Depois dele virá quem das clientelas tratará

PPC

Pedro Passos Coelho discursou ontem em Paredes, terra do autarca que tentou fazer frente ao regime do seu brother in arms Marco António Costa, acabando por perder as eleições para a distrital do PSD Porto contra Virgílio Macedo, com a candidatura de Celso Ferreira a levantar suspeições de fraude eleitoral. Nada de novo na corte do imperador Marco António. Claro que, prostrado perante o poder do aparelho, o autarca de Paredes entregou a chave da cidade ao chefe, que convidou a inaugurar uma escola aberta desde o ano lectivo de 2013/2014. Noblesse oblige.

Mais interessante do que o frete de Celso Ferreira, um pequeno mimo ao ego do deputado Passos Coelho que ainda não se habituou às novas funções, foi ver o discurso do líder do PSD para o interior do partido e respectivas clientelas. Disse Passos que as “experiências” do actual governo prejudicam a confiança dos chacais investidores, e que quanto menor essa confiança, afirma Passos Coelho, “mais nós nos sentiremos penalizados e prejudicados. Compreende-se: a reversão de parte da precaridade que se abateu sobre este país e das políticas de baixos salários e condições laborais próximas da exploração são efectivamente penalizadoras e prejudiciais para eles – “nós” – as clientelas e a cúpula do PSD liberalóide. Se o salário mínimo sobe, se as prestações sociais são repostas ou se os fundos imobiliários passam a pagar IMI, as clientelas do PSD não ficam nada satisfeitas. E como parte significativa dessas clientelas são também a entidade empregadora de parte significativa da corte de Passos Coelho, não admira que se sintam nervosos. Nada que os amigos de Bruxelas não resolvam com alguma chantagem e uma pitada de terrorismo financeiro.

Felizmente para a maioria da população, e não descartando as clientelas do PS que não ficam muito atrás das suas congéneres de direita, estas experiências vão permitir a devolução de rendimentos que permitem que largos milhares de portugueses respirem depois de quatro anos de aflição. Por outro lado, algumas das experiências do anterior governo ainda se fazem sentir. Experiências como o empurrar do caso Banif com a barriga para que quem viesse a seguir fechasse a porta, privatizar a todo o custo e por qualquer preço, condenar milhares de jovens à emigração ou deixar o país com uma dívida perto dos 130% do PIB, apesar dos cofres cheios – de dívida – não foram particularmente benéficas para o país. Um el dorado, nevertheless, para aqueles que procuram mão-de-obra barata com direitos laborais reduzidos a mínimos pré-ditadura.

Como não podia deixar de ser, Passos Coelho não esqueceu o BE e a CDU, puxando do papão da esquerda radical que mantêm o PS refém, o que vindo do homem que foi à gaveta buscar a social-democracia e ao MRPP a inspiração para a propaganda pseudo-revolucionária para a sua recandidatura mais não é que a demonstração do espasmo final de um carreirista partidário em final de carreira. Depois dele virá quem das clientelas tratará. Resta saber se regressa ao universo empresarial do padrinho Ângelo Correia ou se lhe arranjam um cargo de administrador noutra empresa qualquer. Para a JSD já não tem idade. O Relvas é que lhe podia arranjar um tachito no Efisa.

Foto: Rafael Marchante/Reuters@Público

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  1. Para sociopata so lhe faltam as penas…