Leitores vítimas de burla no Correio da Manhã

A história envolve uma empresa chamada Just Up, que produziu a série “Ministério do Tempo”, encomendada e transmitida pela RTP. A Just Up não terá pago aos actores, e o Correio da Manha apressou-se a noticiar a alegada burla, atribuindo-a sibilinamente à RTP.

É só mais um caso de manipulação descarada e nada inocente – agravado pelo facto de a “notícia” apenas estar disponível online para assinantes, pelo que o leitor comum fica apenas com a “informação” do título.

A “estratégia de ataque” está em curso desde há vários anos e tem objectivos bem definidos. Foi assim que já se assistiu a uma tentativa de tomada de assalto da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista por um grupo de homens-de-mão da Cofina, por sinal empresa proprietária do CM, que por sua vez é a publicação que detém o maior número de queixas na CCPJ. [Read more…]

À Esquerda, é corrupção. À Direita, é empreendedorismo.

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Encontrado n’Uma Página Numa Rede Social

Um dia após a morte de Mário Soares, o grupo Cofina dá uma mãozinha às pessoas que adoram partilhar as histórias mais escatológicas acerca daquele que hoje é reconhecido como o pai da democracia portuguesa. Na revista, é alegado o seguinte: “Soares quis montar um império da comunicação social. O sonho ruiu, num escândalo de alegada corrupção que ainda hoje está por explicar.” Depois, para sustentar este conceito, a revista Sábado junta factos confirmados com boatos nunca verificados e tece uma narrativa genérica o suficiente para permitir todo o tipo de suposições.

Para quem odeia Mário Soares, isto é perfeito. Sem provar rigorosamente o que quer que seja, a Sábado deixa um clima de suspeição no ar e repete a palavra “corrupção” três vezes ao longo do artigo, permitindo que qualquer opositor da Esquerda use o texto para confirmar o seu enviesamento ideológico.
Esta forma de fazer jornalismo, que deliberadamente pisca o olho às teorias da conspiração, é perigosa. Ela alimenta o clima de pós-verdade (leia-se, “de mentiras”) que está a corroer o jornalismo sério e objectivo. Ela cria hordes de ignorantes que adoram queimar bruxas na fogueira e para quem o conceito de presunção de inocência é uma extravagância criada para proteger corruptos.

Porém, não é esse o motivo que nos leva a escrever acerca do assunto. O que nos chamou a atenção neste artigo é a espectacular dualidade de critérios no tratamento que a comunicação social portuguesa dá à Esquerda e à Direita em Portugal.
Reparem, a revista Sábado pertence à Cofina Media SA, um dos grupos mais influentes da nossa comunicação social e que, através do Correio da Manhã, regularmente alimenta o ódio e o preconceito contra a Esquerda. Ainda em 2011, o Governo de Passos & Portas, através de Miguel Relvas, procurou privatizar a RTP, entregando-a à Ongoing e, precisamente, à Cofina.

A outra empresa que domina as notícias em Portugal é o grupo Impresa, criado por um dos fundadores do PSD, Francisco Pinto Balsemão, e que caracteriza a sua acção pelo destaque (leia-se, “pela promoção”) dado aos dirigentes do PSD. Neste preciso momento, enquanto escrevemos isto, Marques Mendes dá a sua homilia dominical aos espectadores.

Posto isto, falemos de dualidade de critérios. Em Portugal, os grupos Cofina e Impresa são vistos como grandes empresas, que dão trabalho a milhares de pessoas e determinam o tipo de conteúdos que os portugueses vêem, lêem e ouvem. Francisco Pinto Balsemão, para todos os efeitos, é um dos fundadores da nossa democracia e um dos maiores empresários do país. Porém, quando alguém ligado ao PS tentou criar um grupo exactamente com as mesmas características, isso rapidamente foi classificado como corrupção.
Ou seja, num país onde a comunicação social é dominada por um dos fundadores do PSD e por um grupo opositor da Esquerda, os jornalistas promovem a ideia de que um grupo criado por pessoas do PS consistiria numa tentativa de controlar a informação.

À Esquerda, é corrupção. À Direita, é empreendedorismo.

Este é, provavelmente, o caso mais sintomático de como o preconceito e a dualidade de critérios estão enraizados na interpretação que muitos jornalistas fazem da nossa realidade.

Orgulhosamente empreendedores.

«O ‘Jornal de Negócios’, relativamente à maioria parlamentar de esquerda que rejeitou o governo da coligação PàF,

tem tido um comportamento impróprio de um jornalismo da democracia, i.e., responsável, imparcial e consonante com os interesses do País.»
[Carlos Fonseca disse-o e agora repetiu-o]

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Liberdade de informação: ainda o caso Cofina

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(c) Shannon Stapleton/Reuters
Julho de 2011. Empregadas de hotelaria em manifestação junto ao Palácio de Justiça de Nova Iorque

Sim, “as trevas do fascismo” (designadamente o autoritarismo e a censura) pesam ainda na natureza profunda de um povo habituado a comer e a calar o que lhe estende uma elite que a democracia não conseguiu transformar em capazes representantes desse povo, antes tendo-se regenerado através dos serviços que tem prestado a todos menos a esse povo. Passados mais de 40 anos, as marcas desse tempo demasiado ainda estão presentes nos lugares mentais de todos: dos que detêm o poder, com a naturalidade perpétua de ser assim, numa sociedade fortemente desigual (herdeira de um feudalismo que prossegue determinando composições sociais que negam a mobilidade social que a democracia justamente favorece), e dos que o sofrem, pois o poder exerce-se quase sempre contra o Outro, mesmo quando se diz dele que é representativo. Trata-se de um padrão humano, que em Portugal toma a forma de característica constitutiva.

Vêm estas considerações histórico-político-filosóficas ainda a propósito do caso Correio da Manhã (CM) e da proibição decretada por um tribunal de toda e qualquer publicação relativa ao caso Sócrates no conjunto de títulos detidos pelo grupo Cofina. Considerada excessiva – entre outros por mim própria neste texto –, a medida censória choca pela aparente desproporção da sua abrangência. [Read more…]

Democracia e liberdade de informação

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(imagem Rui Tukayana/TSF)

A proibição de publicação no Correio da Manhã (CM) e demais órgãos de comunicação social detidos pelo grupo Cofina de notícias ou outros conteúdos informativos sobre a investigação que prossegue no DCIAP ao ex-primeiro-ministro José Sócrates é um evidente excesso. Um excesso censório que atenta contra a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e o direito à informação.

Podemos não gostar do jornalismo que é praticado pelo CM, considerar que peca por manifesta falta de isenção e pluralismo, e também por excesso de perseguição política a determinados actores e/ou sectores da sociedade portuguesa, isto é, por falta de imparcialidade – condição do jornalismo deontologicamente auto-enquadrado, o único que aceitaríamos legítimo num mundo idílico, onde para além de jornalismo tablóide e sensacionalista não houvesse também médicos esquecidos do juramento de Hipócrates, advogados a soldo, etc.

Podemos considerar que esse jornalismo cabe na categoria do entretenimento mediático ou que é propaganda, por evidente e reiterada manipulação da informação e dos dados e factos que a sustentam, omissão de contraditório, anulação de adversários, violação do segredo de justiça, etc., práticas que revelam um exercício deliberado de desinformação, em favor da manutenção de audiências populares. [Read more…]

Destak comprou o Metro:

Hummm, como será que o grupo Cofina vai actuar no mercado dos gratuitos agora que adquiriu o Metro, juntando-o ao Destak e Meia-Hora?