Duarte Marques, um anti-sistema de contos para crianças

Pedro e Duarte

Em mais um artigo anti-tudo o que mexe à esquerda do bloco central, Duarte Marques afirma hoje que a não ascensão, em Portugal, de partidos anti-sistema se deve ao facto de serem os partidos da coligação, PSD e CDS-PP, os partidos anti-sistema em Portugal.

Ora bem, não sei se isto se integra nas palestras de propaganda barata que profere perante o seu leal exército repleto de abanadores de bandeiras e trepadores sociais, e aí tínhamos esta idiotice chapada explicada, ou se o deputado “velho dos tempos da união Nacional” caiu e bateu com a cabeça, tendo ficado cerebralmente afectado.

Alucinado, Duarte Marques refere que, contrariamente ao que aconteceu na Grécia e acontece agora noutros Estados europeus, “em Portugal foi a própria coligação PSD/CDS a protagonizar esse confronto do modelo antigo da Constituição e a serem os partidos mais anti-sistema”. Aparentemente, o conceito anedótico de “anti-sistema” que existe na cabecinha do deputado equivale ao ataque cerrado à Constituição e aos direitos fundamentais dos portugueses, levado a cabo por este governo. Qualquer dia, distribuir tachos também é anti-sistema. Abanem as bandeiras!

Claro que a patetice não poderia ficar por aqui. Tentando colar a ruína do país em exclusivo aos socialistas, um clássico da propaganda mais básica e desprezível de quem atira pedras a um telhado com tanto vidro e tantas rachadelas como o seu, Duarte Marques enumera uma série de catástrofes que aparentemente, nada têm que ver com o seu partido.

Fala em PPP’s milionárias esquecendo-se que, entre tantas outras com o crivo social-democrata, foi precisamente com o seu partido e com a Lusoponte que elas começaram. Um negócio ruinoso levado a cabo por um ministro laranja que acabou a presidir à empresa. Seria um socialista disfarçado? Já agora, e estas PPP’s anunciadas na semana passada por Passos Coelho? Devem ser todas espectaculares.

Fala em aeroportos sem aviões mas esquece-se de referir as utilíssimas formações com fundos europeus que a Tecnoforma do seu querido líder levou a cabo para formação dos staffs dos mesmos.

Fala num período muito específico, curto e obviamente fruto do momento de convulsão em que surge – o PREC – para criticar o controlo de empresas públicas e privadas por parte do Estado quando integra um partido que há décadas vê inúmeros dos seus altos cargos a promover a mais nojenta e danosa promiscuidade entre política e negócios. Chega mesmo a fazer alusão ao BPN, o banco laranja que representa a maior fraude da história bancária de Portugal, protagonizada por destacados sociais-democratas, imunes, sendo que muitos deles integraram a lista de honra da última candidatura do senhor de Boliqueime e um deles, Dias Loureiro, foi até conselheiro de Passos Coelho e membro do Conselho de Estado de Cavaco.

Para fechar, tangerina no topo deste bolo de reles propaganda, Duarte Marques recorre ao humor para nos apresentar Pedro Passos Coelho como referencial de estabilidade. O homem que mente para ser eleito, que se esquiva aos impostos alegando desconhecimento de leis por si aprovadas enquanto deputado, que se envolve em esquemas manhosos de “aberturas de portas” está longe de ser um referencial de estabilidade. É um referencial do que de pior se faz neste país.

Este Duarte Marques é um fartote de riso. O homem chega mesmo a encher o peito para afirmar que, tal como noutras latitudes, em Portugal o desemprego nunca atingiu os 20%. Só se esquece de referir os quase 400 mil emigrantes que foram forçados a seguir o conselho do seu referencial de estabilidade ou o esquema de estágios com que o seu adorado governo, sem o sucesso desejado, tentou mascarar os números do desemprego. Não se resignaram Duarte? Nada disso: não tiveram opção. Nem todos têm um cartão partidário de acesso ao mundo encantado das panelas.

Entre outras farpas à Grécia, o deputado que pouco ou nada dizia sobre a questão quando os seus amigos da Nova Democracia iam destruindo o país, desdobra-se agora em ataques como se tivesse sido o Syriza a arrastar a Grécia para o precipício. Gaba-se de ter sido este governo a expulsar a Troika quando qualquer pessoa com pelo menos 4 neurónios percebe que, apesar de em moldes diferentes, a Troika por cá continua e as instituições que a compõem não pararam ainda de nos condicionar as escolhas. Não é por meia dúzia de acções de angariação de votos em modo pré-campanha que se mascara a realidade. Até nisto a argumentação de Duarte Marques é miserável. Fala em segundo resgate como se alguma vez tivesse sido uma inevitabilidade e do memorando a que o PS se comprometeu como se o seu partido não tivesse participado em todas as negociações e aceite o mesmo, apesar das aldrabices do líder que, ainda assim, continuou a garantir aos portugueses que não precisava de aumentar impostos ou cortar salários.

Não é a ascensão do pragmatismo Duarte. Se esse é o seu argumento para explicar porque o seu partido chutou para canto a social-democracia para se render aos trâmites do liberalismo selvagem faça o favor de tentar outra vez. As pessoas afastam-se de partidos como o seu porque estão fartos da ausência de soluções, boys, promiscuidade, miguéis relvas e outros tipos de compadrios que, tenho muita fé, um dia vos irá reduzir à pasokização. E já será tarde.

Comments

  1. Rui Manuel de Carvalho Pereira Cabral says:

    gosto muito de vocês, pessoal, como conjunto que pôs isto tudo em pé. quero contudo sugerir o seguinte: deixem de utilizar as armas do adversário. sejam mais descorteses, sem ser malcriados. só uma ideia. força.

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