A menina que ficou sem recreio por não saber a tabuada dos 7


A Leonor, à excepção de uma fraca caligrafia, é uma aluna exemplar do 3.º ano de uma escola básica do concelho de Gondomar. Tem um comportamento excelente, Muito Bom em todas as disciplinas e presença assídua no «Quadro de Honra», «Quadro de Distinção» ou lá como chamam a essa coisa parva de distinguir uns alunos em detrimento de outros em função de números.
Num determinado dia de Dezembro, a Leonor ficou sem recreio. Porque na aula desse dia não soube dizer de cor a tabuada dos 7. E ficou a escrevê-la no caderno durante todo o intervalo de meia hora.
A Leonor está na escola, como todos os meninos da sua idade, das 9 até às 17.30. Frequentemente, ou seja, quase todos os dias, leva TPC que lhe dão para mais uma hora. Quando acaba de fazer os trabalhos que pelos vistos a professora não foi capaz de ensinar durante um dia de mais de 8 horas, está na altura de jantar. E logo a seguir, de dormir.
A Leonor tem 8 anos. É uma criança. Tem direito a brincar. A ser feliz. A fazer um intervalo de 30 minutos numa incrível jornada superior a 8 horas.
Mas uma coisa é certa. Se ainda houver instâncias superiores conscientes no sistema de ensino português, a Leonor não voltará a ser alvo de uma medida destas, que não tem qualquer fundamentação pedagógica.
Infelizmente, o mesmo não se poderá dizer de muitas outras crianças. Essas, porque não têm a sorte da Leonor, continuarão a ser vítimas de quem pensa que dar aulas hoje é como dar aulas há 50 anos.

Comments

  1. Há um salazar latente dentro de cada português. Ao mínimo descuido, pof, salta cá p’ra fora…

  2. Muito pessoal tá todo queimadinho, professores e muitos pais, que gastam o tempo precioso em trabalhos de casa, em conteúdos inúteis em ausência de brincadeira e afectos, HAJA LUZ NA MENTE DO PEOPLE.

  3. Se a Leonor fosse mais crescida, e depois de tanta “Cidadania” e tal, diria à professora:” A senhora professora desculpe, mas eu tenho direito ao meu intervalo. Faço a tabuada dos 7 noutra altura e amanhã venho mostrar-lhe!”

  4. Um bom professor não necessita de enviar TPCs.

  5. Ana Moreno says:

    Sinceramente Ricardo, para além do inacreditável conceito pedagógico desta senhora, o que mais me assusta são mesmo estes longos dias de trabalho das crianças, este sistema que não deixa aos pais alternativas – não sei em nome de quê. Ou por outra sei, da exploração de quase todos em favor de meia dúzia.

  6. Rui Naldinho says:
  7. Temos um articulista que escreve posts bem interessantes. Deus queira que se mantenha para afastar o Aventar deste mediocridade que os do PSD/antiPSD nos meteram

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