Postcards from Romania (11)

Elisabete Figueiredo

Looking good, mudda fucker

Na descida do monte da Citadela, perco-me, naturalmente. Doesn’t look so good. Até que encontro um rapaz a concertar uma bicicleta e lhe pergunto o caminho para o centro. Diz-me que sempre para baixo. Certo. O castelinho é outra recriação romântica. Outra Walt Disneylização. O costume. Penso nesta febre moderna (ou pós-moderna. ou o raio) de tudo patrimonializar, folclorizando tudo. Aborrecem-me estes lugares. Podia estar em qualquer sítio, na verdade.

Lembro-me que não sei dizer amor em romeno. Parece-me grave e ao jantar pergunto às miúdas do café como se diz amor. Dizem-me ‘te iubesc’ e acrescentam que é o que devo dizer ao meu boyfriend. Agradeço-lhes, mas não fico satisfeita. No hotel pergunto à rapariga da receção. Diz-me que ‘te iubesc’. Eu digo-lhe amor, amor, love, amour, amore… como se diz em romeno? Não quero dizer amo-te. Quero dizer amor. Ou melhor saber dizer amor em romeno. ‘Dragoste’ ou ‘iubire’. Multumesc. Buna seara ou noapte buna.

(Henrique Gil, este postal é para ti. Ou melhor, para o André Gil. E para ti. Pronto.)

(Brasov, 9 de Agosto de 2012)

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