Uma oposição sem ideias precisa disto


Com que então, António Domingues entregou a declaração de rendimentos no TC. Depois de um mês neste braço de ferro, acabou a fazer o que disse que não faria, revelando a inutilidade de ter querido uma excepção legal para si. Acho bem que tenha saído, pois demonstrou ser um mau gestor, como é todo aquele que é incapaz de avaliar o contexto económico e político em que se move. Agiu infantilmente e agora leva tudo o que ficou a saber para a banca privada, onde, provavelmente, irá trabalhar.

Centeno não esteve bem por ter   cedido a Domingues em exigências que não eram compatíveis com a lei. Mas esteve pior ao não ter demitido a administração que se recusava a obedecer ao accionista. Devia tê-lo feito logo que Marcelo se pronunciou, evitando ao país todo esta encenação degradante e protegendo a Caixa desta prolongada instabilidade.

Pedir a demissão do ministro das finanças por isto não faz sentido. Faria, isso sim, pelos resultados fiscais, se para tal houvesse razões. Como não há, fazê-lo consiste em alinhar na estratégia de guerrilha de Passos Coelho, o qual quer com este caso criar a instabilidade que precisa para se segurar no cargo. Basta, até, ver que já deixou Centeno para trás, tendo agora galgado para pedir a cabeça de Costa. Não ficará por aqui e continuará a escalar. Agora pede esclarecimentos, como se não estivesse tudo claro, para poder dizer que, não os tendo recebido, é uma falta de respeito ao país. Ainda vai acabar a pedir uma comissão de inquérito e a demissão do primeiro-ministro, estando-se nas tintas para o país.

É esta a estratégia do PSD. Uma oposição que não apresenta uma alternativa política, apenas procurando destruir para emergir entre os destroços. Aos que apoiam o governo resta-lhes denunciar o oportunismo político e a ausência de ideias. Lembram-se como, no governo, Passos acusava repetidamente a oposição de não ter ideias? Ora aqui temos uma oposição sem ideias, basta encontrar o discurso.

Comments

  1. O vazio da oposição é tal que não teve ninguem para ir ao prós e contras de 28 /11 para onde mandou um “reprodutor da cassete” anti costa, anti-Pátria, oferecendo pela enésima vez o degradante espetaculo da falta de vergonha e pudor, reclamando dos outros o que foi incapaz de conseguir enquanto poder. Decência/Ética/Transparência.! Sendo que na fotografia da CGD, e apesar dos esforços da oposição para esconder as responsabilidades que teve enquanto governo, nem govrerno nem o CEO ficam bem . LAMENTÁVEL! mas … como se diz ; no melhor pano cai a nódoa!

  2. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Portugal vai-se gastando em lutas intestinas, num completo manto de irresponsabilidade.
    O Presidente da República deveria ter mão nestas questões que mais não fazem que gastar os Portugueses e descredibilizar esta classe política. Mas prefere “acinzentar-se” e deixar correr as águas.
    O problema é geral e não se resume à luta patética de Passos Coelho e seus “muchachos” contra uma outra Ordem que entretanto se instalou. No passado assistimos ao mesmo.
    É frustrante assistir ao debate semanal, uma manhã de lavagem de roupa suja, sem qualquer valor acrescentado.
    Deputados que se maltratam e não fazem avançar o País. Gente sem qualquer nível que mostram em todo o lado a sua pequenez cívica e nula cidadania.
    Chegamos à altura onde o que é importante é fazer barulho, levantar problemas, criar ruído, desestabilizar. Esta é uma característica desta república: o negativismo com que encara toda e qualquer situação.
    Toda a gente quer ser governo e eles lá sabem porquê. Uma coisa é certa: não é para defender os Portugueses.

  3. joão lopes says:

    A cgd é um balão de O2 para o passos,que se arrisca a perder o emprego de chefe do partido empresarial de Portugal.

    • Hélder P. says:

      Neste momento o Passos Coelho é o político com o emprego mais precário em Portugal. Nem por isso é solidário com os outros precários. Não tarda nada vem aí o despedimento por justa causa no PSD, ou melhor por “razão legalmente atendível” como ele gostaria de reescrever na legislação laboral. Há Rios que vão desaguar na São Caetano à Lapa.

      • joão lopes says:

        pois o Rio,que com alguma sorte transforma o PSD empresas,no PSD monopolio empresarial tipo viva a coca cola,abaixo a pepsi cola.

  4. Nascimento says:

    Não percebo nada disto mas, não foi assim que tivemos um Salazar? Tudo o que aqui leio me leva a esse desígnio.Tanta “desilusão” com a “classe politica” …o que é isso? Estão a fazer o jogo de 1926. E, coitados, são de “esquerda”.

  5. Nascimento says:

    Vai uma aposta que hoje começa a merda? Vão buscar o zarolho? O filho da P…A do ministro da saúde de Passos Coelho???? ACABOU A FESTA!!UAU, SERÁ QUE AQUI NO TASCO NINGUÊM DÁ CONTA DISTO???

  6. Ana Moreno says:

    “Acho bem que tenha saído, pois demonstrou ser um mau gestor, como é todo aquele que é incapaz de avaliar o contexto económico e político em que se move.” Muita bem mandada!🙂

  7. Concordo com quase tudo no artigo de J. Manuel Cordeiro, excepto quando diz que Centeno fez mal em não os demitir. Seria caso para dizer com toda a propriedade, que a fazê-lo, seria pior a emenda que o soneto, pois isso era o que eles estavam à espera que acontecesse para depois receberem umas chorudas indeminizações. Esta gente que vive, banqueteando-se com chorudas prebendas decorrentes de contratos leoninos, bem tentou arrastar o problema talvez à espera do tal providencial despedimento mas, acabou e bem a chupar o dedo.

  8. Ferpin says:

    Anda por aqui muita hipocrisia, torcedela política, etc.

    O antonio Domingos obteve do centeno 4 condições. Uma delas a não divulgação de património ao Correio da Manhã.

    O centeno, ingénuo? talvez convencido por pareceres de advogados daqueles que escrevem o que se lhes pede, que a alteração do estatuto do gestor da cgd no salário envolvia a declaração, deu garantias que naompodia ter dado.

    Baseado nesta garantia do centeno, que de políticos deve perceber pouco, o antonio Domingos, que de políticos deve perceber zero, convidou pessoas, muitas das quais também não querem ter o património exposto no correio da manhã.

    Entretanto a coisa se declara ou não o património arrastou-se. Quando ficou evidente que teria que apresentar o património ao correio da manhã o antonio Domingos demitiu-se.

    Não sou nem nunca fui fã de banqueiros, mas não compreendo onde é que o Domingos falhou, ou mereça ataques à sua honradez. Afinal até deu a bofetada em todos de divulgar o seu património ao correio da manhã.

    Nota: Desde o caso socras, tribunais e correio da manhã para mim são sinônimos.

    Quanto ao centeno, falhou, mas seria ridículo exigir a demissão dele por causa deste assunto.

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