Teclados e cenotáfios

Michael Aspel: You’ve got lakes as well, haven’t you?

George Harrison: Legs? Yeah! I’ve got legs.

—  Aspel & Co. 1988

Sê prudente no pisar, pois pisas os meus sonhos.

— W.B. Yeats (PT/EN1/EN2)

Queimava‑se‑lhe o corpo na tarimba. E agora aqui está na noite chuvosa e fria, de samarra grossa bem agarrada ao corpo, sem saber o que deve fazer, embora saiba bem o que deseja fazer. Mete por detrás das barracas que ficam junto do valado. Quer confundir‑se com a escuridão, não vá alguém descobri‑lo; sobe ao carril das oliveiras, esconde‑se, espreita a noite para descobrir qualquer vulto, ou luz, ou ruído. O Tejo marulha de mansinho na areia.

— Alves Redol, “Avieiros

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Há uns anos, ou seja, antes de Janeiro de 2012, “contatar diretamente” não era possível em Portugal. Todavia, actualmente, no sítio do costume, isto é, em Portugal, de facto, é possível.

E “fim-de-semana”, assim, com hífenes, é possível com o Acordo Ortográfico de 1990? [Read more…]

Passos Coelho apanhado no caso Vistos Gold*

Este texto – e em particular o seu título – foi inspirado numa peça da CMTV, na qual o órgão de comunicação social mais desonesto e ridículo do panorama jornalístico nacional afirma que “Costa promove jantar no Panteão”. Uma primeira leitura poderá induzir o leitor no erro de achar, dada a utilização do presente do verbo “promover”, que o primeiro-ministro se encontra actualmente em diligências para a organização de um evento no Panteão Nacional, apesar da polémica gerada pelo jantar de encerramento da Web Summit, que as suas declarações vieram incendiar ainda mais. [Read more…]

Penteão

Fica tudo mais simplificado

Anda aí um grande tumulto por causa do jantar de gala da feira das vaidades internéticas se ter realizado no Panteão Nacional. Acho que têm razão, sobretudo atendendo à memória curta de António Costa, o qual se revela igual entre pares, e ao lavar de mãos de outros protagonistas. O Paulo Guinote explica isto bem.

Mas é de ver o lado positivo da coisa. Finalmente, podemos dar por encerrada as discussões sobre quem vai para o Panteão e sobre fulano x acabar a partilhar sete palmos de terra por toda a eternidade com quem não aceitaria estar lado a lado em vida.

E isto será possível graças a estes jantares no Panteão. Se é digno os vivos comerem no lugar de descanso dos mortos, porque não hão-de os mortos repousarem nos locais onde os vivos almoçam e jantam? Legisle-se para que se possa regionalizar o Panteão Nacional (aí está outra vantagem, a regionalização – isto só pode ser uma grande ideia). Criem-se leis para podermos ter a Delegação Regional do Panteão Nacional na Metinha dos Leitões. Ou no Gambrinus. Ou no Manjar do Marquês, em Pombal. É só escolher e até se pode fazer um catálogo de reputação mortuária associado às estrelas Michelin. Estão a ver o slogan? “Você, a sua paixão e a alma de Negreiros à mesa.” Ou então “Jantar a três e só duas contas.”

Isto merece uma app de aconselhamento cultural. “O que é que combinará melhor com um chateaubriand? Um toque de Eusébio ou uma pitada de Sofia?” Podem usar a ideia à vontade na próxima web summit e nem têm que agradecer.

Prefiro bacalhau

requiem_panteaoPeixe ou carne? – escolherei bacalhau como prato principal se um dia me convidarem para jantar num cemitério. Prato secundário, Dead Can Dance. Ou o Mestre de Culinária do Quim Barreiros, também pode ser. Como sobremesa, optarei pelo Graveyard Poem do Jim Morrison, nada contra Amália Rodrigues.

Dia de Panteão

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Cumpra-se a vontade popular e a unanimidade parlamentar.

“Trânsito para em Lisboa esta sexta-feira à tarde para deixar passar Eusébio”?

Não. “Trânsito pára em Lisboa esta sexta-feira à tarde para deixar passar Eusébio”. Felizmente, o Público não se mete nessas coisas.