Brincar na rua

Brincar na rua é importante para lidar com o risco” afirma Rui Matos, coordenador do Centro de Investigação em Motricidade Humana do I. Politécnico de Leiria. Disse ainda: “o que vemos atualmente em muitas brincadeiras, é as crianças, mais do que a brincar com os brinquedos, a ver os brinquedos brincar, ou seja, temos muitos brinquedos eletrónicos que brincam por si só, movem-se e deslocam-se, em vez de ser alguém a empurrá-los ou a interagir mais diretamente com eles”,”Parece-me que as crianças são mais passivas, menos ativas, e isso tem consequências, e já se está a notar aos mais variados níveis, como a obesidade infantil”, acrescentou.

Mais um estudo que não acrescenta nada de novo e as soluções apresentadas são óbvias, embora muitos pais não as ponham em prática…

8 comentários em “Brincar na rua”

  1. Não acrescenta nada de noivo, é certo mas realça não só o tipo de brincadeira das crianças mas uma outra coisa que anda infelizmente, demasiado esquecida nos tempos que correm BRINCAR É PARTE ESSENCIAL DO CRESCIMENTOI DA CRIANÇA.

  2. E, ainda, uma outra coisa que é capaz de não ser menos importante brincar é parte essencial para a manutenção da saúde mental do comum das pessoas.

  3. É muito interessante este tema. Há uns anos escrevi num fórum em jeito de ironia que deixei de ver crianças com membros engessados. Eu cresci e vivo numa aldeia que segundo os censos vai mantendo mais ou menos a mesma população. Quando era criança, andava o dia todo na rua a brincar, fazíamos umas balizas de calhaus e jogávamos à bola, mas tínhamos um cem número de outras brincadeiras mais ou menos criativas e improvisadas. Hoje em dia sou adulto, continuo a andar de bicicleta como em criança, percorro toda a aldeia e não vejo UMA ÚNICA criança na rua. Podem neste momento estar a pensar “mas agora há outros perigos na rua”. Não, não há, esta aldeia é a mesma aldeia pacata de há trinta anos, e há-de continuar a ser a mesma coisa daqui por outros trinta. O que há é outras formas de viver a infância e a adolescência. Onde estão então todas as crianças da minha aldeia? Metidas em casa, a exercitar os polegares em frente a uma consola de jogos ou a exercitar os indicadores à frente de um computador, ou a serem educadas por educadores de infância dos nossos dias: a televisão que também já existia como e óbvio no meu tempo.
    Consta também, que agora – ao contrário do meu tempo ainda recente – que as crianças aqui da aldeia têm agora também doenças típicas das crianças urbano-depressivas das cidades: as alergias! Alérgicas aos ácaros, aos polens, aos animais, e um cem números de outras coisas da natureza, típico de quem cria resistência à natureza por não conviver com ela. Quem me lembre, na minha infância não conheci uma única criança alérgica, talvez porque corríamos no campo às caçadinhas, andávamos descalços e rebolávamos na terra se fosse preciso.
    Depois temos outra problema. No meu tempo, e ainda foi há pouco tempo, as crianças podiam brincar livremente até aos seis anos de idade, não tínhamos horários, tínhamos ao menos seis anos para brincar. Hoje em dia não, pouco depois do primeiro ano de idade, vão para as creches, têm horários. Depois são as atividades que os papás metem as crias: é o karaté, a música, o inglês, o ballet e o diabo a quatro, a criança só tem horários e tarefas para cumprir e começa muito cedo a pagar o preço da sociedade estéril de consumo em que vivemos, começa a saber o que custa esta vida acelerada e stressante dos nossos dias, e não tem tempo para brincar. E as crianças vivem desde muito novas cansadas de fazer tanta coisa, e não fazem o mais importante que devem fazer nessas idades: brincar e conhecer o mundo que as rodeia.

    1. Apesar de tudo, muito limitadamente. Näo há nada como “sujar as mäos, meu caro, e a petizada tem mais do que tempo para pegar em dispositivos electrónicos.
      A expressäo “a ver os brinquedos brincar” é excelente, eu vi agora em viagem um miúdo da mesma idade da minha filha a “brincar” com um iPad… em 2 minutos ele correu os jogos todos, alguns até interessantes com puzzles e coisas do género, mas o certo é que ele só mexia dois dedos (os polegares), e cansava-se de cada um ao fim de 10-20 segundos–sim, näo acabou nenhum dos jogos, longe disso. 20 segundos, era essa a sua “janela de concentraçäo”.
      A minha filha, na mesma viagem, tinha como “dispositivos” um livro de palavras para colorir, quando näo apenas uma folha de papel em branco para desenhar. E os olhos, para ver a paisagem e depois encher o papel, para a avó saber por onde ela andou.

  4. COPIO Konigvvs e depois acrescento)-Hoje em dia sou adulto, continuo a andar de bicicleta como em criança, percorro toda a aldeia e não vejo UMA ÚNICA criança na rua. Podem neste momento estar a pensar “mas agora há outros perigos na rua”. Não, não há, esta aldeia é a mesma aldeia pacata de há trinta anos, e há-de continuar a ser a mesma coisa daqui por outros trinta. O que há é outras formas de viver a infância e a adolescência. Onde estão então todas as crianças da minha aldeia? Metidas em casa, a exercitar os polegares em frente a uma consola de jogos ou a exercitar os indicadores à frente de um computador, ou a serem educadas por educadores de infância dos nossos dias: a televisão que também já existia como e óbvio no meu tempo.
    Consta também, que agora – ao contrário do meu tempo ainda recente – que as crianças aqui da aldeia têm agora também doenças típicas das crianças urbano-depressivas das cidades: as alergias! Alérgicas aos ácaros, aos polens, aos animais, e um cem números de outras coisas da natureza, típico de quem cria resistência à natureza por não conviver com ela. Quem me lembre, na minha infância não conheci uma única criança alérgica, talvez porque corríamos no campo às caçadinhas, andávamos descalços e rebolávamos na terra se fosse preciso.
    Depois temos outra problema. No meu tempo, e ainda foi há pouco tempo, as crianças podiam brincar livremente até aos seis anos de idade, não tínhamos horários, tínhamos ao menos seis anos para brincar. Hoje em dia não, pouco depois do primeiro ano de idade, vão para as creches, têm horários. Depois são as atividades que os papás metem as crias: é o karaté, a música, o inglês, o ballet e o diabo a quatro, a criança só tem horários e tarefas para cumprir e começa muito cedo a pagar o preço da sociedade estéril de consumo em que vivemos, começa a saber o que custa esta vida acelerada e stressante dos nossos dias, e não tem tempo para brincar. E as crianças vivem desde muito novas cansadas de fazer tanta coisa, e não fazem o mais importante que devem fazer nessas idades: brincar e conhecer o mundo que as rodeia.CRESCENTO- quando tinha idade de bricar nem sequer havia muitos brinquedos nem para mim menina (a boneca de papelão) nem para meu irmão (soldadinhos de chumboe tanques de guerra) – não havia também a “inteligência dos “legos” – claro que comecei a escola aos 7 anos – e brincava com meu irmão com os brinquedos que inventávamos e não era pouco pois a craitividade da criança não tem limites – mais tarde brinquei de acordo com a idade – andar de biciclete e cair e esfolar joelhos, brincar ao mata (ringue) saltar à corda só ou em grupo eu sei lá – brincar é brincar – ao mesmo tempo tínhamos Canto Coral e dança – Já profissional tive de fazer projectos para espaços infantis e lá encontrei 2 livros de meninos da europa rica que bincavam a fazer “bairros de lata” o que me incomodou e muito e claro que inventei outras coisas para a sociedade em que vivia – até brincava com caricas – com berlindes e com tampas de caixas de fósforos + andar de baloiço só com uma corta e tábua pendurada numa árvore – depois a indústria e comércio apoderaram-se das bincadeiras das crianças e construiram a anormalidade dos brinquedos todos iguais constuídos industrialmente e as crianças brincam todos da mesma maneira com e nos brinquedos feitos pelos adultos – incluindo os “combóios” e quem não oferece isto à sua criança “não é bom, pai de família” – tenha ou não tudo evoluído e haja ou não “roubo de crianças” sabe-se lá onde e porquê – há uma padronização do brinquedo e forma de brincar não vá a criança ter de ir ao psicólogo porque não tem os brinquedos dos colegas da escola – e também a escola não dá espaço nem que seja nas cadeiras de desenho e construção de trabalhos manuais, de inventaram as suas formas pessoais de verem as suas brincadeiras
    E se não há nada mais sério do que ver uma criança a brincar sem a liberdade de escolha e invenção como sabe quem como quererá uma criança brincar ?? Até o meu sobrinho que tinha brinquedos industriaos em excesso, brincava com as porcarias que eu ROUBAVA nos aviões de copos de plástico e não sei que mais com que ele fazia combõios ou com seixos da praia que eu pintava dando-lhe formas de vários animais (o que adorava e ainda guarda e já é também pai) – Bricar é para mim a forma mais importante da crainça crescer e estar sozinho consigo e de reinventar o brinquedo e o brincar, independemete de joje ir para a escola mais cêdo e ver os brinquedos dos outros e querer-los – mas tudo está standardizado e se calhar é por isso que a minha casa não tem nada de nada que as casas das pessoas da minha idade e classe socio-cultural têm pois não tenho uma casa standard como tantas outras porque continuo “a brincar” e a misturar – e quem entra nem fala – olha e sente primeiro o ambiente e até dizem coisas que eu nem perceberia que se podia ver e sentir e fico contente – se calhar é por isso que nem o meu gatinho faz as asneiras de que toda a gente se queixa pois adora a casa e descobir várias formas de a usar nem que seja subir pleas prateleiras das estantes sem nada estragar ou partir nem arranhar os cortinados – e também naturalmente sabe ponde não pode ir mesmo que por vezes nem seja gatinho e dê vos como se fosse pássaro maluco – pois andei pendurada em árvores e no baloiço, andei a chapinhar na água e lama que era o despero de nossa mãe mas hoje nem se pode chapinhar no betuminoso mas pode-se morrer afogado num laguinho de jardim de apenas 20 cm de altura de água – porque a criança afinal não aprende o perigo nem o mêdo que entendo serem do mais importante enquanto se é criança – por mais diferente que tudo seja como permitir-lhe agarrar num martelo e prego e pregar numa madeira e dar uma martelada num dedo (de que tenho linda fotografia num livro de espaços infantis) – além de que a criança tem também de inventar brincar sozinho e experimentar e conhecer-se – aliás até aos 4 anos a criança “gasta” 60% das suas capacidades – restam-lhe apenas 40% para o resto da vida e bem depende do que fez anteriormente – nunca ninguém viu uma criança sem brinquedos e brincar num monte de areia de obras e tijolos ?? e riem como se estivessem no melhor dos lugares – claro que inventam brinadeiras estúpidas e lembro como morreu aos 6 anos o filho de Rommy Schneider que não aguentou e sucidou-se depois da morte de su filho único que ao saltar o gradeamento do jardim de cada emperrou a roupa e lá ficou com os intestinos furados – como se pode brincar a prender o máximo incluindo o mêdo (prudência) e o perigo (consciência) – não sei – sei apenas como brinquei e o que aprrendi a brincar a a rir só e com os outros a minha idade e não tinha senão o que cnsruia e um lino jogo de cubos para construir 6 imagens diferentes – que guardo claro

    Brincar ?? em espaço gradeado de preferência porque hoje a bola vai para a rua e o carro aparece inesperadamente – com segurança e de forma a que os pais/avós os vejam e possam proteger porque o inesperado acontece – também tenho uma foto linda de menina de 6 anos que no areal de praia fez um buraco da sua altura e meteu-se lá dentro para brincar às “escondidas”
    SIC- uma deputada só agora diz que se importa 7 milhões de alimentos quando se podia produzir 78% do necess+ario – Tem Prémio Gazeta 2011 – da TV SIC- Miriam e Amélia Rodrigo prémio ex-aequo – mas só agora descobrem ?? quando a CEE levou as nossas quotas de agricultura e pescas pelo menos desde 1986 ?’ Andam a ACORDAR tarde demais coitadas – Teresa Canto Noronha jornalista faz arte e faz expo – BOA – ate que enfim que quem tem coisas diferentes se mostra – fora do standard e já tem 25 anos de TV

  5. Caros amigos,

    é com grande prazer que vejo que a entrevista que concedi à Lusa, a seu pedido (entrevista, não estudo :)), fez despertar em muitos de vós/nós o memorial de tempos idos em que as coisas eram bem diferentes.
    Há 20 anos que me preocupo com estes assuntos e estou certo que, com a vossa ajuda, muito mais gente “perderá ” algum tempo a refletir sobre isto.
    Se fosse assim tão óbvio, já não era preciso falar sobre isto…

    Grande abraço,
    Rui Matos
    Doutorado em Motricidade Humana
    Coordenador do CIMH e subdiretor da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do IPLeiria

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