“Os Truques da Imprensa Portuguesa” em entrevista


obrigado internet

Obrigado, Internet
Convidado: Os Truques da Imprensa Portuguesa | 05 Nov, 2016

A página do Facebook “Os truques da imprensa portuguesa” tem colocado em questão diversas notícias da nossa comunicação social. Há quem concorde que há truque e há quem diga que é um braço armado do PS, à semelhança do que foi o Corporações. Um podcast com interesse para quem acompanha o assunto. Aqui fica uma espécie de transcrição, muito aligeirada.


Convidado: João “dos Truques”.

Alvim diz que entrevistou há algum tempo um convidado com algum conhecimento nas lides políticas e que acusava a página de ter ligações ratificadas ao PS. João diz que são críticas a que estão sujeitos por não relevarem a identidade. São vários a gerir a página. Mas que não têm cartões partidários nem financiamento, nem votam no mesmo partido, nem são todos do mesmo clube. Por isso é normal que uns posts puxem mais para um lado e outros mais para o outro.

Grande parte do trabalho é gerir o fluxo de informações que chega à caixa de correio. Centenas de mensagens, de onde advém o aparente conhecimento privilegiado.

O caso Maria Barros. Existem quatro Maria Barros que se enquadram mais ou menos no perfil presente na reportagem. Uma história que foi embelezada para dar uma carta aberta. A Visão pegou numa história que não teria assim tanto interesse. Porquê este interesse por parte da imprensa? Foi  a história com mais impacto  na página, o que terá levado a Visão a limar as inconsistências na reportagem.

Os factos são apolíticos, mas as leituras não o são. Procuram intervir quando acham que não se está a fazer a leitura dos factos, estando-se a introduzir factos que não estão confirmados ou nem sequer são factos, ou a leitura é tão deturpada que só com uma aproximação muito preconceituosa é que se poderia lá chegar. Quem faz o post também pode errar, até porque não há nenhuma revisão interna.

Porque há erros/truques? Primeiro, por falta de rigor, para se ser o primeiro a publicar. É fruto da influência do online, onde são publicadas coisas sem rigor, que não estão verificadas, que não têm aquilo que qualquer jornalista que seja digno desse nome diga que está com qualidade para ser publicado. O segundo tipo de truques é aquele que é plantado, que é manipulado, que é de propósito, onde se dá a notícia de determinada maneira para criar uma determinada percepção. Isto foi claríssimo no caso dos contratos de associação. Por exemplo, o Público fez uma abordagem a este caso que foi sempre tendenciosa, sempre do ponto de vista da perspectiva dos contratos de associação, mesmo quando se tratava de se oferecerem factos tão simples como os colégios privados terem ganho uma acção contra os Estado, mas sem terem sido noticiadas as “cinquenta” acções ganhas pelo Estado.

E incomoda? Parece que sim, pois ao se dizer que é um truque ou se está a dizer que o jornalista não foi rigoroso ou, ainda pior, não foi sério. Não é sério, não é preciso ou simplesmente tem uma visão diferente dos factos? Um jornalista tem que ser imparcial. Já um cronista não tem que o ser. E se for um jornalista a fazer papel de comentador também não tem que ser isento. Se se dá uma notícia sobre a dimensão de uma manifestação, não se pode relatar algo que não bate certo com os relatos. Ou o caso da notícia sobre a Católica ir abrir um curso de medicina, que levou a que um jornalista do i tivesse reclamado por a notícia ter sido classificada de truque. Uma coisa é a vontade da Católica querer abrir um curso de medicina, outra é ir abrir um curso, algo que precisa de seguir um processo de acreditação, não está garantido e onde não basta querer. É algo que não vai acontecer agora, pelo que a notícia não é verdade. O jornalista contrapôs fazendo uma referência para outra notícia onde se afirmava a intenção, como se isso justificasse a abordagem do jornalista à notícia. Não põem em causa que a Católica queira abrir um curso, aliás será precisamente por causa disso que a notícia apareceu e apareceu daquela forma. A notícia cria a ideia de que a Católica vai abrir um curso, tornando-se tudo um bocadinho mais simples, pois vai-se criando um facto, quando na verdade não se está perto de abrir um curso na Católica – é um projecto.

O futuro da imprensa nacional? Será um pouco o agravar do que tem acontecido: pressa em publicar e falta de verificação. O que poderá promover uma contra-reacção que gere projectos de fact-checking. Tem dúvidas que a maior parte das pessoas tenham interesse na informação; procuram, isso sim, a notícia que confirma a sua visão do mundo.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    “Os Truques da Imprensa Portuguesa!”
    Quem não é por mim, é porque é contra mim, dirá a direita!
    Logo, eles são do PS!
    Ainda que assim fosse, então, sempre assumem que do outro lado está uma imprensa de direita, porque ninguém é contra si próprio.
    Tolos!

    Apetece-me citar Ricardo Araújo Pereira
    “então eu venho lá de baixo dizem-me não sei quê, chego cá a cima afinal parece … que falam, falam, falam, falam, falam, falam, pá, e eu não os vejo a fazer nada, … “

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