Era fatal

Não adianta fazer platónicos votos para que o PS trate em paz dos seus problemas, deste modo fazendo contrato: nós deixamos o PS em paz e o PS deixa-nos em paz a nós. Nada a fazer.

Tal como aqui se prognosticava desde a fala de António Costa na Quadratura, o programa ia ser fazer a cantada à esquerda para casar com a direita. E digo cantada porque toda esta retórica é e será oca de ideias e propostas concretas de entendimento e recheada dos truques habituais, com uma nota só, como o samba: convencer o pagode de que não há alianças à esquerda porque a esquerda “radical” não quer comprometer-se. Soares, ontem, até lembrava os “bons tempos” – que lata! – de Álvaro Cunhal em que foi possível a unidade (referia-se às presidenciais, em que ele, Soares, enfrentava na 2ª volta um recente – posteriormente reciclado – delfim do regime deposto).

A. Costa, se bem que habilidoso, não foi especialmente subtil. Mas a maioria dos seus seguidores não têm têm as artes do candidato a líder. E eis que começa a dar-se o esperado: parece que é o PCP o portador de todos os defeitos e virtudes. De repente, alguns costistas descobriram os encantos do namoro – um tanto sádico, diga-se – à esquerda.

Isto não é novo. Daqui a uns tempos irão queixar-se de que a dita não os ama e voltam para os braços do seu antigo amor. Agora mesmo, um jornalista que parece sócio nº1 do clube de fans de António Costa, em conversa na RTP, explicava como podia e devia o PS, com habilidade, “engolir o eleitorado do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista” ou, melhor ainda, aproveitar para dar “o beijo de morte ao PCP” – mostrando que não compreendeu a orientação do mestre, para quem a ocupação do espaço à direita deixado livre pelo fanatismo do governo é o alvo último. Tem sido este o tom – até o Marinho Pinto fez ontem uma perninha em entrevista ao CanalPorto. Mesmo alguns dos nossos amigos aqui no face descobriram uma súbita vocação para malhar nos mesmos alvos. Por mim, estejam à vontade, já estamos habituados, mas depois não venham pedir paz para os vossos desaventos.

Comments

  1. fossilvivo says:

    O meu amigo ainda está embuchado do sapo que deglutiu há umas décadas ? É obra.


    • Não me embuchei, fossilvivo; perante a alternativa – um delfim de Marcelo Caetano em vias de reciclagem – votei em Mário Soares sem qualquer problema nem hesitação. Mas também, note, sem qualquer ilusão.

      • Maquiavel says:

        Lembro-me do meu esquerdista pai dizer “antes um fascista convicto [Freitas] que um falso democrata [Soares]”…

  2. Carlos Duarte says:

    De acordo!
    Podia satisfazer aos militantes “socialistas” um líder que travasse a destruição na qual as forças “socialistas” colaboram há décadas, fragilizando a democracia de amplos domínios da vida política, assimilando as teorias de natureza económico-financeira, que de forma intensa destroem as politicas de saúde, do ensino, da segurança social e um certo pacto social, mas não. Ao oportunismo no seu melhor, agora o bolorento do sebastianismo…
    O drama é que isto não é uma fraqueza de Seguro! Parem os “socialistas” e olhem(!) com olhos de ver, para os resultados eleitorais dos partidos socialistas francês, espanhol e grego. Não são uma fragilidade de quem os lidera, mas o inicio de uma constatação que os partidos a quem deram o voto claudicaram, se colocaram abertamente ao lado dos interesses do grande capital, nomeadamente do capital financeiro, sempre com a desculpa mil vezes repetida de que não há alternativa viável às politicas dominantes. O discurso do não alternativa do Passos Coelho vem, não esqueçam do tempo do Sócrates e a amizade e subserviência a Merkel idem..
    O resultado eleitoral do PS mais não é do que antevisão da sanção, ainda mais contundente, que o eleitorado pode vir a infligir quando as suas políticas começarem efectivamente a ser postas em prática, pois este P”S” de Antónios não vão pelos caminhos de esquerda.


  3. Então ter-se-á de votar nos piquenos – aliás PSD * PS em que diferem desde quando ?? – Até no logo a diferença parece pequenota – PS – PSD (PS-D)


  4. D de dúvida – D de dívida – D de descaramento ?? D de decomposição ?? D de quê ?? Só não sei é que fez este actual PSD senão acabar com o pouco feito desde 1986 – a europa fez-lhes mal muito mal – a ambos – mas compensou-os dando-lhe os melhores “empregos” em Bruxelas – mas a UE não está ESQUESITA ?? Se calhar também vai despedir uns quantos

  5. recta da meta says:

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