Coerência laranja em Gaia, please

Escrevi há uns dias que

“em todos os nossos dirigentes partidários existe algo de patológico na medida em que está sempre tudo bem quando a origem do mal é a sua casa partidária, acontecendo precisamente o contrário quando a maternidade da coisa é no jardim do vizinho”

O que se tem vivido em torno de Vila Nova de Gaia por causa das eleições autárquicas é disso um exemplo fantástico.

Para os boys há dois tipos de dívida: a boa e a má.

Se é do PS, é má! Se é do PSD, é boa!

Cá por Gaia, pelo menos neste aspecto, estamos quase a apanhar Lisboa. Mas seria bom que se entendessem com uma das versões: tratar mal as contas públicas é gerir bem ou é gerir mal? Aumentar a dívida em Gaia é uma boa opção, mas no país nem por isso? O que seria do país se todas as autarquias tivessem seguido o caminho de Gaia? Quantas Troikas seriam necessárias?

Decidam-se: ou é uma boa opção afundar as finanças para avançar ou não! E os vídeos da propaganda poderiam responder a isto.

As eleições são daqui a um ano e o que vai acontecer no Porto interessa-me pouco, mas não queria, enquanto habitante de Gaia, deixar passar em branco algumas das coisas que a propaganda vai deixando por aí – até porque o senhor que foi atrás do tacho, mas que quer voltar, está quase aí a aparecer.

E não! Não estou a pensar no que se passou com Fernando Gomes e com Elisa Ferreira há uns anos.

Há coisas bem feitas? Claro que sim. Mas não são o Centro de Estágio ou obras desse tipo. São os livros escolares, o saneamento, o parque biológico, a marginal de mar, a grande rede viária para “turista” circular, isto só para citar algumas das boas obras da autarquia.

Vejamos o outro lado da moeda:

Vila Nova de Gaia é um dos concelhos do país com maior taxa de desemprego.

Os dados do IEFP não mentem: em Outubro de 2008 estavam desempregados no concelho 19554 pessoas. No mesmo mês de 2012 (só passaram 4 anos!) estão desempregados 33628. Esta diferença corresponde a mais de 72%.

Vila Nova de Gaia é de facto exemplar no que a opções políticas diz respeito – só que não se pode quer, ao mesmo tempo, 1 e -1! Decidam-se apoiantes.

Comments

  1. luis says:

    Boa analíse, só não concordo muito na questão de gerar dívida ser bom. Como o João Paulo diz e bem, obras como o centro de estágio são um total desperdício de dinheiro e essa dívida é má. Além disso, o populista Menezes, constroí ou requalifica campos da bola por todas as freguesias, isto é má dívida também. Há obra necessária que Menezes executou e há que reconhecer isso (como o João Paulo faz), mas a dívida atingida é duma irresponsabilidade brutal.

Trackbacks


  1. […] um mundo tão grande que permite muitos outros perfis, mas será que podemos continuar a ter políticas como as de Luís Filipe Menezes onde  a despesa se  disfarça de investimento? Podemos (80%), enquanto povo, votar no Memorando […]

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