Passos Coelho a Nobel da Economia?

41798_65198417291_7710_nMuito se tem dito, e escrito, acerca das opções de política financeira e económica do 1º ministro Passos Coelho, alguns elogiando outros denegrindo. A meu ver, todos estão errados.

É comum, entre as mentes menos esclarecidas, aceitar de forma acrítica ou rejeitar sem fundamento, as teorias verdadeiramente revolucionárias e que representam um vigoroso salto em frente no pensamento e conhecimento humanos. E Passos está a ser vítima desse tipo de inércia característico das pessoas vulgares. Vejamos mais detalhadamente as razões que me assistem na formulação de tão categórica asserção.

Começo por esclarecer os mais cépticos sobre as razões que me têm tolhido o verbo na análise dos aspectos macro-económicos da crise que afecta a zona Euro, em particular, e a União Europeia, em geral. Tal facto deriva apenas do “encolhimento”dos meus rendimentos – assoberbado pelas necessidades do dia a dia, as minhas atenções têm recaído sobre questões cada vez mais pequenas, isto é, micro económicas, como a renda da casa, a alimentação, a conta da farmácia, etc.. Aliás, este processo de shrinkagem tem-se estendido paulatinamente à maioria dos aspectos da minha existência, gerando o interessante paradoxo de as minhas atenções incidirem sobre questões cada vez mais pequenas na razão inversa do tamanho que os meus problemas vão adquirindo.

Mas, retomando o Passos, e o erro de paralaxe dos seus apoiantes e detractores: o que acontece é que o país, e até mesmo o mundo, não estavam preparados para a revolução que este precursor está a introduzir nas Teorias Económicas. Passos Coelho acaba de fundar uma nova escola do pensamento económico que, por razões adiante explicadas, denominarei de Neo-neo-Liberalismo neo-Keynesiano. E que, se houver justiça neste mundo, vai granjear-lhe o merecido reconhecimento à escala planetária, e, porque não, também da Academia Sueca, premiando-o com um justo Nobel da Economia.

É vox populi entre os leitores atentos de “An Inquiry into… Wealth of Nations”, vulgo “A Riqueza das Nações”, de Adam Smith, que a beleza metafísica, quase poética, do fenómeno da regulação dos Mercados resulta da acção de uma “mão invísivel”. E é aqui, pasme-se, que Passos dá início à sua revolução epistemológica. Defensor acérrimo da transparência, Passos inova, articulando, qual demiurgo, as suas convicções morais com o punctus saliens da crença liberal. Com Passos eis que a “mão” se torna não apenas “visível” como até é publicada em Diário da República.

As nomeações para cargos públicos, os sucessivos escãndalos do BPN, do Lima, do Loureiro e restante quadrilha, da sua entourage onde brilha como eminence grise o Cardeal Richelieu, digo o António Borges, as privatizações do sector energético a favor do Estado Chinês, o ex-ministro Relvas e a sua Angola’s connection, o Álvaro, que deve ter fumado parte do relvas, por distracção, a protecção dos especuladores e da banca, etc. etc. Poderíamos ficar aqui a semana toda a elencar exemplos de como Passos, apesar de Liberal, rompe com o paradigma mater e faz um upgrade teórico para a “mão visível”, como regulador do sistema.

O mesmo se diga quanto ao domínio Público: é conhecida a aversão dos liberais e neo-liberais aos Impostos, em particular, e ao Estado, em geral. Subindo os impostos e empregando os amigos no Governo, Passos estabelece uma nova fronteira no ideário Liberal – o Estado grande é nocivo excepto quando o tamanho resulta de albergar os correlegionários políticos. Os impostos são sempre maus, excepto se contribuírem para redistribuir a riqueza, quer dizer, para empobrecer a larga maioria e enriquecer alguns poucos.

Provar que Passos é Liberal, mesmo que heterodoxo, não representa dificuldade de maior. Mas como sustentar que Passos é, ao mesmo tempo, Keynesiano?

Como se tem dito, qualquer pessoa que tenha lido o “Economics”, do Samuelson, percebe as implicações Keynesianas de algo que Samuelson denomina como “efeito multiplicador”. A introdução de um input externo na economia (por exemplo investimento público) vai gerar Emprego, com impacto no Rendimento das Famílias, logo na Procura Interna e, assim, nos Lucros das empresas, no rendimento do capital traduzido nos Juros e, por fim, nas Rendas. Isto é, o PIB aumenta, o Rendimento Disponível aumenta, logo, a cobrança de impostos cresce igualmente, equilibrando o investimento inicial e permitindo reiniciar o ciclo num plano superior. Daí o nome “multiplicador”!

Um neo-liberal vulgar, fugiria a sete pés desta formulação. Já com um Neo-neo-Liberal como Passos, a coisa fia mais fino, sobretudo, se, tal como o nosso 1º, tiver o arrojo de romper com as ideias feitas e os preconceitos próprios das mentes ordinárias e piegas.

Passos não recusa liminarmente a ideia do “efeito multiplicador”. Pelo contrário, adopta-o, mas introduz-lhe inovações teóricas apenas ao alcance do entendimento dos mais dotados. Tal como qualquer neo-Keynesiano, Passos aceita que a introdução de um input externo na economia vai produzir um “efeito multiplicador”. É por esta razão que o classifico como neo-neo-Liberal neo-Keynesiano. Só que, diferentemente dos restantes Keynesianos, Passos elege como input externo a investir, não capital mas… Trabalho! E Trabalho à borla: é aqui que reside a genialidade de toda a ideia!

Favorecendo o factor de produção Trabalho à borla, Passos obtém igualmente um efeito multiplicador, neste caso, multiplicador da pobreza, do desemprego, das falências, do incumprimento, da infelicidade e da miséria de um modo geral. Estes efeitos, que podem ser considerados indesejáveis pelos mais piegas, não tiram o sono ao nosso 1º uma vez que a substância do seu pensamento político é de natureza… moral. Que querem? O tipo acabou o curso já tarde e não teve tempo de ler aquelas 50 páginas iniciais dos manuais das cadeiras, em que se distinguem os diferentes objectos das ciências, e os digest que constituem a base da sua formação intelectual não abordam este assunto.

Sendo a questão moral e não política… todo o crime merece punição. E, como somos todos culpados – preguiçosos, piegas e culpados, muito culpados – logo, qualquer castigo é merecido! Custe o que custar!

Custe o que custar, bem entendido, aos investidores eleitos por Passos! Os trabalhadores!

Para aqueles que acharem suspeito o texto acima, sempre digo que o Passos poderá sempre invocar em sua defesa a condição que partilha com muitos colegas seus como, por exemplo, todo o elenco dos Marretas!

Afinal, se vocês também tivessem uma mão enfiada pelo cu acima, era muito natural que um destes dias perdessem a voz de barítono e passassem a dizer, em tom de contralto: Achtung! Schnell! Schnell! Deutschland, Deutschland, über alles!

Comments

  1. sinaizdefumo says:

    Fooosga-se… ganda posta! Senti-os a tremer mas não chegou a acontecer. Faltou explicar a relação preguiça-pieguice/bater punho e o posicionamento do Neo-neo-Liberalismo neo-Keynesiano face à novel teoria onanista.

  2. Amadeu says:

    Grande tese, para uma pós-graduação do Relvas, em meados de 2018.
    Excelente.

  3. vitor beirao says:

    Belo trabalho!Passos e o trabalho à borla…Único.Um abraço para si, amigo. Bom e já agora piegas e burro é esse bandido. Mas ele não sentirá isso?

  4. António says:

    A teoria exposta é muito simplista. Não basta investimento público. Esse foi feito em grande dose nas últimas décadas sem resultado: autoestradas etc. Esses investimentos levaram às dívidas que estamos a pagar e à situação actual que estamos a pagar: cortes de vencimentos e pensões e em parte ao desemprego actual…

  5. economista says:

    Quadro do IRS (#)
    (anexo)
    (#) Ao IRS propriamente dito do artigo 68º, acresce a Taxa Adicional de Solidariedade do artigo 68º-A e ainda a Sobretaxa de 3,5% do artigo 187º do OGE2013 .
    Para os reformados , ainda a Contribuição Extraordinária de Solidariedade do artigo 78º do OGE2013 ,
    Artigos 68º e 68º-A , ambos do CIRS
    ( com a nova redacção do artigo 186º da supracitada Lei do OGE 2013 )
    Artigo 68.º
    […]
    1……………………………………………………………………………:

    Rendimento coletável (em euros) Taxas (em percentagem)
    Normal (A) Média (B)
    Até 7 000 14,50 14,500
    De mais de 7 000 até 20 000 28,50 23,600
    De mais de 20 000 até 40 000 37,00 30,300
    De mais de 40 000 até 80 000 45,00 37,650
    Superior a 80 000 48,00 –
    O quantitativo do rendimento coletável, quando superior a € 7 000, é dividido em duas partes: uma, igual ao limite do maior dos escalões que nele couber, à qual se aplica a taxa da coluna (B) correspondente a esse escalão; outra, igual ao excedente, a que se aplica a taxa da coluna (A) respeitante ao escalão imediatamente superior.
    Noutros termos , com parcela a abater :
    IRS
    Até 7.000 14,5% 0
    De 7.000 até 20.000 28,5% 980
    De 20.000 até 40.000 37% 2680
    De 40.000 até 80.000 45% 5880
    Superior a 80.000 48% 8280

    Artigo 68.º-A
    Taxa adicional de solidariedade

    1 – Sem prejuízo do disposto no artigo 68.º, ao quantitativo do rendimento coletável superior a € 80 000 incidem as taxas adicionais de solidariedade constantes da tabela seguinte:

    Rendimento coletável (em euros) Taxa (em percentagem)
    De mais de € 80 000 até € 250 000 2,5%
    Superior a €250 000 5%

    2- O quantitativo da parte do rendimento coletável que exceda € 80 000, quando superior a € 250 000, é dividido em duas partes: uma, igual a € 170 000, à qual se aplica a taxa de 2,5%; outra, igual ao rendimento coletável que exceda € 250 000, à qual se aplica a taxa de 5 %.
    O OGE2013 viola o artigo 104º da C.R.P.
    (unicidade e progressividade)
    Artigo 104.º
    (Impostos)
    1. O imposto sobre o rendimento pessoal visa a diminuição das desigualdades e será único e progressivo, tendo em conta as necessidades e os rendimentos do agregado familiar.
    Desonestamente pretendem a par da anestesia fiscal ainda esconder a violação do princípio da unicidade , utilizando as diferentes expressões , irs , taxa , sobretaxa e contribuição !… Ainda , o Tribunal Constitucional confunde imposto mais que proporcional com imposto progressivo !… O actual IRS tem os coeficientes angulares marginais decrescentes quando deveriam ser crescentes para o IRS ser progressivo Conseguiram fugir à unicidade mas não evitaram a escandalosa “não progressividade” porque quem manda é “quem mais ganha menos paga !…
    No último escalão de IRS (>250.000) até 253.773 paga-se menos IRS do que com 250.000 ! …
    O último escalão de IRS (> 250.000) até 330.000 é inconstitucionalmente e de forma regressiva mais favorável em relação ao penúltimo escalão de IRS !…
    Um contribuinte com um rendimento colectável de 250.000 paga mais IRS (paga 117.970) do que aquele que tem um rendimento colectável de 250.001 que paga 115.970 !…
    E com 246.039,60 paga logo 115.969,99 .
    E com 253.773 ainda paga 117.970 , tanto quanto paga aquele que tem 250.000 .
    Vejamos a “pressão fiscal marginal” nos sucessivos escalões :2º = 593 ; 3º = 0,13 ; 4º = 0,07 ; 5ª = 0,02 ; 6º = 0,004 que tende para zero …
    Inconstitucionalmente , o 2º escalão(7.000-20.000) encontra-se desigualmente sacrificado , afectando as suas necessidades básicas , e o último escalão escandalosamente favorecido e protegido , ignorando-se a sua elevada capacidade contributiva.
    Diferente tratamento tiveram os “reformados” onde se revelou a ausência de preocupações sociais por parte deste (des)Governo
    Uma verdadeira Ditadura Fiscal de algum Capitalismo ?
    http://www.facebook.com/santos.giraldo.1

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