E agora, em que ponto ficam os inúmeros juízos de valor que foram tecidos?

“Eu não partilhei SMS com ninguém, quem conhece os meus SMS são os meus interlocutores e eu”, assegurou, dizendo que afirmações que surgiram na praça pública sobre o conteúdo destas mensagens “não é verdade”. António Domingues, ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos

Há duas hipóteses:

  1. Ou o ministro resolveu prejudicar-se a si mesmo.
  2. Ou Lobo Xavier mentiu.
  3. Ou então, já que não há duas sem três, António Domingues está a mentir.

Aguardam-se novos episódios na novela. Especialmente, quanto à segunda comissão de inquérito sobre o caso SMS, o SMSGate

118.001 novos empregos

Não são 118 mil. Sim, efectivamente, António Domingues arranjou emprego.

Claro que Mário Centeno mentiu

Mário Centeno mentiu, obviamente. E mentiu com quantos dentes tem na boca – da mesma forma que alguns riem a bandeiras despregadas.
Não é preciso ser um génio para saber que ele mentiu, nem sequer convocar a teoria dos fractais.

28 de Julho – Governo isenta administradores da CGD de apresentarem os rendimentos no Tribunal Constitucional

25 de Outubro – O Ministro das Finanças confirma em nota oficial que a nova administração da CGD só terá de prestar contas sobre os rendimentos ao Governo.

15 de Novembro – António Domingues envia carta ao Ministro das Finanças, onde relembra que «A não sujeição da administração a esse estatuto (…) tem, para além do mais, como consequência a não submissão ao dever de entregar ao TC a declaração de património e consistia, desde o início, uma premissa essencial para o projeto de recapitalização da CGD e foi uma das condições acordadas para aceitar o desafio de liderar a gestão da CGD e do mandato para convidar os restantes membros dos órgãos sociais, como de resto o Ministério das Finanças confirmou”

Depois disto, o que falta? Uma assinatura? Um SMS?
Não são precisos óculos especiais para ver que o Ministro das Finanças mentiu. A inexplicável isenção de declaração de rendimentos esteve acordada desde o primeiro dia.
Mentiu, pronto. E agora? Não é essa a matriz de um político, mentir? Olha o Eduardo Vítor com o caso da mulher! Acaso fazem outra coisa, os políticos, senão mentir? Claro que não se vai demitir por causa disso. Aliás, ele e qualquer outro político devia demitir-se era se algum dia dissesse a verdade. Porque isso é que é defraudar o pessoal.
Posto isto, são todos uns hipócritas. [Read more…]

Uma oposição sem ideias precisa disto

Com que então, António Domingues entregou a declaração de rendimentos no TC. Depois de um mês neste braço de ferro, acabou a fazer o que disse que não faria, revelando a inutilidade de ter querido uma excepção legal para si. Acho bem que tenha saído, pois demonstrou ser um mau gestor, como é todo aquele que é incapaz de avaliar o contexto económico e político em que se move. Agiu infantilmente e agora leva tudo o que ficou a saber para a banca privada, onde, provavelmente, irá trabalhar.

Centeno não esteve bem por ter   cedido a Domingues em exigências que não eram compatíveis com a lei. Mas esteve pior ao não ter demitido a administração que se recusava a obedecer ao accionista. Devia tê-lo feito logo que Marcelo se pronunciou, evitando ao país todo esta encenação degradante e protegendo a Caixa desta prolongada instabilidade.

Pedir a demissão do ministro das finanças por isto não faz sentido. Faria, isso sim, pelos resultados fiscais, se para tal houvesse razões. Como não há, fazê-lo consiste em alinhar na estratégia de guerrilha de Passos Coelho, o qual quer com este caso criar a instabilidade que precisa para se segurar no cargo. Basta, até, ver que já deixou Centeno para trás, tendo agora galgado para pedir a cabeça de Costa. Não ficará por aqui e continuará a escalar. Agora pede esclarecimentos, como se não estivesse tudo claro, para poder dizer que, não os tendo recebido, é uma falta de respeito ao país. Ainda vai acabar a pedir uma comissão de inquérito e a demissão do primeiro-ministro, estando-se nas tintas para o país.

É esta a estratégia do PSD. Uma oposição que não apresenta uma alternativa política, apenas procurando destruir para emergir entre os destroços. Aos que apoiam o governo resta-lhes denunciar o oportunismo político e a ausência de ideias. Lembram-se como, no governo, Passos acusava repetidamente a oposição de não ter ideias? Ora aqui temos uma oposição sem ideias, basta encontrar o discurso.

Uma garrafinha de soro para a direita comatosa

ad

Hoje é um belo dia para quem, como eu, não está interessado em pagar salários obscenos a gestores públicos que não querem cumprir com as suas obrigações legais. É também um belo dia, talvez mais belo ainda, dada a travessia do deserto que caracterizou o último ano, para os partidos de direita com assento parlamentar e para as redacções, cronistas, blogues e snipers facebookianos ao seu serviço, que, durante semanas, fizeram das tripas coração para que a administração da CGD caísse, doesse a quem doesse. [Read more…]

CGD – Oportunidade de emprego

cgd demissão antónio domingues

Boas notícias para a direita, que galopou este caso, e para o(s) futuro(s)  administrador(es) a nomear. Enviar CV para emprego@portugal.gov.pt.

(via Filipe Caetano)

O meu vencimento obsceno é melhor que o teu

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho (E), acompanhado pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, durante a visita à Associação Empresarial do Baixo Ave na Trofa, 31 Janeiro 2015. ESTELA SILVA / LUSA

Pois é, Jorge. O pessoal da telha envidraçada e a sua infinita cara-de-pau. Já quase ninguém se lembra dele. E sabes bem que passar despercebido é um talento valioso que poderá explicar em parte o salário que ganha. Que não é assim tão diferente daquilo que irá (?) auferir António Domingues mas que tem o condão de não levantar grandes discussões. Pelo menos mediáticas. Contudo, e apesar de pouco se saber sobre a venda do Novo Banco, Sérgio Monteiro já se encontra em funções desde Novembro do ano passado. Um ano. E, segundo noticia o Expresso, ficará pelo menos mais três meses até “concluir a venda”. A ver se desta é que é.

[Read more…]

Deixem-se de merdas e cumpram a lei

acmc

Poucos debates espelham tão bem o país em que vivemos. Discutir se um gestor público, tal como qualquer governante, deve ou não apresentar a sua declaração de rendimentos é triste, acima de tudo, porque não deveria sequer gerar qualquer tipo de discussão. É óbvio que deve. Melhor: é obrigado a fazê-lo. Se existe uma lei que a isso mesmo obriga, qual é a dúvida? Se António Domingues e a sua equipa são tão fantasticamente espectaculares, como podem supor que estão acima da lei? Será que lhes foi prometida uma excepção à regra, que obviamente violaria a lei portuguesa, e eles, tão fabulosos, não perceberam que tal não era possível? Esperava-se mais de um indivíduo que vai auferir um salário astronómico sem mostrar serviço.  [Read more…]

Quando o Secretário de Estado desautoriza o Primeiro-Ministro…

Ainda relativamente à inacreditável questão da Caixa Geral de Depósitos, ouvi hoje na TSF o Secretário de Estado Pedro Nuno Santos a dizer que António Domingues e a sua equipa vão ter mesmo de entregar no Tribunal Constitucional a declaração de rendimentos e de património.
Poder-se-ia dizer que finalmente alguém no Governo, ao fim de mais de um mês, apresentava uma réstia de bom-senso. Infelizmente, há dois dias, o Primeiro-Ministro António Costa disse exactamente o contrário, ou seja, que competia aos gestores da Caixa saberem se deviam ou não entregar a declaração e que eles é que decidiriam.
É triste que, dois dias depois, um Secretário de Estado venha desautorizar o seu Primeiro-Ministro. É triste e é grave. Porque mostra que, pelo menos nesta questão, o Governo está à deriva.
E eu que, com o meu voto, contribuí para a Geringonça, ficaria muito admirado se ela implodisse devido ao núcleo original da máquina e não devido aos acrescentos que lhe fizeram, como a Direita sempre disse que ia acontecer.
Quanto ao resto, mantenho a pergunta que fiz há dois dias: o que têm a esconder os gestores da Caixa?

Quando é que o Ministro das Finanças se demite?

António Costa e o seu entediante Ministro das Finanças têm todo o direito de olhar para António Domingues como a última Coca-Cola do deserto.
O que não podem, por causa dessas suas convicções pessoais, é fazer leis à medida de uma pessoa em particular, abrir precedentes perigosos e tratar de maneira diferente situações que são iguais. A partir de agora, que legitimidade moral tem o sensaborão Mário Centeno para exigir a entrega de Declarações de Rendimento e Património a outros gestores públicos?
A forma como esta questão termina – os gestores da Caixa NÃO vão entregar a declaração porque não lhes apetece – é simplesmente humilhante. É que estamos a falar do Ministro das Finanças da República de Portugal, que não tem de baixar as calças a um banqueirozeco qualquer. Que ainda não se percebeu muito bem de que tem medo.

E o Sérgio Monteiro, pá?

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho (E), acompanhado pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, durante a visita à Associação Empresarial do Baixo Ave na Trofa, 31 Janeiro 2015. ESTELA SILVA / LUSA

Os media, António Domingues e Sérgio Monteiro, por Daniel Oliveira

António Domingues foi nomeado para presidente da CGD por um novo governo para dirigir o maior banco português. Não há suspeitas de favorecimento político, tem uma longa experiência de gestão bancária e ninguém, dos que criticam o seu salário, põe em causa a sua competência técnica e profissional. Vai receber por funções muitíssimo claras 30 mil euros mensais. Sérgio Monteiro foi nomeado “vendedor” do Novo Banco por um governo demissionário de que era secretário de Estado e quase todos põem em causa as suas habilitações curriculares para a tarefa. Está a receber, para fazer ninguém sabe muito bem o quê, quase 30 mil euros mensais. Nos sites do “Público” e do “Diário de Notícias” as referências ao salário de António Domingues foram cinco vezes superiores às do salário de Sérgio Monteiro. Nos do “Expresso” e da TSF foram três vezes mais. No do “Correio da Manhã” seis. Não é possível fazer estas contas nos canais de televisão, mas arrisco uma proporção ainda mais favorável a Domingues. Criticar esta parcialidade não é assumir que a polémica é inadequada. O que se critica é a desproporção. Sobretudo quando o caso menos tratado é objetivamente mais difícil de justificar do que aquele que alimentou maior polémica mediática. Estas coisas não acontecem naturalmente. É a agenda política de quem marca a agenda mediática.

Foto: Estela Silva/Lusa@Esquerda.net

Mais um embaraço na CGD

adomigues

A fonte citada pelo Expresso é o Correio da Manhã, pelo que todo o cuidado é pouco. Porém, a confirmar-se, este dado leva toda a situação em torno da polémica contratação de António Domingues para outro nível. Como pode um gestor de um banco privado encomendar um estudo através de um banco público com o qual não tem qualquer vínculo? Se o estudo foi encomendado em Fevereiro, e Domingues só renunciou ao cargo no BPI em Junho, como se justifica que tenha imputado um custo de 3 milhões de euros ao Estado português?

Foto: José Caria@Expresso

Políticas de esquerda, salários de direita

meme

Se o critério que norteia o enquadramento dos salários dos gestores da CGD não permite reduzir a factura – ou pelo menos não a aumentar – do custo que o seu conselho de administração tem para o erário público, existe, a meu ver, uma solução: alterar o critério. Existem, inclusive, propostas do PCP e do BE para limitar os salários dos gestores públicos ao salário do primeiro-ministro ou do presidente da República. Se existem, aqui vai uma lapalissada: é porque pode ser mudado. [Read more…]