Construção em crise

Capa do DiaJá tínhamos reparado: a construção está parada em Portugal. 

“Crise levou quase 900 construtoras à falência”, faz capa do Público de hoje..

Não há dinheiro para comprar casa nova “e o Estado não tem dinheiro para fazer obra. O sector da construção aprofunda a crise e em sete meses acumula a perda de 868 empresas”.

E este sector não pode apostar agora na recuperação, restauro e reabilitação de casas habitadas e outras tantas e tão bonitas pela sua antiguidade que se encontram por toda a parte? 

Foram muitos anos a pensar no «novo» e em construir de raíz a uma velocidade exagerada…

É só um reparo de uma leiga…

 

Comments


  1. Excelente reparo e subscrevo.
    Este tipo de notícias também mostra a resistência à mudança no estilo de crescimento económico, o qual no passado foi baseado em obras públicas novas, não reprodutivas e insustentável a longo prazo como se provou.


  2. Foram muitos anos a apostar na destruição do país em benefício de meia dúzia de patos-bravos.
    Foram muitos anos a engenheirar Portugal.
    Foram muitos anos a asfaltar e betonar a natureza.
    Foram muitos anos a engordar elefantes-brancos que não cabem no país.
    A recuperação será um bom caminho,pena que a maior parte das empresas não esteja,nem apetrechada,nem dimensionada para isso.

    mário

  3. Miguel says:

    Sei que são pessoas. Mas não deixo de sentir uma satisfação, sempre que ando em estradas de má qualidade embora acabadas de reparar, de imaginar cada um que ali “trabalhou” ou fez que trabalhou a ser despedido por cada buraco, ou caixa extremamente mal nivelada que piso.

    Ou também os que fogem SEMPRE à responsabilidade quando uma obra sua dá problemas 3 meses depois.

  4. Frederico Mendes Paula says:

    A “industria” da construção era o exemplo de uma actividade especulativa desenvolvida para garantir lucros imediatos aos promotores, sem que o país precisasse de habitações. Como é habitual em Portugal, era um actividade que baseava o seu lucro essencialmente na especulação, no caso concreto, na criação de mais valias pela transformação do uso do solo, ou em vendas sucessivas do imobiliário a coberto do crédito bancário fácil. Algum dia tinha que estoirar. Ficam para os municípios, leia-se contribuintes, as despesas brutais com as infra-estruturas criadas para nada. São despesas de manutenção de redes, são circuitos de recolha de resíduos, etc, etc. Mas fica sobretudo um ordenamento urbanístico anárquico e casuístico, fruto da submissão das entidades públicas aos interesses privados.

  5. Frederico Mendes Paula says:

    A reabilitação é uma prática comum na Europa há algumas décadas, onde tem um quota de quase 50% do mercado da construção. Em Portugal não chega aos 10%…ainda se vive no mito de que é mais barato construir de novo do que reabilitar. Enganam-se (ou não querem ver). De facto a reabilitação não implica urbanização, não tendo por isso custos associados à construção de infra-estruturas e equipamentos, para além das questões relacionadas com os custos indirectos, como sejam a proximidade com os equipamentos existentes e os locais de trabalho, e consequentemente a poupança no preço e tempo dos transportes.

  6. Frederico Mendes Paula says:

    A reabilitação, para além de ser uma oportunidade para a preservação e recuperação do Património e das próprias técnicas tradicionais de construção, é uma oportunidade para a revitalização das zonas históricas e para a melhoria das condições de vida da sua população, se for encarada como processo integrado. Actuando no edificado, no tecido social e nas actividades económicas. Há que ter determinação na implementação de projectos de urbanismo comercial, pondo em causa os interesses das grandes superfícies, responsáveis por muita da decadência económicas das zonas centrais e do comércio tradicional.

    • Amadeu says:

      Não posso estar mais de acordo. Há uma obsessão anti “velho”, uma saloiice cultural que leva a deitar abaixo e construir de novo. É fino. É moderno. É evoluído.
      Felizmente que em muitas cidades e vilas de Portugal o poder autárquico tem sabido opor-se a esta tendência e muitos dos nossos centros históricos são relíquias de que antigamente só no estrangeiro podíamos usufruir.

      • Frederico Mendes Paula says:

        Eu diria que é sobretudo um fenómeno cultural. Ou de falta de cultura. É o novo-riquismo no poder.

  7. André says:

    Há aqui muitas críticas infundadas ao investimento que foi feito em infraestrutura nas últimas duas décadas. Para quem critica cegamente o “betão” e o “asfalto”, relembro que a auto-estrada Lisboa-Faro foi concluída em 2002, somente há 10 anos, e que a auto-estrada Lisboa-Porto foi concluída em 1992, há 20 anos. Relembro que a ligação de comboio pela ponte 25 de Abril, que estava prevista já desde 1960, só foi concluída em 1998. Relembro que a segunda travessia do tejo, desesperadamente necessária, só foi concluída em 1998, e relembro que o tristemente célebre túnel algués-trafaria, a única infra-estrutura capaz de aliviar a saturação da ponte 25 de Abril, já é falada há decadas e nunca sai cá para fora. Quando criticam a chamada política do betão e do asfalto, vocês estão a criticar isto. Será que são obras caprichosas? É verdade que há corrupção nas obras públicas, tal como tudo no estado, mas isso não leva a que estas obras não sejam estrategicamente fundamentais para o crescimento do país. Portanto, vamos mazé lá pensar nas coisas em vez de atirar bocas sem saber o que se está a dizer.

    • Maquiavel says:

      Mais um alucinado.
      – A AE Lisboa-Faro é mais uma das que näo tem tráfego suficiente (10.000 carros/dia) que justifique a sua construçäo. Bastava fazer uma estrada decente.
      58% dos quilómetros de AE em Portugal já estavam vazios antes da cryse.
      – Depois de fazerem a AE Lisboa-Porto já fizeram outra paralela, e a 3.a paralela já está meia feita.
      – A 2.a travessia sobre o Tejo näo tem comboio, que seria a melhor forma de reduzir as saturaçöes de tráfego, como provado pela reduçäo desse após finalmente meterem o comboio na 25 de Abril.
      – Os estádios novos pagos pelo Estado, e que estäo vazios
      – O Alqueva, que afinal é uma lago para enfeitar campos de golfe
      Nada como cegos para que nos lembremos dos desperdícios de dinheiros públicos e destruiçäo do património natural, a bem de… NADA!

      • Frederico Mendes Paula says:

        Concordo inteiramente. Domina neste país a falta de estratégia, as realizações casuísticas ao sabor dos europeus de futebol, as ilusões de que uma estrada vai desenvolver uma região, a adaptação dos calendários do desenvolvimento aos ciclos eleitorais. Hoje temos de facto uma rede de auto-estradas que faz inveja aos europeus mais ricos…só que os portugueses, empresas e cidadãos não beneficiam delas porque são taxadas a preços incomportáveis.

        • Maquiavel says:

          Faz inveja aos países mais ricos? Onde?
          Se fizesse muita inveja eles fariam igual ou melhor, que têm €€€ para isso (e muito mais).
          Por incrível que pareça, a rede portuguesa de auto-estradas é vista pelos países ricos como um exemplo paradigmático do despesismo e da falta de visäo estratégica: já no projecto se prevê que o tráfego näo as justifica, têm custos enormes (exemplo: túneis) impossíveis de rentabilizar (e por isso as portagens têm de ser altíssimas) por isso, o traçado anda às curvas mesmo nas planícies, …
          Desenganem-se: a rede portuguesa de AEs só impressiona os outros países pobres e novos-ricos…

          • Frederico Mendes Paula says:

            Pensei que fosse claro que a minha referência às nossas auto-estradas era um sarcasmo. Como não foi entendido assim, aqui fica a nota.

  8. Maquiavel says:

    Muito falam da Finlândia. Pois na Finländia há pouquíssimas auto-estradas ou vias rápidas (i.e 2 faixas por sentido com separador central). Helsínquia-Turku, Helsínquia-Tampere, Helsínquia-Lahti, e pouco mais. Só mesmo a ligar as cidades mais importantes à capital. Mas o que se faz regularmente nas estradas normais é arrancar o piso e meter piso novo. E regularmente pode ser na área da capital *uma vez por ano*. Algo como “a estrada näo precisa de ter buracos, faz-se porque passam lá muitos carros e assim evitam-se acidentes”. I.e., só fazem AEs se for realmente necessário, o que fazem é reparar o que já têm.

    Isto vai no sentido do que o Frederico refere ao falar da reabilitaçäo.


  9. A Conservação e Reabilitação do Património construído necessitará de empresas credenciadas e mão de obra habilitada com o ‘saber-fazer’ tradicional. Por outro lado é indispensável repensar os critérios das intervenções, de modo a abandonar-se o fachadismo de que tem resultado exemplos de edifícios completamente arrasados no seu interior perdendo-se valiosos elementos que contribuíam para a identidade do edifício. .

    • Frederico Mendes Paula says:

      É verdade. De facto o ensino da arquitectura e da engenharia até agora só preparava técnicos para demolir e construir de raíz. O fachadismo não é reabilitação. É maquilhagem das novas construções. Mas convém também não esquecer que a reabilitação é um processo integrado que envolve sobretudo pessoas e a sua forma de viver _ habitação, trabalho, lazer, cultura. Sem habitantes não há cidade.


      • Tem havido em alguns casos o cuidado de dotar o edifício intervencionado de boas condições de habitabilidade sem o ‘bota abaixo’ do prexistente. Só que esta metodologia não tem sido seguida pois o que tem presidido às intervenções em edifícios antigos é a máxima rentabilização implicando alterações estruturais nos interiores.

        • Frederico Mendes Paula says:

          É uma questão pertinente. De facto as preocupações com a rentabilidade máxima têm destruido muito patrimonio. Uma intervenção correcta é aquela que se baseia num diagnóstico sério e actua para resolver os problemas detectados. Para quê destruir uma estrutura sã e subsitui-la por outra? Esta situação acontece também nos detalhes, não por uma questão de rentabilidade, mas por ignorância. Por exemplo, fazem-se picagens de rebocos sãos para os substituir por outros que, regra geral não se comparam aos pré-existentes em termos de qualidade.


  10. Vivo num Parque Natural e num barraco reconstruído,quase à época,respeitando materiais e traça.
    Até dói o que por aqui se vê,construções em reserva agrícola e,ou,reserva ecológica,domínio hídrico e,até,domínio público.
    Barracões novos pintados à cor do clubismo.
    Asfalto onde faziam falta percursos pedestres.
    Mamarrachos de betão,esventrando tudo,para conveniência do senhor feudal e seu construtor.
    Asfalto?Temos o melhor exemplo na subida para a Guarda,N16,refeita há menos de um ano,antiga IP5,duplicando o percurso e às moscas e agora a A25,todas com pouquíssmo trânsito e tendente a diminuir.
    Mas lá que encheram os bolsos a uns quantos amigalhaços,lá isso encheram.
    mário

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