Jornalismo precário e dependente

O Primeiro-Ministro António Costa, na comunicação de Natal destacou duas dimensões da nossa vida comum: a precariedade laboral e a educação. Ontem a Comunicação Social fez o favor de mostrar a importância de ambas – o não-caso de Vila Nova de Gaia e a escuta a Santos Silva mostram como o jornalismo português está demasiado dependente de interesses, eventualmente diversos e onde a boa-educação está, há muito, à margem da profissão.

Em Gaia, à falta de melhor, uma jornalista resolveu escrever um conjunto de falsidades e, sabendo eu, que a jornalista teve acesso documental à informação verdadeira, pergunto:

-em que momento a senhora se esqueceu da sua carteira profissional? No momento em que talvez se fosse vingar de algum acontecimento passado? Ou no momento em que talvez estivesse a ajudar alguém?

Aliás, também Os truques da imprensa questiona a jornalista:

“1. Ou Margarida Gomes não sabia do arquivamento, o que é pouco verosímil, tendo em conta que a jornalista terá contactado o DIAP para confirmar a existência da queixa e, se sabia da queixa, sabia necessariamente também do seu arquivamento.

2. Ou Margarida Gomes preferiu nunca mencionar de forma explícita o arquivamento da queixa, optando por deixar no ar uma eventual investigação em curso, favorecendo a sua narrativa e o enviesamento do caso e utilizando para isso uma redacção ardilosa ou mesmo manhosa (o que significa uma queixa “estar” no DIAP? Pode incluir “estar” (arquivada) no DIAP? Num caixote do lixo? Numa gaveta? Ou em fase de inquérito?”

Uma coisa dou como certa, Jornalismo, não é de certeza e a ética não se faz assim.

Percebo a banhada autárquica que se aproxima do PSD e até imagino como gostariam de recuperar Gaia, mas não creio que seja a sul do Porto que a cavalgada de Rui Rio para a liderança laranja vai ser questionada. A derrota do PSD e de Passos Coelho vai mesmo acontecer e Rui Rio vai chegar lá, mas não creio que esse seja um problema de Gaia. Logo, não creio que este tipo de notícias tenha uma génese partidária. Nacional, claro.

Acrescento a esta reflexão, uma outra em torno do comentário brincalhão de Augusto Santos Silva. Se fosse o Correio da Manhã? Mas, a TVI?

Se calhar o erro de análise é mesmo meu e aquilo é mesmo um novo tipo de jornalismo. Mas, será que no plano ético, uma conversa entre duas pessoas pode ser gravada sem conhecimento dos envolvidos e usada para os atacar?

Tenho imensas dúvidas e não gostava de ver todas as figuras públicas, políticos ou não, a seguirem o exemplo do mundo da bola em que só se fala com a mão à frente da boca.

Em alternativa, sugiro que o cérebro de algum jornalismo ande sempre à frente da caneta.

 

 

Comments


  1. Muito bem.
    Precisa-se de mais objectividade na comunicação e honorabildade.

  2. Ana A. says:

    Que bosta de tempos estes!

  3. anti-pafioso diabrete . says:

    Cada vês mais os ditos jornalistas fazem com que ninguém acredite no que dizem e escrevem . Porca Miséria .Até vendem a mãe só para ganharem uns trocos .

Trackbacks


  1. […] à parte, não façam de nós parvos) e o João Paulo acrescentou algumas informações sobre o jornalismo de sarjeta que impera no rectângulo e sobre a habitual manipulação da opinião pública que se faz sentir nesta fase de […]

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