Começam a sair do armário

Não há nada como o povo mexer-se para eles começarem logo a sair do armário. Tal como escrevi há dois dias, já valeu chaves6a pena marcar a GREVE, ou antes as GREVES, porque já aconteceram duas coisas absolutamente óbvias – por uma lado, os governantes tiveram que deixar o silêncio dos gabinetes e começaram a marcar presença no espaço mediático.

E, por outro, na sequência desse comportamento novo, acabam a meter os pés pelas mãos e a dizer hoje o contrário do que tinham dito ontem. Se ontem a mobilidade entraria em Setembro, sabemos hoje que afinal só lá para 2014.

É também possível ver no Público que os velhinhos vão ser empurrados, lá na cozinha da função pública para ver se cabe mais um pela porta da frente. No caso dos Professores é óbvia a ligação entre uma coisa e outra porque o serviço – as aulas – têm que ser dadas. Para além da saída dos mais velhos para a aposentação não significar a entrada de gente nova, o mais importante de toda esta equação está na capacidade de  perceber o que é que Nuno Crato tem na cabeça para continuar a destruir a Escola Pública:

– fim do artigo 79 (aquele que permite aos docentes com mais idade, terem menos horas lectivas, naturalmente compensadas por mais horas para outras actividades)?

– aumento do horário de trabalho de 35 para 40 horas por semana, ainda que sejam 3 lectivas e 2 não lectivas?

– aumento do número de alunos por turma?

– mais mega-agrupamentos?

– aulas de 60 minutos?

– …

Nas escolas, já ouvi de tudo – das versões mais informadas, aos pesadelos mais complicados, mas sente-se no ar um sentimento muito parecido com o que levou à luta contra Maria de Lurdes Rodrigues. Há diferenças, claro, mas há um sentimento que começa a ser comum. Quando tenho militantes do PSD a perguntar como é que vamos fazer para pegar fogo à sala de professores, meus caros, o GIGANTE acordou!

E ainda há quem duvide da força da luta de quem trabalha. Eu continuo a achar, mesmo contra a ala de extrema-direita cá da casa, que tudo o  que foi conquistado pelo povo, historicamente, foi conseguido na rua. Não conheço nenhum governante que acorde e diga, hoje vou aumentar o salário ou dar melhores condições de trabalho – nenhum! Foi tudo na luta, na rua, na força, ou não?

Comments

  1. Fernando says:

    Não há nada como o povo mexer-se…
    Que certeirissima e oportuna frase escreveu, e que eu ha muito venho tambem escrevendo aqui e acola. Mas tenho sido insultado! Nenhum indolente aceita de bom agrado ser acordado. E se teimamos, a nossa teimosia tem seus custos.
    Se o povo tivesse se mexido (acordado) a tempo e horas, talvez o drama de muitos portugueses fosse hoje um pouco mais suave do actual cenario.
    Mas o tal “povo” deixou-se dormir ha mais de 30 anos a’ sombra duma azinheira,…e agora acordou com o Sol muuuito alto!!!!

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