
Cavaco Silva ainda tentou avisar que isto podia correr mal, mas quem a sabia toda era o Antero. Venderam-nos uma mentira, e o país engolindo e pagando, ao sabor das contradições que se multiplicavam, quiseram fazer de nós otários, o que de resto até acabaram por fazer com assinalável distinção, ou não estivéssemos todos a pagar a engenhosa solução encontrada pelo anterior governo, com a preciosa ajuda do amigo do Banco de Portugal, anunciaram vendas, que se aproximariam de alguns milhares de milhões, sem nunca se concretizarem, e juraram a pés juntos que tal empreendimento não custaria um cêntimo aos contribuintes. Como o outro senhor que também nacionalizou um banco com a mesma promessa, um banco que acabou comprado por um outro ao qual agora preside.
Foram corridos, por essa bandida da democracia representativa, e deixaram para trás um banco mau e outro péssimo, que acabarão vendidos por uns trocos a um terrorista financeiro ou a um oligarca chinês, a nata do investimento externo contemporâneo neste Portugal de brandos e ovinos costumes. Isso e uma nacionalização discreta, que deixou um banco doente nas mãos dos portugueses. Também nos deixaram um vendedor, daqueles mesmo bons, o que explica o salário, menos obsceno que o de outros, mas que até à data não conseguiu ainda nada que se veja, apesar do talento que se lhe reconhece. Claro que lhe renovamos o contrato. Como não poderia deixar de ser.
Agora, muitos episódios depois, parece que vamos entregar a coisa a um pirata e ainda lhe vamos pagar por isso. A discussão em torno do assunto é de tal forma singular que temos o Ricciardi a discutir nacionalizações com o Gomes Ferreira, qual comunista, o Marques Mendes a dar bicadas na Maria Luís (outra vez), o mesmo Marques Mendes que não há muito tempo teve estas declarações absolutamente inesquecíveis, e o PSD, exemplar, envia o incorruptível Marco António Costa, nome sempre ausente nas profundas discussões filosóficas que têm lugar em jornais e blogues onde, ao contrário desta casa, se seleccionam criteriosamente os grandes protagonistas da cena política portuguesa sobre os quais se deve ou não falar, para informar o país que o partido, pelo menos para já, não comenta o assunto. Haja alguma decência neste país e medalhe-se já o homem! Já nos chega a elevada probabilidade do Dono Disto Tudo se safar. Por falar nisso, alguém tem ouvido falar nele?






Portugal continua no seu melhor…como já ouvi dizer, “bota ppd”.
Só faço uma pequena crítica ao Antero. Em cima dos banquinhos deveria estar um exemplar da monumental obra “Testemunho de um Banqueiro”, que a generosidade do grande João Falideiro nos trouxe ao conhecimento. Parece que vai sair o segundo volume intitulado “Como Ganhar Muita Massa e Deixar o Estado a Tomar Conta da Desgraça”.