Estimada TVI: o programa já é mau demais. Menos abuso, sim?

tvi

A TVI tem um daqueles programas de Domingo à tarde, foleiro que dói, que as autarquias portuguesas pagam couro e cabelo – com o alto patrocínio dos nossos impostos, claro – para ser transmitido a partir das suas localidades. Quando a coisa está no ar, dá a impressão que a estação, genuinamente interessada em promover os mais recônditos cantinhos do nosso país, decidiu rumar a São Jorge da Morrunhanha e partir à descoberta dos bolos da Dona Raquel, das laranjas do Sr. Fernando ou do artesanato da avó Odete, mas não, não é nada disso. Pagam-lhes e eles vão lá, carregados de Marias Leais e de outros talentos maiores da música portuguesa, e a localidade pouco ou nada ganha com isso. Despesismo inútil para quem paga, um belo negócio para quem comercializa.

E como se qualidade discutível do programa ou a comercialização de chamadas de valor acrescentado a troco de cartões de compras, para sacar dinheiro a distraídos, ignorantes e desesperados, não fossem, por si só, um abuso, ainda assistimos a situações como aquela que ocorreu em Vila Verde e que foi noticiada por estes dias. Segundo o Expresso, o vice-presidente da corporação local de bombeiros voluntários terá validado a utilização de uma ambulância, que circulou pelas ruas da vila em marcha de emergência, para transportar elementos da equipa da TVI. Sem competências para o fazer e em total desrespeito pelas funções que exerce, apenas para fazer o frete aos importantes senhores da televisão.

E se o culpado por esta palhaçada é quem a autorizou, não é muito menos grave a postura da TVI. Uma instituição que se diz séria, e que influência centenas de milhares de pessoas, não pode nem deve pactuar com tão maus exemplos, exibindo-os ao país como se nada fosse. Pior ainda, quando, a julgar pelo relato do bombeiro que conduziu a viatura, a equipa da TVI se comportou como um bando de crianças histéricas e mal-educadas, brincando com os sinais sonoros da ambulância, apesar dos insistentes pedidos para que não o fizessem. Estimada TVI: o programa já é mau demais. Menos abuso, sim?

Infelizmente, já nada disto admira. Afinal de contas, estamos a falar da mesma TVI que vive da rameirização da privacidade, da futilidade, dos mexericos, das traições e do sexo em horário nobre que o degredo dos reality shows têm para oferecer. No que a televisão da igreja se transformou.

Comments

  1. joão lopes says:

    quem vê esses canais,devem ser os tais que não votam e dizem mal de tudo,menos dos queriduchos da tvi e do calcitrin.os velhinhos pobres e ignorantes so servem para a ferreira comprar mais um porche,…deem muito diinheiro aos cor de rosa que eles agradecem,e ainda gozam com o ze povinho ignorante e emburrecido

  2. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Faz parte do sistema.
    Cria seres consumistas e não pensantes. Os abusos são normais nesta república das (e de) bananas.
    O João Mendes pronuncia-se sobre este regabofe, mas temos em Portugal entidades governamentais e parlamentares que deveriam denunciar estas barbaridades culturais e sociais.
    O problema é que eles também fazem parte do Sistema ; vide os exemplos de comentários desportivos dados por esse Galamba ou o vindos desse Amorim que são verdadeiramente desrespeitadores de uma boa parte do povo que os elege…
    Não se trata de proibir (à democracia tudo é permitido, mesmo matá-la), mas de denunciar estes canais tendenciosos (SIC) ou manifestamente embrutecedores (TVI).

    • Ferpin says:

      Detesto o Galamba, o tipo é irritante. No entanto, pode dar exemplos do Galamba a ofender pesspalmente outros? Do tipo de oferecer óculos ou soros da verdade.
      É que a coisa mais irritante do Galamba é que em debate com outros cita-lhes coisas contraditórias que eles disseram tempos antes que já nem o proprio se lembra, nega, e depois era verdade.
      Se debatesse com ele, aquele risinho petulante ia irritar-me.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Caro Ferpin.
        O exemplo a dar do Galamba que refiro no meu comentário, foi proferido de um modo primário e no quente de uma derrota, assumindo-se como sportinguista – a que sem dúvida lhe assiste todo o direito – e desancando nos benfiquistas – algo que, como político que é, demonstra a sua impreparação … Vale o que vale e a bola vale também o que vale, mas aqui entre nós, funciona como o vinho na sua aplicação do “in vino veritas”, pois põe em evidência como um político, por vezes, é tão primário como aqueles que vêem estes programas da TVI ou bebem um copo a mais.
        Já agora o outro que refiro, o Amorim do PSD é o mesmo que quando o FC do Porto foi campeão pela última vez veio para as redes sociais apelidar de “mouros” os apoiantes do Club que havia ficado em segundo lugar.
        Os exemplos que dá das ofertas de óculos e soro da verdade, são diferentes pois aqui, nem “in vino veritas ” é. Pura e simplesmente, saem do cesto de uma atrasada mental.

  3. Que podemos dizer é o sistema a funcionar !!!

  4. Eu mesma says:

    Muito bom texto. Nada que o pessoal não tenha vindo a aperceber-se, embora nem toda a gente, mas lá está, “de boca em boca/ nas redes sociais/ ouvem-se verdades que não vêem nos jornais”, como tão bem canta Boss AC. Ousasse alguma pessoa mais esclarecida dizer isto e outras verdades inconvenientes num canal televisivo (ou escrever num jornal ou blogue) e aqui d’el rey que até ameaças de processo haveria, e choviam acusações de elitismo de “pseudo-intelectuais” que querem acabar, os malvados!, com o ganha pão dos famosos aspirantes a vedetas dos “talentosos” apresentadores daquele… daquela coisa. Já não bastava o infotainment rasca com que os media nos imploram por fundos, traduzidos em clickbaits, agora isto. E entretanto, os “famosos” apresentadores de televisão que vão “trabalhar” para estes programas só agradecem que a ERC esteja a assobiar para o lado; num país à séria, este tipo de formatos era no mínimo alterado radicalmente, para não dizer extinto, e essas sub-sub-sub-vedetas voltavam ao anonimato de onde jamais deveriam ter saído.

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