO
Nunca fui dos que pensam que Portugal está na atual situação por causa da moeda única, da Europa ou dos mercados (apesar de estes exagerarem e nem sempre serem razoáveis). Apesar de pensar de Portugal tem de mudar de rumo – não podemos voltar a cometer os mesmos erros -, a europa não tem feito o seu trabalho de casa como deve ser.
Os EUA têm uma dívida pública maior do que a dívida pública da europa (e da zona euro). No entanto, os mercados não têm penalizado os norte-americanos como têm penalizado os países da zona euro – é verdade que há países da zona euro (e da europa) que, individualmente, têm um risco de incumprimento maior, sendo que os mercado têm penalizado essencialmente aqueles.
Falta na europa a unidade e a coesão que existe nos EUA. A europa tem de falar a uma só voz e tem de mostrar aos mercados que tudo fará para resolver os problemas internos.
Enquanto tal não acontecer, os mercados continuarão a olhar para os países da europa (e da zona euro) como elementos desagregados e desamparados dentro da união.
Os juros negociados com a tróica são insuportáveis pelos países que pediram assistência internacional. Os mercados sabem-no e é por isso que continuam a penalizar os países da europa. No dia em que a europa decidir baixar os juros negociados, os mercados comportar-se-ão de forma diferente (a descida dos juros negociados não resolve o problema dos países nem dos mercados, mas penaliza menos os países intervencionados e transmite aos mercados uma mensagem de coesão e de solidariedade entre os países-membros).
Considero que a tróica tem o direito (e o dever) de exigir uma mudança estrutural nos modelos económico-financeiros dos países intervencionados, mas esta mudança não pode ser feita de uma só vez. Os países necessitam de mais tempo para fazerem o ajustamento. As taxas de juro cobradas são muito elevadas e penalizam exageradamente os países intervencionados.
Os países em situação débil não têm muitas opções de escolha. Ou decidem cumprir com o que lhes é solicitado, e em troca recebem o dinheiro de que necessitam, ou abandonam a moeda única fazendo o seu próprio caminho. O facto de decidirem seguir as recomendações e as exigências internacionais não significa que não possam negociar melhores condições com as entidades credoras.








Pois a moeda deu uma grande ajuda…é que notas de 10 contos em constante desvalorização não davam para trocar de BMW ou Mercedes de 4 em 4 anos
ou 2 milhões de telemóveis todos os anos …em euros o con sumo fica mais fácil
e os juros abaixo dos 2% quando o mais baixo em escudos andava pelos 6% nos anos anteriores à adesão…também ajudaram bué
pagar casa com crédito a juro de 9 ou 15% ao ano não é pra todos
Instituir uma moeda comum a Estados com graus de desenvolvimento (e de cultura económica e financeira) tão diversos já exigiria um certo grau de loucura. Tentar manter esse estatuto sem políticas financeiras e orçamentais comuns bem definidas e sem políticas monetárias adaptáveis às conjunturas é a loucura total… Quando da entrada no Euro, muitas pessoas deslumbraram-se, de facto, mas onde estavam os dirigentes responsáveis para as prevenir?