Coimbra é uma lição

Manif-Reitoria

Outono de 1570: o jovem rei Sebastião viaja até Coimbra, entra numa aula, e é recebido com uma enorme pateada. De imediato mete a mão à espada mas é serenado: tratava-se de uma tradição académica de reverência a sua majestade, uma honraria rara, uma praxe, dir-se-ia tempos mais tarde, e o rei sorriu, agradeceu, e segundo um cronista voltou todos os dias repetindo-se o enxovalho.

Verão de 2014: numa comemoração os governantes são interrompidos por

um grupo de estudantes repúblicos, empunhando cartazes e interpelando e interrompendo os oradores, recorrendo a linguagem rude e até a insultos.

As “provocações” estudantis fizeram-se sentir com particular intensidade durante a intervenção do presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado. Neste contexto, o orador seguinte – o secretário de Estado da Cultura, Barreto Xavier – recusou-se a falar.

A enxovalhar governantes desde o séc. XVI, isto é que é uma tradição académica, centenária, património da Humanidade. Mai nada.

 

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Paraíso Perdido

Fica aqui um excelente vídeo que é mais um grito contra a construção da barragem do Tua. Mais uma prova de como os sucessivos governos permanecem egocentrados e cegos a tudo o que de bom este país tem. Ao visualizar mais uma prova do crime que está a ser cometido, só me ocorreram palavras indecorosas que, por respeito aos leitores, não revelarei aqui.

Sócrates, «teus netos vão-te perguntar em poucos anos» pelo paraíso que já não vemos e pelos comboios que já não usamos. Que lhes vais responder?

E agora, se me dão licença, vou ali gritar umas palavras barbudas e já volto.

A UNESCO e o Tua

José Manuel Pavão,
Mirandela, 17-7-2012


Bem pode o laureado Souto Moura, arquitecto muito apreciado e distinguido nos Foruns internacionais, puxar pela cabeça, esmerar-se e caprichar no seu projecto de tentar ocultar a gigantesca parede de betão que a poderosa EDP, contra ventos e marés sob os protestos de esclarecidos resistentes dos Movimentos Cívicos e insuspeitos órgãos de informação (…), decidiu construir na foz do rio Tua em arriscada e porventura negligente colisão com o estatuto do Douro Património Mundial.
Ainda que a sua obra possa ser aplaudida, cujo preço os portugueses por enquanto desconhecem mas que por certo não contemplará nenhum desconto ao dono da encomenda, ela será sempre um bonito penso de proteção em cima duma cicatriz testemunha de má e insensata intervenção do seu executor!
Chegados ao epílogo deste tempestuoso romance configurado na construção apressada duma barragem hidro-eléctrica no ponto onde o sofrido rio Tua se entrega extenuado no portentoso Douro, já não vale a pena argumentar com a destruição dum vale único pela sua singular beleza, nem da sua linha ferroviária orgulho da Engenharia portuguesa e que com alguma imaginação poderia ser a alavanca para o tão necessário quanto vital desenvolvimento sustentado da região empobrecida que parece não causar preocupação aos sucessivos governos da República. Como também não vale a pena trazer de novo à baila os poderosos argumentos fruto de cuidados estudos universitários que demonstram ser dispensável a intervenção no rio Tua como fonte de aumento de produção energética. [Read more…]

Souto de Moura Disfarçado de Ignorante

O prémio Pritkzer 2011, arquitecto Souto de Moura, está sem trabalho em Portugal, e decidiu agora enveredar pelo caminho da idiotia.
Em entrevista à Visão desta semana, afirma o distinto arquitecto que “gostava e perceber os movimentos ecologistas“. E continua: “faz-me impressão o maniquismo: a barragem é má , o betão é mau, o verde é bom. E a energia eólica custa seis vezes mais que a hídrica.”
Pretende assim justificar-se e justificar a excelsa beleza do projecto de maquillage de um escarro chamado Barragem do Tua; inteligente como é, Souto de Moura tem feito, não obstante, muito poucas leituras sobre os argumentos a favor e contra a barragem do Tua. Se não saberia que os “ambientalistas” não falam contra “o betão” ou contra as barragens. Falam claramente contra este mono de betão desnecessário, colocado na foz daquele rio que corre naquele vale único, e justificado pela Eléctrica chinesa como sendo necessária para produzir electricidade. Ora, já todas as pessoas de fé sabem há muito que uma modernização da barragens já existentes supera largamente o alegado acréscimo de potência a debitar pelas barragens do famigerado “Plano Nacional de Barragens“.
Como se vivesse num mundo só seu, o arquitecto finge ignorar o meio que o rodeia, a ele e à roupagem que desenhou para a barragem. Junta-se assim a uma ministra da CULTURA (Canavilhas), a vários ministros inábeis do Ambiente – e há que relembrar a indisfarçavel cumplicidade de Assunção Cristas (criminosamente ignorante ou apenas ignorante?). E junta-se também a um intelectual de craveira para quem as palavras vertidas preto no branco, em 1988, em homenagem ao avô, valem nada, são letra morta. Francisco José Viegas, “escritor“…

Senhor arquitecto Souto de Moura, quando a UNESCO despromover o Douro, vai dizer que não conhecia a região? Vamos rir…

Saudades da Ilha de Gorée, Senegal

Ilha de Gorée

Porque hoje á Sábado, deixo de lado a nefasta gente. O Gaspar, tido como sábio burocrata das finanças, dizem, está em pânico. Que, assim, permaneça por longo e arrastado tempo. Cheio de pânico e mentalmente imobilizado para novas medidas de austeridade. Infelizmente é desejo sem sucesso, penso.

Porque hoje é Sábado, sinto vontade de gritar: QUE SE TRAMEM OS COELHOS, OS GASPARES E TODOS OS OUTROS QUE GRAVITAM À SUA VOLTA E Á VOLTA DE OUTROS QUE TAIS! Sim, todos eles, já inscritos na História como os argos das argoladas.

Porque hoje é Sábado, imaginei-me a revisitar a Ilha de Gorée, frente a Dakar. A caminhar por aquelas ruelas estreitas, marcadas por histórica arquitectura de portugueses, primeiro povo europeu a chegar a essa pequena ilha, em 1444. Mas, onde também se me colou no pensamento a tristeza da ‘Casa dos Escravos’; ali eram retidos de passagem para a América.

Porque hoje é Sábado – Saravá Vinícius! – sinto-me a admirar o casario de Gorée, semelhante na traça à Baixa do Sapateiro em São Salvador. Como fomos enormes e nos deixámos apoucar desta maneira! Desditas do processo histórico. E olhando o Atlântico de uma praia de  Gorée, africana e ufanamente empoeirado, ouço com solenidade e indescritível gozo interior Ismaël Lô; a entoar uma espécie de miscigenação melódica, afro-árabe, que, no fundo, pode simbolizar o cruzamento de civilizações nesse pedaço de terra senegalesa, Património da Humanidade.

Quatro Minutos sobre o Vale do Tua, o Douro, o Património de Toda a Humanidade

Chamei a atenção [antes das eleições] para os perigos que corria a região Património Mundial do Douro (…)”, Francisco José Viegas, Secretário de Estado da Cultura.

Qual destas palavras não perceberam?

Património Mundial à portuguesa

Património mundial

é orgulho, com certeza

falta pôr no pedestal

é uma treta à portuguesa *

* Adaptado de Sérgio Godinho

O Douro Pobre – Patrocínio EDP

O Douro pode estar em risco de perder a designação Património da Humanidade

…com o Alto Patrocínio da EDP e do seu mural censório

 

 

Rota do Património da Humanidade do Vale Internacional do Douro/Duero

Já em tempos aqui antecipei (tendo sido na altura muito bem secundado por  Daniel Rodrigues) esta verdadeira “vantagem competitiva” que é a feliz concentração de locais classificados pela UNESCO em toda esta grande região. É com alegria que vejo materializar-se este desiderato estratégico para a indústria turística regional através de uma associação de entidades portuguesas e espanholas. É assim que as coisas devem ser: com visão, horizontes abertos, ultrapassando as fronteiras artificiais que nos tolhem, em rêde. A estratégia regional terá sempre que ser construída nestes moldes. Afinal estamos posicionados geograficamente num dos mais importantes “nós” da Ibéria. [Read more…]