Uma esmolinha para o magistrado, faxavor!

Paula Teixeira da Cruz terá afirmado que não se deve retirar aos magistrados o direito a andar gratuitamente de transportes públicos, porque isso obrigaria o Estado a pagar ajudas de custo para as deslocações de serviço.

Arrisco-me a ser confundido com o portuguesinho que critiquei há pouco tempo, mas seria interessante investigar quantos e quais são os trabalhadores que pagam, do seu bolso, o transporte que os leva ao local de trabalho.

Dentro da minha profissão, sou um privilegiado cuja residência fica a menos de dez quilómetros da escola. Outros professores não têm tanta sorte e são obrigados a percorrer várias dezenas de quilómetros, todos os dias, sem direito a usar gratuitamente os transportes ou a ajudas de custo.

As contas são fáceis de fazer: o salário de um professor depende do número de quilómetros que for obrigado a fazer para ir trabalhar; o salário de um magistrado não é afectado por esse factor.

Não tenho nenhuma proposta a fazer, porque tenho mais queixas do que soluções, mas, para lá do muito que calo, limito-me a notar que a ministra da Justiça defende os interesses dos funcionários que estão sob a sua alçada.

Comments

  1. João Ribeiro says:

    Parece que a coisa é para garantir a independência dos magistrados, pelo menos nas palavras de um deles que que dirige a respectiva estrutura sindical. Não se poderá inferir daí que é licíto, do ponto de vista ético e formal, os restantes profissionais exercerem o seu desempenho sem esse mesma independência? Os professores sempre poderão aceitar umas prendinhas para repensarem a avaliação final dos seus alunos e os médicos poderão marcar consultas mais rapidamente quanto se lhes oferecer uma cestinha de ovos ou duas galinhas.

  2. Maquiavel says:

    Pois eu acho é que deveria ser obrigatório aos magistrados andar de transportes públicos, já que querem que seja feito gratuitamente. Quid pro quo (eles entendem).

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