O devir histórico (4)

Continuando.

A lógica da política palaciana, do clientelismo, tomou conta dos partidos políticos desde os primeiros passos do parlamentarismo, enraizando-se com a República, e bolorizando com o Estado Novo. E, infelizmente, a Revolução de Abril nada fez nesta matéria. Aliás, o clientelismo e as lógicas de interesses absolutamente estranhos ao interesse nacional, adquiriram elevados graus de sofisticação em plena democracia. Ao ponto de termos uma classe política cada vez mais descredibilizada. Não sendo estranho, por isso, que as manifestações populares de descontentamento agreguem mais gente não quando são convocadas pelos partidos políticos ou por centrais sindicais, mas sim pelas redes sociais. Por entre radicalizados discursos do “não pagamos” e “que se lixe a troika” e outros tantos que, alucinadamente, fazem da austeridade a solução e o ponto de partida para o crescimento económico, vai-se percebendo que a verdade estará algures no meio onde ainda nenhum partido foi nem será capaz de chegar. E não irá chegar porque há muito que a luta partidária, perdeu o interesse nacional como sua referência. Seja por dogmatismo ideológico ou por capitulação a interesses privados. A verbalização do combate político entre partidos, soa cada vez mais estranha aos ouvidos do povo, porque se reconduzem, sempre e tanto, à lógica da conquista do poder. O que nos deixa apenas a cidadania como solução. E para isso as instituições de representação política têm de se abrir ao cidadão, e libertarem-se do monopólio partidário. Da mesma forma que se deverá assegurar que quem lá está, prossegue o interesse público e não qualquer outro. Desde logo é tempo de alterar o regime electivo e funcional do Parlamento, permitindo candidaturas independentes, e obrigando à absoluta exclusividade dos deputados, não se podendo estar com um pé a defender o interesse público, e outro pé a defender interesses privados em actividades paralelas. Acabar com assessorias, motoristas e demais mordomias. Aproximar os representantes políticos, das condições reais em que os representados vivem. É urgente acabar com o monopólio dos partidos políticos. É urgente abrir a política à cidadania, a candidaturas independentes. Talvez a “ concorrência” sirva para trazer os partidos de volta ao povo. Ao fim de tanto tempo, já vai sendo hora.

Comments

  1. António M. C. Carvalho says:

    Não posso estar mais de acordo com os seus “escritos” (não gosto de “posts”…).Aguardo o “Devir histórico” em quem nos sugira o “como” operar a mudança, porque é esse, quanto a mim, o maior problema…

  2. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Pois é de facto altura de alguém se atrever a proporcionar diálogo de soluções e radicais mudanças em que poderei coleborar e acertarmos ideias comuns para bebefício dos lesados – p pa+is e certos grupos socioculturais e conómicos pois há os que LESAm (e são muitos e até demais e precisam de ser apeados do poleiro)-20H-RTP1 – proposta de corete de despesas públca – s´p não dizem a quem porque a mim já chega – são muito sacanas tãos informações e bocas – vamos ter um Natal pobre mas não deixará de haver NATAL – nunca – não ser pque CUelho também proiba mas mesmo assim faremos
    Negócios de fachada nos 2 submarinos – Parece que Hora e Costa 8 anos depois abra a boca – era consultor da Espírito Santo e afastou-se – 34 milhões de euros levaram 7 a tribunal – Nuno Godinho de Matos diz que se não há crime porquê gastar $$ em tribunal – Carlos Horta e Costa embrilhado na venda 2 vezes dos Correios – vendeu ao Espírito Santo coitado que era degradado e etc – 11 arguidos semcontrato promessa nm – pena os advogados também servirem para defender CRIMINOSOS – sãouns santinhos – orçamento 2013 corte na despesa púbica (mas não diz a quem – declaração de voto de 18 CDS que se estendeu a todo os 108 PSD – a Ar é mesmo casa de PUTAS

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  1. […] Continuando. […]

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