Relatório de organismo da UNESCO arrasa câmaras de Gaia e Porto por causa do Centro Histórico/Património Mundial

Demolições em massa no Centro Histórico de Gaia

 

O ICOMOS (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios), uma organização não governamental global associada à UNESCO, acaba de publicar um Relatório Técnico de Avaliação sobre o Estado de Conservação do Bem inscrito na Lista do Património Mundial: Centro Histórico do Porto, Ponte de D. Luíz I e Serra do Pilar.

Este documento, que cita três artigos* sobre as Caves de Vinho do Porto oportunamente publicados aqui, no Aventar, tece gravíssimas considerações sobre a actuação das autoridades públicas portuguesas, no que respeita à defesa da integridade do Património do Centro Histórico de Gaia e Porto.

*Artigos citados pelo relatório do organismo da UNESCO:

A ler:

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Caves de Vinho do Porto: sob as pedras, o silêncio

Caves de Vinho do Porto, Gaia, 18 de Fevereiro de 2018. Clique para ampliar.

Sob o silêncio cúmplice das instituições do Estado responsáveis pela preservação do Património, das forças políticas da oposição em Vila Nova de Gaia, incluindo o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda, da Comunicação Social e das eminências pardas da “sociedade civil” que costumam apresentar-se como grandes arautos da defesa dos valores identitários e do património histórico e arquitectónico do nosso país, prossegue no Centro Histórico de Vila Nova de Gaia, na zona das Caves de Vinho do Porto, o verdadeiro atentado que as imagens documentam.

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Caves de Vinho do Porto: RTP diz que “existem problemas” com o World of Wine

identificados pelo Vice-Presidente do ICOMOS, que teme pela preservação do Património Mundial.

Porto pode perder classificação da Unesco

Simulação do projecto para a Real Companhia Velha

A afirmação é do Arquitecto Rui Loza, actual Vereador com o pelouro do Urbanismo da Câmara Municipal do Porto e coordenador do processo de candidatura do Centro Histórico do Porto à inclusão na Lista do Património Mundial da UNESCO.

Numa conferência organizada pela Câmara de Gaia em 2015, sob o lema “Cidades de Rio e Vinha – Memória, Património e Reabilitação”, o Vereador da Câmara do Porto alertava para o “risco de abuso cultural decorrente da desvitalização da vertente industrial das caves”, realçando que “há a tentação de construir [nas Caves] uma nova cidade com vistas para o Porto”.

Rui Loza chegou a afirmar que “há muita gente a colaborar com o processo de destruição em massa dos Armazéns [de Vinho do Porto]” que são o ex-libris do Centro Histórico de Gaia.

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Coimbra não é uma lição

coimbra

Mais emblemática e conhecida, a demolição de todo um bairro, incluindo diversos colégios universitários, para construir uma obra prima do mamarrachismo chamada universidade do Estado Novo, não é filha única de uma cidade cuja história se caracteriza por isso mesmo: demolir.

Tivemos uns séculos de presença árabe: não sobra um calhau. O espaço mais simbólico da fundação de Portugal, o Mosteiro de Santa Cruz, levou no século XVI com um camartelo que destruiu, por exemplo, o espaço onde o primeiro rei se quis sepultar. Outra torre, já no século XX, foi derrubada antes que caísse em cima de um passante.

Do castelo procuram-se vestígios entre o casario que levou em cima. Igrejas arrasadas, ou transformadas em mau gosto revivalista como S. Tiago, são ao pontapé.

A cidade que nasceu de uma ponte sobre o Mondego, e recebeu nome de um bispo foragido, é agora, em parte, património mundial, diz a Unesco. O nosso melhor edifício universitário, o Colégio da Sapiência, de S. Agostinho ou dos Órfãos não conta, o maneirismo deve ficar mal nas fotografias.*

A parte chama-se Universidade de Coimbra. Às vezes gosto de imaginar como seria um sossego a minha aldeia, sem a dita ter vindo para aqui de vez num dia em que João II se vingou sabe-se lá de quê.

Mas nada  iguala o Mondego, rio da minha aldeia, muito menos o Tejo, nem a aldeia chamada Coimbra. É a minha aldeia, e a partir de agora património mundial,  vai dar-lhes mais trabalho dar cabo dela. E sim, estou contente, parabéns a todos os que se esforçaram por isso, e vou fingir que não me lembro de todo o seu património destruído.


* Afinal dizem-me que está, embora não conste de um folheto distribuído à população.

Leitor de tabaqueira

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(foto de Lewis Hine)

“Ganham a vida a ler em voz alta” para os colegas da fábrica de charutos. Uma profissão que é património nacional e quer ser mundial.

Que coisa fantástica, esta notícia que tomo conhecimento no último dia do ano!

Cada fábrica de charutos de Cuba tem um leitor!

Lêem jornais, poesia, revistas de cozinha, o horóscopo da semana, livros para ensinar a perder peso, romances eternos ou até o último best-seller de Dan Brown. “Sem eles a rotina dos operários que passam os dias a enrolar folhas de tabaco não seria a mesma.”

São “peça essencial na indústria tabaqueira” cubana.

Uma profissão com 150 anos e única no mundo!! Foram eles que fizeram a politização dos trabalhadores do tabaco.

Atenção aos autores lidos desde o século XIX: Dostoievski, Balzac, Shakespeare, Dumas, entre outros. É preciso dizer que quando nasceu esta profissão, em 1865, 85% dos operários eram analfabetos.

Hoje restam ainda entre 250 e 300 leitores nas fábricas de charutos em Cuba ” e a sua função mantém-se inalterada”! [Read more…]

O País da Paz

Interessante e arejado o texto de José Vítor Malheiros, hoje no Público. Descortinou um segredo, um sonho, uma ideia política que há tempos circulava na sua cabeça. Escreveu ele que Portugal se devia dedicar à Paz.

Também eu quero que o nosso país continue a ser um país de paz como há poucos, dedicado a ela, especialista nesse domínio, como outros “se dedicam aos relógios”!
J.V.M. aponta mesmo para a ideia da criação de cursos, estudos e missões de paz! Portugal como o país especialista em promover a paz em todo o mundo.
Portugal já é acolhedor, mas seria mais que isso: tornar-se-ia “o país acolhedor por excelência”!
“Especializar-nos na paz, na arte do encontro, da conversa, da descoberta, da negociação, na alegria da diferença. (…) A paz sai mais barata que a guerra”!

E eu acrescento: Portugal seria o país da Paz como o Butão é do FIB (Felicidade Interna Bruta), os EUA da Coca-Cola, a Holanda das tulipas, o Brasil do Samba, etc.

Há coisa melhor que viver em paz?

A paz já é, por si, um cenário, uma música de fundo, um sabor e um perfume.

A Paz em Portugal, como já foi o Fado, a património mundial!! E porque não?

Em terra de vinhos

Por HUGO OLIVEIRA

1- Na cidade de Bordéus existe uma pequena praça, igual a tantas outras. Envolvida por árvores. Alguns bancos para se sentar. Espaço para se estar, brincar. Dois arquitectosforam escolhidos para embelezá-la. Após várias conversas com os moradores e de inúmeras visitas ao local, chegaram à conclusão de que a praça já era bonita assim como estava. Os edifícios circundantes também partilhavam dessa bela simplicidade. A vanidade tão frequentemente associada aos arquitectos foi renunciada ao se constatar que não era necessário um projecto de arquitectura. Podar as árvores, cuidar do cascalho. Uma simples vassourada era suficiente.
 2- O Douro Vinhateiro, por outro lado, não é qualquer praça. A sua beleza é bem mais complexa. Os elementos que a compõem estão associados à “produção de vinho, através dos seus terraços, quintas, vilas, capelas e caminhos” e não propriamente à produção hidroeléctrica. Segundo especialistas, a criação da famigerada barragem do Tua levaria à submersão de significativas áreas da zona classificada pela UNESCO. Do ponto de vista económico também haveria consequências muito fortes (há quem fale de um aumento na já elevada factura de electricidade fazendo lembrar os já elevados lucros – €1079 milhões – registados pela EDP em 2010). [Read more…]

O esquizofrénico José Viegas (I)


O secretário de estado da Cultura, António Sousa Homem, ou melhor, Francisco José Viegas, vai estar hoje em Coimbra para formalizar a candidatura da Universidade a Património da Humanidade junto da UNESCO. Isto enquanto, em simultâneo, anda a tentar por todos os meios foder igual classificação do Alto Douro Vinhateiro.
Viegas deve achar que uma mão limpa a outra, por isso não tem mal se perdermos uma classificação desde que consigamos alcançar outra.
A candidatura da Universidade de Coimbra vai ser entregue na UNESCO até ao dia 1 de Fevereiro. Aconselho Viegas a aproveitar a ocasião para entregar também o relatório do ICOMOS que põe em causa a continuidade do Douro Património da Humanidade se a Barragem do Tua for construída.

Pela desclassificação do Douro como Património Mundial da Humanidade

Valee e Linha do Tua, foto de Jorge Câmara


O Douro Património Mundial deve ser desclassificado imediatamente pela UNESCO. Dresden já o foi, por causa da construção de uma ponte sobre o rio Elba, e Omã também, por causa da invasão do Santuário do Oryx por uma exploração petrolífera.
É exactamente o caso do Douro e da Barragem do Foz-Tua, que destrói todo o Vale do Tua e a sua linha férrea. São danos irreversíveis, como muito bem diz a UNESCO, por isso a continuidade da construção da Barragem tem de implicar obrigatoriamente a retirada da classificação.
Nada que preocupe demasiado quem manda em Portugal. O que interessa para os neo-liberais que nos governam é ganhar dinheiro e os números é que contam. Mesmo que os contribuintes sejam obrigados a despender milhões por uma infra-estrutura totalmente desnecessária, o que interessa é que a EDP leve adiante os seus negócios.
Desclassifiquem o Douro imediatamente. E de seguida prendam, entre outros, os criminosos Mexia, Sócrates e Passos Coelho.

Património Mundial à portuguesa

Património mundial

é orgulho, com certeza

falta pôr no pedestal

é uma treta à portuguesa *

* Adaptado de Sérgio Godinho