Até sempre…

RIP Zé Pedro…

A recessão calorosa

O seu papel não era olhar; era ir inteiro com as mãos ao pescoço, com o joelho à arca do peito, e retirar-se uns minutos depois, como um instrumento que tivesse cumprido correctamente a sua função.

Miguel Torga

passaríamos pela sala do senhor Oliveira, que nos ouviria de olhos esbugalhados e testa toda franzida e perceberia logo que ui, essa zona quando dói é sinal que a coisa já está bastante mal, isso não me cheira nada bem

— Carla Romualdo

Hic ostendit propheta, si a bonis eloquiis interdum propter taciturnitatem debet taceri, quanto magis a malis verbis propter poenam peccati debet cessari.

— Regula Benedicti

***

Há alguns anos, avisei: “vem aí a recessão“. Ei-la, calorosa.

recessao

Os Tradutores Contra o Acordo Ortográfico (aos quais agradeço a foto aqui reproduzida, tal como ao autor, Daniel Abrunheiro) indicaram esta distinção proposta por Malaca Casteleiro, na entrevista dos assentos: [Read more…]

Recordatório

Senhor engenheiro

Xutos: avé, avé

35 anos, sempre a rasgar: Xutos & Pontapés, a melhor banda portuguesa, para sempre (e ninguém pára a Irmã Lúcia, pois é).

Que se cante o fado 
Que se louve a saudade 
Este país quer mais futebol 
Que se pague a conta 
Que se roubem os velhos
Que nada se passe
A não ser a fome 
E que o país por fim apodreça
Pega na vela e torna a acender
Derrete a cera e torna a vender
Ninguém pára a irmã Lúcia, ninguém pára a irmã Lúcia, oéé

Cantando espalharei por toda parte/partilhai e espalhai a mensagem

Ricardo Costa 1142013
Ricardo Costa, director de um jornal que, há cerca de três anos, decidiu “poupar letras” e *adotar o acordo ortográfico, diz que este texto “não corre o risco de ser muito partilhado no Facebook e de circular na net por um ou dois anos”. Antes pelo contrário, Ricardo Costa. No que me diz respeito, considerando a incontestável qualidade da grafia empregada (sim, no segundo parágrafo, aparece uma *fatura, mas gralhas, como falhas, todos as temos) e respondendo ao apelo com que remata o texto (“partilhai e espalhai a mensagem”), como diria o Poeta, “cantando espalharei por toda parte, se a tanto me ajudar o engenho e arte”, por um, dois, quatro, seis ou mais anos se for preciso: no Facebook, sim, claro, mas também no Twitter, pois então.
Gostei muito deste texto, Ricardo Costa. Muito obrigado. Melhor prenda no meu primeiro aniversário no Aventar não era impossível, é verdade, mas admito que era difícil.
Agora, só falta fazer-se justiça. Sim, justiça. Falta o Expresso deixar de utilizar várias grafias e permitir que os seus jornalistas possam adoptar a grafia do director, uma grafia que, afinal, também é deles. Exactamente.

Bob Marley e Zé Pedro

Is this love, Bob Marley

Duas figuras da música são hoje notícia; curiosamente, dois defensores da liberdade, da paz e da justiça social. Um, Marley, faleceu há 30 anos, com apenas 36 de idade. Outro, Zé Pedro, dos Xutos, vai ser submetido a um transplante do fígado.

O desaparecimento ou sofrimento de quem admiramos dói sempre. Nestes casos, dói-me absoluta e justificadamente. Tive o privilégio de viajar, lado a lado, em vôo Londres-Lisboa, com Bob Marley. Ia para África. Duas horas de conversa inesquecíveis. Foi na 2.ª metade da década de 1970. Aprendi que Marley era um inconformado lutador contra a fome, a miséria e as desgraças que ainda hoje castigam os povos de África, em especial os subsarianos. Marley era jamaicano de nascimento, mas africano de alma e coração. Como o tempo voa! Hoje, completam-se 30 anos desde a sua morte. Para mim, o rei do Reggae será sempre um símbolo vivo e digno de homenagem.

Zé Pedro, fora dos palcos, a última vez que o encontrei foi no Museu do Arroz, na Comporta. Festejava com familiares e amigos a recuperação de um caso complexo de saúde, de que havia sido acometido em Portimão tempos antes. Agora, está confrontado com a necessidade de se submeter a um transplante de fígado. No limite da capacidade humana, aquém e além dos médicos, dou-lhe publicamente o meu estímulo para que vença mais esta etapa. Força Zé Pedro! Os meus votos são sentidos e sonorizados, por “Is This Love” de Bob Marley. Uma canção com letra à feição de Zé Pedro, penso.

25 de Abril: estragaram-no, queremos um novo

Xutos & Pontapés – Sem Eira Nem Beira

Zé Leonel, 196?/2011

Zé Leonel, fundador dos Xutos & Pontapés e dos Ex Votos. R.I.P.

*

Nota pessoal: Há alguns dias tive a oportunidade de assistir a um ensaio dos Ex Votos para o concerto de homenagem a Zé Leonel na Malaposta. Nessa altura, dado o seu estado de saúde, não se sabia se o músico poderia participar ou até assistir ao concerto. Felizmente foi possível. Os Ex Votos prepararam o seu primeiro espectáculo acústico de sempre para esta homenagem, numa atitude que chamaram de “à homem”. Ainda bem que o fizeram. Deram a Zé Leonel, estou certo disso, uma das últimas grandes alegrias. À Homem.

A liberdade na comunicação social a xutos e pontapés

Esta canção não passa nas rádios portuguesas. Só no youtube tem 600 000 visualizações.

Finalmente as rádios portuguesas abandonaram a ditadura das audiências e decidiram ensinar o povo a ouvir (sim, que o povo é surdo e a música popular nunca existiu).

No top nacional de vendas (e sim, quem faz o top é quem vende não é quem compra) deve estar agora isto:

O que faz de Portugal um exemplo para o mundo. Das Honduras ao Irão, todos têm aqui muito que aprender.