Querem ver que FJV tem alguma razão! Precisamos, de facto, de alguns “ajustamentos pontuais” no Acordo Ortográfico e mesmo no Vocabulário, para ficarmos a par dos nossos companheiros brasileiros. Hoje, deparei na ‘Folha de São’ Paulo com o seguinte título:
Assim, de chofre, interroguei-me: o que é isto? Inadimplência? Da leitura do texto da notícia, lá percebi que equivalia à nossa frase ‘Bancos preparam-se para aumento de incumprimentos’; isto é, lá como antes cá, a banca na louca corrida de se esvair em crédito concedido, colhe, em contrapartida, a explosão de casos de incumprimento de empresas e particulares – em 2011 as provisões para cobranças duvidosas de 23 bancos de grande e médio porte subiram muito, 42,2%.
Percebi. Todavia, nas buscas efectuadas nos dicionários de casa, entre os quais o ‘Dicionário da Língua Contemporânea Portuguesa’, da Academia das Ciências de Lisboa, não detectei o vocábulo ‘inadimplência’. Valeu-me o ‘Ciberdúvidas’ e também a ‘Wikicionário’. Este, porém, ressalva que ‘inadimplência’ não é um termo correcto. O ideal seria ‘inadimplemento’ como derivado do verbo ‘inadimplir’.
Por outro lado, o ‘Wikicionário’ diz que o sinónimo da ‘inadimplência’ ou ‘inadimplemento’, no vocabulário do Brasil (Direito) é ‘descumprimento’, ou seja, o nosso ‘incumprimento’. O melhor é mesmo descomprimir-me, porque me sinto deveras inadimplido.






Entao e eu? Fiquei inadimplidíssima.
O senhor é que se tornou num autêntico inadimplicador, ao “descumprir” coma esperada explicação e explanação do tema: “Inadimplência…”.
Pelos vistos, estamos todos a ficar inadimplidíssimos. Temos de nos organizar.
Ainda vou parar à instrução primária de novo. Ah! Perdão: ao 1º ciclo, que é muito mais chique…
Essas coisas a que apelidas “dicionários” são fracos… Eu costumo ir a este “Pai dos Burros” e como podes ver está lá a palavra mistério! Isso de Ciberdúvidas e Wikitretras é fumo sem fogo… 😉
ahahahah!! isso e os comentaristas! Vão-se habituando ao brasilês…
😆
O termo inadimplemento está registado no português como termo jurídico, pelo menos, desde 1811, segundo esta fonte: «Nuno Daupiás D’Alcochete. Lettres (1812-1817) de Diogo Ratton a Antonio de Araujo de Azevedo. Comte da Barca. Fundação Calouste Gulbenkian. Centro Cultural Português. Paris, 1973.» Antecede a independência do Brasil e não é, de forma alguma, um brasileirismo.
Pedro da Silva Coelho, agradeço o esclarecimento. Todavia, sublinho que não consta de vários dicionários que consultei, entre os quais o da Academia das Ciências de Lisboa.
Não é, de todo, palavra de uso corrente, no glossário jurídico português.
Mas se existe, existe e, então, agora com mais propriedade o digo: estamos sob uma tempestade de inadimplemento.
Eu prefiro os termos “cadeirante”, para quem anda numa cadeira de rodas…ou “detento”, para “prisioneiro”…estes “brasileirismos…não me passam na garganta!