Horários zero: o desnorte do Ministério da Educação

Primeiro, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) quis obrigar as escolas a indicar, até dia 6 de Julho, quantos horários-zero iriam ter, antes de terem a certeza de quantos horários-zero iriam ter, com ameaças aos directores, obrigando-os, no fundo, a indicar horários-zero em excesso. Depois, o MEC adiou o prazo da informação para dia 13, porque assim as escolas poderiam ter mais uma semana para continuarem a não ter a certeza do número de horários-zero que iriam ter. As escolas foram, portanto, obrigadas a indicar um tipo de horário que poderia ser designado por horário-zero-eventualmente-um. Pelo meio, os professores com esses horários-zero-eventualmente-um seriam obrigados a concorrer para sair da escola, embora pudessem, a qualquer momento, ser repescados, caso as escolas viessem a confirmar que, afinal, havia horário para esses mesmos professores, que passariam de um horário-zero-eventualmente-um para um horário-efectivamente-um. Depois disto tudo, o MEC ter-se-á lembrado de pedir às escolas que indicassem o mínimo de horários-zero possível, para além de, aparentemente, permitir que sejam abertas turmas de ensino profissional que estavam, até aqui, fechadas.

Ao longo desta epopeia em que a personagem principal é a estupidez, direcções de escolas e professores têm andado ocupados com a acumulação de detritos e excrementos que o MEC vai deixando cair, desrespeitosamente, em cima de quem trabalha nas escolas e tem mais que fazer do que andar a limpar a porcaria que esta gente atira, diariamente, para a ventoinha.

Neste momento da minha vida profissional, ainda tenho um horário-um-eventualmente-zero, o que não me impede de ser solidário com colegas e amigos que são directores ou que são professores contratados ou que foram obrigados a concorrer por causa dos horários-zero-que-afinal-já-não-são. Face a esta acumulação de fezes, proponho que Nuno Crato fique com horário-zero e seja obrigado à mobilidade.

Para além disso, e finalmente, peço desculpa aos mais sensíveis, mas não resisto a comentar esta salgalhada com uma pequena dose de calão: “E se fossem brincar com o caralho?”

Comments

  1. jaquim jota says:

    E eles têm cá cada ventoinha…

  2. patriotaeliberal says:

    Nuno Crato e a sua teoria da implosão

    Pronto, já vimos que é capaz de implodir. Mas agora já chega de brincar com fósforos. Pois que apanhe as canas e vá-se embora.

  3. maria celeste ramos says:

    Nunca um governo foi capaz de desmantelar o país como este está a fazer – mesmo não estando gordo e fazendo “dieta” mas a nossa dieta é um bocadinho diferente – quando o cavalo depois de tanta dieta ficar como ele quer, se calhar deixa de existir

    • Pedro Marques says:

      Foram todos preparando para o que estes estão a fazer. Isto é apenas o resultado que os três partidos dos governos pós Governos Provisórios desejavam.

  4. maria oliveira says:

    Havia de implodir o ministério da educação e os restantes, bem como toda a escumalha que lá se encontra, a começar pelo Coelhinho que coitadinho anda a fazer dieta!..Deve ter sido a troika que o mandou….


  5. Eu nem na 1º vez que concorri fiquei em tamanho desespero!
    É que não há números concretos, grupos de recrutamento… Ninguém sabe quem são os mais afectados, quais as zonas onde há mais horários zero… nada… É que nem conheço docentes do quadro que possam partilhar essa informação comigo!

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  2. […] criando incertezas, ainda, aos alunos e aos encarregados de educação. Incerteza, de resto, é o estado natural de todos os que trabalham nas escolas, especialmente numa época em que deveriam estar a gozar umas merecidas […]

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