«A elite portuguesa adora conversa da treta»

Paulo Baldaia, que dá a sua opinião regularmente no DN, ontem veio com uma treta que eu não gostei:  “Nos blogues, nas redes sociais e até no Congresso das Alternativas o desespero da senhora foi goleado pelos trocadilhos à volta da bandeira. A elite portuguesa adora conversas da treta.”

Ora é natural que, uma vez que escrevo num blogue, me sinta pelo menos indirectamente atingida  pelo comentário. Primeiro: porque quando escrevi sobre o grito de Luisa Trindade não quis, de maneira nenhuma, fazer conversa da treta. Este episódio triste das cerimónias tristes e vergonhosas do 5 de Outubro impressionou-me, mexeu comigo, «experimentei» os sapatos de Luísa Trindade… Segundo: não quero nem pensar ser da «elite» portuguesa». Quem sou eu?

Mais à frente escreve: “Imagino que a facilidade com que em Portugal se faz tanta conversa da treta tenha a ver com o facto de haver muitos comentadores que gostavam de ser políticos e muitos políticos que sonham ser comentadores.”

Baldaia está confuso. Primeiro fala que a elite portuguesa adora conversas da treta. Depois afirma que em Portugal se faz tanta conversa da treta. Mas afinal o que é uma elite? Ou está a chamar elite a todos os que em Portugal fazem conversa da treta?

Baldaia até tem razão: a elite portuguesa adora conversas da treta. Mas nós não somos essa elite.

Talvez Baldaia seja um desses comentadores que sonha vir a ser político…

Talvez aqui no Aventar se faça política no que de melhor tem a palavra política feita pelos cidadãos…

Adiante opina: “E, enquanto o tempo passa, o desespero sentido no protesto daquela senhora da República ganha forma na vida de largos milhares de portugueses.”

Pois sr. Baldaia, milhares de portugueses identificam-se totalmente com Luisa Trindade. Fomos nós que ganhamos forma no protesto «daquela senhora».

“De outra forma, continuaremos a dizer mal dos outros com o único objectivo de parecermos nós próprios menos maus”. O que quer dizer com isto? Não acha que este governo está a portar-se muito mal? É em vão que exercemos o nosso direito a ter opinião?

Porque se dedica então você a opinar publicamente? Você não faz conversa da treta porque não é da «elite portuguesa»…

Comments

  1. Amadeu says:

    Não tenho a menor dúvida.
    Baldaia é mesmo um desses comentadores que se desunha para ser elite e, quem sabe, político. Talvez ocupar o lugar de Relvas ? Escritor de discursos de algum ministro ? Assessor de imagem ?
    Sonha que Passos Coelho o lê regularmente e na fase da polução noturna é convidado para um lugarzinho. Como aconteceu aos comentadores que iam aos programas do Mário Crespo.
    IGNORÁ-LO é o melhor que se faz.

  2. Eu mesma says:

    A elite, neste País, seja de esquerda ou de direita, por norma não tem feito grande coisa…


  3. Baldaia é um amigalhaço só-cretino. ‘Nuff said.

  4. Maria Silva says:

    Uma coisa é saber que existem muitas Luisas, outra coisa é assistir ao acto de coragem da Luísa, ali, um acto isolado e que dificilmente não seria notícia. Incomoda não é? Pois. A reacção de Paulo Baldaia mostra-o bem.


  5. Já que ele acha justo, espero que fique com a tributação equivalente ao último escalão de IRS que por aí vem…
    Só lhe estou a desejar bem, bem vistas as coisas!
    E já agora que se colocam limites a tudo… Porque não criar o “Rendimento Bruto Máximo Nacional”? O “Salário Máximo Nacional” já existiu mas era/é muito propenso a “aldrabices”… Não sei porque raio só deve existir o Mínimo!

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