Pedro Guerra, o assessor de luxo do CDS transformado em humorista da bola

PG

Não sou grande adepto de programas de comentário futebolístico, mas desde que descobri esse fenómeno do humor que é Pedro Guerra, comecei a perder alguns minutos do meu serão de Segunda-feira para soltar umas gargalhadas.

Não quero perder muito tempo com assuntos de bola, ainda que a minha condição de portista neste caso nem seja muito relevante. Não me faltam amigos benfiquistas que se sentem envergonhados com os tiques fundamentalistas deste comentador que é também director de conteúdos da Benfica TV. Mas não deixa de ser interessante assistir ao fanatismo anedótico do indivíduo que cai no absoluto ridículo de afirmar que existe na Sportv uma conspiração para beneficiar o Porto e o Sporting na cobertura dos jogos ao passo que, no caso do Benfica, comentadores e operadores de câmara vivem num conluio permanente para distorcer as transmissões dos jogos do Benfica, com o intuito de o prejudicar. É tão ridículo que nem justifica mais comentários.

Mas quem é este intrépido moralista, esse cavaleiro alado da verdade desportiva que, munido de um arsenal de frames, pugna pela transparência e pela justiça no mundo da bola? Para além de ter estado ligado ao irrevogável n’O Independente, Pedro Guerra é um assessor de longa data do CDS-PP, um homem que esteve com Paulo Portas no Ministério de Defesa em 2002, que foi notícia pelo salário milionário que auferia em 2003 (4888€), de resto superior ao do próprio ministro para quem trabalhava, regressando à assessoria do grupo parlamentar do CDS-PP em 2009, onde se manteve pelo menos até às últimas Legislativas. Fonte do partido, citada pelo DN, afirmava que Pedro Guerra prestava serviços em diferentes áreas, entre as quais na preparação de debates parlamentares.

Portanto o mesmo Pedro Guerra que se bate pela verdade desportiva com a aparente convicção de um impoluto paladino da transparência lá andava pelo ministério de Paulo Portas por altura do nebuloso caso dos submarinos, dos Pandurs e sabe-se lá do que mais. Auferia um daqueles salários milionários, acima das possibilidades do país e ao melhor estilo dos apaniguados e agora é vê-lo a debitar moralismos na arena futebolística. Vá lá que agora sempre nos podemos rir com as trapalhadas do homem e quem paga é a TVI.

Imagem via TVI24,

Comments

  1. passos e salazar says:

    tudo isso é verdade relativamente ao pedro guerra. no entanto, os companheiros dele nesse programa (e nos outros do estilo) fazem exactamente a mesma coisa. cobrem-se de ridículo, falam em conspirações loucas e afirmam-se defensores da verdade desportiva.

    mas bem diferente é o presidente do sporting, que faz ainda pior. ao menos o pedro guerra é apenas um director de conteúdos da tv. o bruno de carvalho é presidente do sporting e cria constantemente teorias dessas.


  2. Penso que esses programas de discussão futebolística só existem para mostrar que existem programas ainda de maior fanatismo e reconstrução da realidade que os de comentadores políticos. 😉
    A verdade é que ontem ao ver um pouco o jogo do Boavista sentia perfeitamente que o relator e comentador do momento estavam ali em direto na defesa do sporting… na sexta qualquer dúvida era à partida sempre em prejuízo do Benfica, há muito que sinto a falta de isenção de um canal que em princípio não é pertença de um clube, já na BTV eu noto a simpatia pelos encarnados, mas o canal é da casa, não é assumidamente um canal de desporto isento em termos clubísticos.

  3. eu avento says:

    Não vejo esse programa porque fico com vergonha de ser benfiquista.


  4. trata-se de um dos programas mais abjectos do panorama televisivo e deportivo do panorama nacional – os clubes representados deveriam cobrir-se de vergonha com o teor da discussão, os canais deveriam ser banidos por transmitirem porcaria daquela e quem tem paciencia para os ver…bem..nao tem nada de util para fazer.

  5. José Manuel says:

    Pois eu, as vezes que assisti ao programa sempre vi no Pina o palhaço mor. Isto para não falar nas triste figura feita pelo presidente de um clube falido, que ainda se julga grande.