A Entrevista

Era preciso fundamentar melhor por que teremos de sofrer tanto e onde está a excessiva generosidade dos nossos magros subsídios de desemprego e magras pensões.

Passos está obcecado com o Ajustamento. Obcecado com o Défice. Obcecado! Não há País para além da sua missão divina com os números, com as metas, com os cortes. Compreendo a margem nula em que se movimenta e que naturalmente o obsessiona quanto à eficácia das suas medidas, mas se ele vê a sua missão histórica como histórica, vai demasiado só e demasiado movido a matemática para fazer sentido a gente sob um depauperamento e, logo, um cansaço moral difícil de descrever. Boa parte da economia move-se psicofuel. E esse está a faltar. Mesmo um incompreendido e um iluminado, conta em que Passos talvez se tenha, precisa das pessoas, de conquistá-las e, sobretudo, de as merecer. Serve-nos de pouco que a carreira internacional de Gaspar e o seu prestígio fora de portas sejam cada vez mais extraordinários e Passos seja olhado como um decisor implacável. Estava escrito em algum lado que teríamos de morrer da cura?

Ontem, na entrevista à TVI, ficou evidente que há um imenso trabalho de casa por fazer: aquele que envolve gente, que sente e ouve gente e ousa, por alguns momentos, esquecer os números. Talvez ainda se vá a tempo de mudar atitudes e tiques de feitor.

Comments

  1. Amadeu says:

    Margem nula ?
    Decisor implacável ?
    Missão histórica ?
    Prestígio fora de portas ?
    Grande filme do Schwarzenegger, do argumentista Palavroso, agora no Aventar.

  2. João Paz says:

    Vai-se a tempo se derrubarmos este desgoverno antes que ele destrua o que resta, isso sim é a nossa ÚNICA HIPÓTESE.
    Se quisermos voltar a viver, naturalmente.

    • palavrossavrvs says:

      Derrubar, derrubar, derrubar. E depois? Explique-me o que fará depois de remover o Cassola Relvas, Gaspar e Passos: vamos ter o Paraíso? Vamos imprimir euros nas garagens e mandar vir os nossos emigrados para os empregos que nascerão por cá como cogumelos?

      • João Paz says:

        Certamente não iremos ter o paraíso palavrossavrvs. Aliás para COMEÇAR a melhorar temos de EXIGIR saber o que devemos e a quem como fizeram outros antes de nós ( p, ex, Equador) e tal como esse e outros países fizeram suspender o pagamento da dívida até termos esses dados de forma objectiva.
        Mas sempre lhe direi que o derrube do governo é CONDIÇÃO INDISPENSÁVEL para que isso aconteça.

      • Maquiavel says:

        Se se derrubar o actual desGoverno näo teremos com certeza o Paraíso, mas deixaremos de ter com certeza este Inferno!

        • palavrossavrvs says:

          A mim parece-me que mudaremos de inferno, segundo a Lei de Murphy, lei que tem regido dramaticamente a Grécia.

          Falta-nos só um grãozinho de impaciência governoclasta para lhe assemelharmos.

  3. Pois says:

    Cada novo post que escreve é mais vergonhoso do que o anterior. Se gosta tanto do Gaspar e do Passos, e se continua desempregado, vá já à SS dar baixa do seu subsídio e contribua activa e patrioticamente para a redução da despesa em prestações sociais, como considera inevitável (apesar de recomendar umas conversetas). Vá! Já! É que não quero, com os meus impostos, contribuir para que ande a parasitar-me, e depois goze o seu tempo livre a escrever textozecos que não contribuem para “a sustentabilidade do sistema”. Tenha vergonha. Sobretudo: pense. Abra os olhos!

    • palavrossavrvs says:

      Você, Pois, não leu o post, pois não? Veio marrar às cegas ao cheiro a cor vermelha do meu cartaz, não foi?!

      Você, Pois, preferiu atacar-me, brutal e brutóide. Ponto. Está comigo atravessado e veio aliviar-se, coitado. Em vez de ler o que escrevi! Fiz um desvio crítico e contestei o fanatismo, os excessos passos-coelheanos à pala do Ajustamento, mas para si ainda assim apoio-o e estou de acordo com tudo?

      Valha-me deus!

      Tenho a felicidade de ter uma enorme paciência para com os Pois que venham para aqui vazar pontualmente as respectivas cólicas na próstata. Não me acho merecedor de tanta atenção, ser lido com asco, com ódio, o que me lisonjeia.

      O Pois não lê. Preconceitualiza leituras. No entanto, digna-se comentar o que despreza, relevando à máxima importância o que despreza. Por que motivo terei de ter mais vergonha por exercitar o meu pensamento e a minha liberdade que o Exmo. Reverendíssimo Pois de exercitar a sua liberdade para gastar bytes a rebaixar-me? Qual dos dois parasita a paciência de quem? Eu que trabalhei dezassete anos serei porventura parasita de mim mesmo sem saber?!

      Tenho o dever de lhe aturar os comentários ao lado e o prazer de levar com pontapés e galhetas, não fosse directamente culpado pelo naufrágio da Nação. Mas você, Pois-Coiso, por que perde tempo comigo?

      Você é livre de ler merda ou não ler. Não tenho culpa se a minha lhe é irresistível, chame-lhe o que quiser.

      • Pois says:

        Não mereço, de facto, tantas linhas, nem tanta irritação. Engana-se: leio-o. E com atenção. Julgo é que não faz muito sentido o autor mostrar-se tão indignado com um simples leitos/”comentador”, e que ainda menos faz ser objecto de tanta agressividade.
        Ademais, não compreendeu o sentido e as nuances de tom do meu apressado comentário (e olhe que este não é menos apressado e, por isso, em certa medida, descuidado). Não sou o único, entre aqueles que comentaram este post e leram e comentaram anteriores, a fazer a mesma avaliação do seu pensamento político nestes termos: PS, o culpado disto tudo; Passos e Gaspar, gente que está a falhar, mas que não revela a monstruosidade dos antecessores, gente que podia explicar melhor, que merece mais um voto de confiança, etc.
        Não duvido de que o senhor – o colega, porque também sou professor -, esteja bem intencionado. Nem desvalorizo as suas qualidades literárias, que são, aliás, as únicas que me levam a continuar a segui-lo. O que lastimo, o que acho vergonhoso, é que não abra os olhos, como digo no comentário. É que seja bondoso com quem só nos despreza e o despreza a si também. Que não reconheça o óbvio: que a gentalha deste governo não é movida por boas intenções, que são a encarnação do cinismo ideológico mais infrene, que ostentam o mais despudorado e ofensivo desprezo por aqueles que são vítimas e se tornarão vítimas das suas decisões criminosas.

        • palavrossavrvs says:

          Meu Amigo, é hábito meu dar o máximo de atenção aos meus leitores, sempre que possível. Muitas vezes entramos de pés juntos e saímos amigos.

          Reconheço que tem toda a razão neste seu comentário, um comentário que aliás só enriquece a linha argumentativa do meu post, pois vai no mesmo sentido.

          Repare ainda, caríssimo Pois, que se é verdade que tenho sido bastante fanático e unilateral na minha crítica e na minha análise, não se pode deixar de assacar ao mais recente PS grande parte o ónus da nossa realidade presente. Concedo que, por vezes, tenho ido longe de mais, repisado de mais, ao não inscrever nesse trajecto o PSD e especialmente este PSD subvertido, desapiedado.

          O enorme e imperdoável processo instantâneo de trair o eleitorado e reformar com cutelo o nosso dispositivo Social, que não é o problema do Regime, parece uma declaração de guerra ao português que fique por cá, que insista lutar cá dentro pelos restos de esperança de ser Português em Portugal.

          Conceda-me o tempo e a oportunidade de proceder a um auto-revisionismo, coisa que não sucede do pé para a mão.

          Com amizade,

          joaquim c.

  4. André Medeiros says:

    É claro que este governo está obcecado com o défice, mas também o estão todos os portugueses que contribuem para o estado com os impostos. Estão todos obcecados, quer estejam conscientes disso ou não.

    Como reflexo desse facto temos o crescente descontentamento face ao aumento insuportável de impostos, com uma carga fiscal esmagadora sobre tudo e todos, e os crescentes apelos a que a despesa do estado seja efectivamente cortada. Os portugueses não querem pagar mais impostos e exigem que o governo corte nas despesas do estado, sobretudo em mordomias e paninhos quentes. Os portugueses não querem empresas públicas sistematicamente a dar prejuízo. E os portugueses não querem serviços públicos com custos cada vez mais imputados ao utilizador.

    De igual modo, os portugueses não suportam o crescente aumento da dívida pública nacional, nem os encargos insuportávels que o estado tem com os custos desses empréstimos.

    A população não quer tapar défices com aumento da dívida pública, a população não quer corrigir défices com aumento de impostos, e a população exige que os défices sejam corrigidos por cortes na despesa pública. Ou seja, não suporta o défice. Tem raiva ao défice. Não gosta do défice. Não quer ser forçada a pagar o défice. Acima de tudo, não quer ser forçada a empobrecer por o governo não conseguir resolver o problema do défice.

    Não é só o governo que está obcecado com o défice. Todos nós estamos, quer tenhamos consciência disso ou não. O problema é apenas esse, a inconsciência. Para nosso interesse esperemos que essa consciência seja obtida o mais cedo possível.


  5. http://aventar.eu/2011/10/13/pedro-passos-coelho-best-of-2010-2011/

    Tanto em ética como em escrúpulos, não estou a ver onde é que Passos Coelho é melhor do que Sócrates.

    • palavrossavrvs says:

      O problema é esse: ter como termo de comparação o abaixo de reles contamina a comparação. Passos é mau. Sócrates era abaixo de péssimo. Um deu todo o dinheiro que pôde. Outro tira todo o dinheiro que pode.


      • Compara-se o que há para comparar. Encarar a realidade, por mais dolorosa que seja, é sempre preferível a viver de fabulações. E é um primeiro passo para se partir para a sua transformação. Neste caso, a transformação que se impõe será correr com Passos e o seu Governo o mais depressa possível, por, como se demonstra no vídeo, não ter mandato democrático para executar aquilo a que se propõe.
        Em todo o caso, parece-me que a comparação é pertinente na sequência do que tem escrito aqui no blogue e que eu, a dado ponto, por cansaço, deixei de acompanhar na totalidade.

  6. patriotaeliberal says:

    Tese: O Passos é incompetente;
    Desenvolvimento: Talvez ainda vá a tempo de mudar…
    Conclusão (subentendida): A culpa é do Guterres e do Sócrates

    • palavrossavrvs says:

      Tese: para o P&L é tudo muito simples.
      Desenvolvimento: não aplicável.
      Conclusão: ler mais Palavrossavrvs para ter uma luz sobre o desenvolvimento e a simplicidade do problema.

      • patriotaeliberal says:

        eheheh….

        Eu é que vejo as coisas de modo muito simples?

        eheheeh…..

        Conheces a anedota do “Coitadinho do crocodilo?”

        Pois, na era em que os animais falavam, disse o rei da selva, o leão, face à crise de alimentação vivida:

        “Pá, a partir de hoje, banimos aqui da selva todos os animais com bocas enormes”

        Diz um hipopótamo, ao longe, fechando muito a boca: “Coitadinho do crocodilo!”

        • patriotaeliberal says:

          No deserto, Jesus, conhecido pelos milagres, resolve ajudar um cocho e um fanhoso:

          “Ide para trás daqueles montes e fazei o que vos digo: Cocho, larga as tuas muletas e caminha! E tu, fanhoso, vais falar como deve de ser!”

          Passado uns segundos, ouve-se o fanhoso, mais fanhoso do que o costume:

          “Ó Mestre! Ó Mestre! O cocho caíu!”

          E tu, caro palavrossaurius, ainda acreditas em milagres, como este que escreves

          “Ontem, na entrevista à TVI, ficou evidente que há um imenso trabalho de casa por fazer: aquele que envolve gente, que sente e ouve gente e ousa, por alguns momentos, esquecer os números. Talvez ainda se vá a tempo de mudar atitudes e tiques de feitor.”

          “Ó palavrossaurius! Ó palavrossaurius! O Coelho não mudou e tem mais tiques do que nunca!”

          “Coitadinho!”

  7. edgar says:

    Em resumo: o pior primeiro-ministro e o pior governo da nossa democracia.

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