Maria Luís Albuquerque e a aritmética do défice

Questionada por José Gomes Ferreira, sobre se a meta do défice para 2016 seria cumprida, Maria Luís Albuquerque, especialista na ocultação de problemas bancários que afectam défices e saídas limpas, foi categórica. Segundo a ex-ministra, não é “de todo possível” que o défice deste ano cumpra as exigências de Bruxelas. Aliás, e para que não restem dúvidas, Maria Luís afirma mesmo que “aritmeticamente não é possível“.

José Gomes Ferreira volta à carga: “Não acredita que o défice pode ficar abaixo de 2,7%?“. Albuquerque, com a mesma segurança que há um ano nos garantira a devolução de 35% da sobretaxa, responde: “Não, de todo.“. “E abaixo dos 3%?“, insiste Gomes Ferreira. “Também não“, remata Maria Luís.

É então que o jornalista sai da casca e desafia a entrevistada: “E se acontecer, a doutora Maria Luís Albuquerque vai reconhecer que se enganou?“. Atrapalhada, Maria Luís entra em contradição, recorrendo a truques semânticos, não se comprometendo com a possibilidade de ter que reconhecer que se enganou mas, ainda assim, insistindo na impossibilidade de que o défice possa ficar abaixo do exigido por Bruxelas. Mas, se Maria Luís Albuquerque estava tão certa do que dizia, numa entrevista que tem pouco mais de três meses, que receava ela para não se comprometer com o desafio de Gomes Ferreira? Para quem usa argumentos de aritmética infalível, esta postura diz muito sobre a credibilidade do seu discurso.

A ver vamos, quanto vale a aritmética da ex-ministra. A bem do país, e da fiabilidade de tudo quanto é instituição que analisa estas coisas e que teima em discordar da narrativa laranja, é bom que não valha nada. Quanto à vinda de Belzebu, que Maria Luís reforçou, na mesma entrevista, que chegaria até ao final do ano, e com o dia de hoje a aproximar-se do fim, impõe-se a questão: será que chega amanhã e virá cá passar o reveillon?

Vídeo: Luís Vargas@Geringonça

Comments

  1. martinhopm says:

    Para Sua Excelência ter mais tempo para pensar sobre estas questões, e saber às quantas anda não proferindo bacoradas, é favor proibi-la de comer a dois carrinhos: ou é deputada ou é administradora não executiva da gestora britânica Arrow Global, onde mete ao bolso pelo menos 5.000 euros/mês.

  2. Rui Naldinho says:

    Ou Maria Luís Albuquerque é uma ignorante, o que não acredito de todo, diria que é mais do estilo arrogante, ou anda a fazer-se de loira burra, mesmo que com o cabelo pintado, e aí diríamos que estamos perante um numero de comédia.
    Mas nada me admira nesta Lagardetuga, convencida que está no FMI a mandar bitaites.
    Para quem anunciou aos quatro ventos que a devolução da sobretaxa de IRS seria uma realidade, (https://www.publico.pt/2013/07/25/economia/noticia/troca-de-emails-confirma-que-maria-luis-albuquerque-sabia-dos-swaps-1601306) e após as eleições desdiz-se, para quem afirmou que desconhecia a existência de Swaps nas empresas públicas, Metro de Lisboa, Metro do Porto, CP e Refer, incluindo uma onde ela foi administradora financeira, (https://www.publico.pt/2013/07/25/economia/noticia/troca-de-emails-confirma-que-maria-luis-albuquerque-sabia-dos-swaps-1601306) entenderá que esta economista, fora da cartilha da Troika jamais conseguirá ver uma redução do deficit, por pequena que seja. Isto, já para não falar da sua vaidade, comprada a maço de notas de euro por uma financeira, cuja única coisa que dela necessita são os números de telefone e algumas informações confidenciais.


  3. Que respeito e crédito pode merecer uma “instituição” que tem disto como vice???….

  4. Paulo Só says:

    João Mendes, tudo se explica se admitirmos, como a MLA, que o ano não termina amanhã. É claro que nesse caso o défice continua a se acumular indefinidamente, e portanto as metas não serão cumpridas. Alguém pode provar que realmente o ano termina amanhã? Trata-se de uma mera conjectura ou convenção, incompatível com a radicalidade do pensamento da professora. Já devo ter lido em algum folheto de gare uma biografia dessa Senhora que, salvo erro, estudou em Angola, o que a marcou indelevelmente. Não só porque tinha de conviver com pessoas que não são louras como ela, como paradoxalmente pelo ódio que passou a cultivar em relação a quem de lá a tirou, ao invés de odiar quem para lá a enviou. Depois, já em Lisboa, formou-se numa dessas faculdades privadas alojada num palacete devoluto, que há séculos alojam os aleijões dos governos. De posse da capa preta e do canudo foi trabalhar na contabilidade da CP, como se sabe um cenáculo de excelência. Só quando entrou no governo, pelas mãos de outro economista com o mesmo trajeto, é que ela descobriu as delícias do “empreendedorismo”, das quais não se fartou até hoje. Desde então ela aderiu a uma mentalidade de “privada” . E agora quer privatizar o lugar do seu mentor político, um homem duro que não durou. Por isso sempre dizemos: volta, Manuela. Com ela os nossos amigos do PSD erravam, mas pelo menos não se envergonhavam.

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  1. […] mas que, tudo indica, será um dos melhores, senão o melhor, da era democrática, apesar dos vaticínios aritméticos anedóticos da sua general, são as sondagens devastadoras, as facadas dos tenentes, a ameaça interna. A sério que alguém […]


  2. […] de impostos. Porém, no capítulo do défice, à semelhança dos seus antecessores e da matematicamente genial e infalível Maria Luís Albuquerque, o ex-ministro de Passos e Portas falhou […]


  3. […] até Novembro passado. Em entrevista ao insuspeito José Gomes Ferreira, Maria Luís Albuquerque afirmava categoricamente que não era “de todo possível” que o …Peremptória, a ex-ministra concluia que “aritmeticamente não é […]

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