Uma esmolinha para o magistrado, faxavor!

Paula Teixeira da Cruz terá afirmado que não se deve retirar aos magistrados o direito a andar gratuitamente de transportes públicos, porque isso obrigaria o Estado a pagar ajudas de custo para as deslocações de serviço.

Arrisco-me a ser confundido com o portuguesinho que critiquei há pouco tempo, mas seria interessante investigar quantos e quais são os trabalhadores que pagam, do seu bolso, o transporte que os leva ao local de trabalho. [Read more…]

Manuel Sobrinho Simões e os coitadinhos dos cábulas

Manuel Sobrinho Simões teoriza quanto aos cábulas que foram apanhados em flagrante delito e a quem não lhes aconteceu o mesmo que acontecerá, em princípio, aos que em iguais circunstâncias (flagrante delito) lhes passarem pelas mãos. Falo, portanto, dos futuros magistrados que foram apanhados a copiar tiveram todos nota de dez valores. Transcrevo parte das declarações (Antena 1, 17 Junho 2011 00h00):

Manuel Sobrinho Simões – As pessoas não acham que copiar é uma fraude. (…) Porque infelizmente na nossa cultura isso não é considerado uma fraude. Não é considerado desonesto, é considerado uma esperteza saloia. Eu acho é que a nossa sociedade é permissiva com a esperteza saloia, com a aldrabice. (…). Eles [os alunos que copiaram] coitados são apenas um epifenómeno de uma coisa terrível, que é uma doença social. Nós não punimos a desonestidade; nós não somos exemplares, como povo.

Jornalista – Como é que isso se transforma, como é que podemos mudar isso?

Manuel Sobrinho Simões – Não sei.

E que tal deixar-se de floreados e de “coitadinhos, são umas pobres vítimas da sociedade, ah e tal não sei como se muda a sociedade” e começar a mudança pelo exemplo de base? Sei lá, em vez de se começar a casa de mudança da sociedade pelo telhado, começar pelo alicerce dos casos concretos?

A Justiça na Mão de Chicos-Espertos

Copiasteis? Nivelemos por cima: nota 10.

Copiaram e passaram? O crime compensa!

Marinho e Pinto tem dias melhores e dias piores. Hoje está num dos bons, e acha que os putativos magistrados apanhados no copianço devem repetir a prova. Concordo.

Mas, prevendo que tudo fica em águas de bacalhau, como é que devemos dirigir-nos a essas doutas personagens? Digníssimo juíz? Meretíssimo?

Nem pensar! O máximo possível, por aproximação fonética, será meretríssimo.

A propósito de “Mudar – a Justiça”

Por natural interesse, segui a leitura feita pelo Luís Moreira aqui e aqui no Aventar, do livro “Mudar” de Pedro Passos Coelho quanto à Justiça.

Não li o livro, pelo que sobre o mesmo não me posso pronunciar directamente. Mas li o que em sede de Justiça, Pedro Passos Coelho conversou, defendeu, segundo o que o Fernando Moreira de Sá aqui relatou.

Falarei, pois, do que Luís Moreira escreveu acerca da Justiça segundo o  teor  do livro. E tentarei ser sucinto, pois nem quero tornar-me repetitivo em relação a futuros textos que viso publicar em breve.

A qualificação técnicas dos magistrados, principalmente dos magistrados judiciais, não penso que cause empeno à Justiça. Estou certo, até, que hoje estão muito melhor preparados para iniciar a carreira do que estará um advogado – por culpa do modelo perpetuado na Ordem dos Advogados que a actual Direcção está atentar adequar às exigências de hoje.

O que faltará, sim, é a perspectiva humana da consolidação e do amadurecimento a quem se entrega o poder de, efectivamente, julgar os outros. A culpa não é dos magistrados, é do actual modelo permitir que alguém com vinte e poucos anos seja juiz. Lamento, mas não acredito que tenha a maturidade suficiente para tal, com o devido respeito por eventuais honrosas excepções. Ainda para mais, face ao progressivo enraizamento da lógica sindical dentro de ambas as magistraturas.

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