PCP, sozinhos e sempre sós

O PCP é uma instituição nacional que merece o apreço de alguns, do Pacheco Pereira, por exemplo, mas que eu desprezo sentimentalmente.
PCP
E este sentimento de desprezo vem do facto de o PCP com a Direcção de Jerónimo de Sousa ter optado por uma limpeza de balneário impedindo o partido de se linkar com qualquer outro tipo de gente. Sempre sós.
E isto é feito dos mais diversos modos e por isso é que no 1º de Maio aconteceu o que aconteceu com o Vital Moreira e o PCP de boca fechada: 31 da Armada, arrastao, 5 dias, Blasfémias.
Um exemplo que conheço bem é o do Movimento Sindical, em particular o movimento sindical docente, onde o PC atacou e continua a atacar em toda a linha com um objectivo único – ganhar o poder, ter o poder e o PODER TODO! Sem partilhas.
Já depois das eleições no SPGL (Sindicato Professores da Grande Lisboa) o PCP avançou com Mário Nogueira para a liderança da FENPROF, discussão em 2007 na qual fui um dos intervenientes.
O PCP precisa dos dirigentes dos sindicatos para fazerem trabalho politico – precisam dos que não trabalham nas empresas e nos serviços para ficarem no trabalho sindical, para levaram a cabo o projecto comunista. Sabendo isso o PS está a levar a cabo o mais infame ataque aos dirigentes sindicais e aos sindicatos para tentar quebrar a espinha do PC. Veja-se o caso da lista ao Parlamento Europeu onde os sindicalistas da área da educação aparecem em bom número: Ana Rita Carvalhais, Manuel Rodrigues, Margarida Leça, Rogério Reis, Margarida Fonseca, Dulce Pinheiro.
O PC apertado “legalmente” pelo PS e eleitoralmente pelo BE ataca em toda a força expulsando, ignorando e partindo o que houver para partir, nomeadamente nas Direcções Sindicais. Nos professores, o PC domina o SPRC e o SPZS (Alentejo e Algarve). Tem a maioria no Conselho Nacional da FENPROF e agora até avançou sozinho para a Madeira. Em Lisboa, onde o processo eleitoral está em curso, o PC, mais uma vez avança sozinho ignorando dirigentes de grande qualidade.
Estes dados que avanço sobre o movimento sindical docente são semelhantes a outros ocorridos noutros sindicatos.
Tenho pena que seja este o caminho do PC, mas já não me surpreende!
Não me surpreende o que se passou com Vital Moreira.

Projectos da Guarda, licenciatura manhosa, Sovenco, casa comprada a metade do preço, Freeport, Cova da Beira, declarações de rendimentos no Tribunal Constitucional, documentos do Notário desaparecidos

Falta alguma coisa na biografia deste cidadão impoluto?

Extremar de posições

É a tal questão de no meio estar a virtude. Quem me ensinou isto foi a minha avó. Não podemos ser extremistas. O exemplo da minha avó: sempre que deixo crescer um pouco mais o cabelo, diz-me que pareço um militante do CDS e que me faz “tísico”, mas sempre que corto o cabelo curto demais, a minha avó diz que pareço um “skinet”. Algures ali pelo meio, lá consigo ficar “jeitoso”. Coisas (estranhas) da minha avó, mas que têm uma certa lógica.
Isto pode parecer estranho, mas depois vejo o Ricardo a mudar de nome para r. porque lhe querem dar porrada.(E, sim, eu percebo a ironia). Mas parece-me um extremar de posições. Basta percorrer a blogosfera para ver que se as opiniões fossem emitidas cara-a-cara provavelmente teríamos um acréscimo de entradas nas urgências hospitalares e lá teríamos que levar com a Ministra da Saúde a ler mais uns comunicados em conferências de imprensa. Ou, se calhar, não existiam posições tão extremas. Fala-se muito de pluralidade, de frontalidade, de partilha de opinião, de comunicação e de diálogo, mas interiormente continuamos com a nossa arrogância opinitiva. Eu admito-o. Por exemplo, eu, com o meu radicalismo ecológico, continuo a pensar que já resolvi o problema da humanidade e agora só me falta convencer 6 biliões de gajos a ficarem como eu. Não me levem a mal, não é arrogância. É só a minha opinião. E não gosto que não estejam de acordo com a minha opinião. Se ela está totalmente correcta, porque é que alguém haveria de discordar?
Agora, a sério. Ainda hoje, ecoam as agressões a Vital Moreira. Extremar de posições, lá está. Alguém que não partilha das mesmas opiniões do Homem do Cabelo de Aço decidiu dar-lhe um abanão. E agora ele quer que lhe peçam desculpas pelo abanão. E as opiniões extremam-se. “O Vital fez de propósito e foi-se meter numa manifestação da CGTP para levar porrada e ganhar as eleições, como já fez o Soares na Marinha Grande.” Por outro lado: “o problema é a extrema-esquerda que é pior que a extrema-direita”. São as duas grandes conclusões que retenho nas opiniões que recolhi entre a mesa 7 e a 10, aqui no café da esquina. Na imprensa e na blogosfera, as opiniões são ainda mais extremas. Mas isto são só opiniões e como tal ninguém vai mudar a sua posição e cada um vai ficar com a sua própria bicicleta para pedalar. A mim, nesta questão das chapadas e arremessos de copos de vinho na Ovibeja, importa-me reter outras questões que se calhar são mais importantes e que são as seguintes:

As posições em sociedade, mesmo as do mais anónimo cidadão, estão a extremar-se. Seja por culpa da pressão da crise económica ou pela vontade de opinar sem medos das reacções de outros, as opiniões e posições estão a extremar-se. E as acções começam a acompanhar esta tendência.
Nesta situação ficou também implícito que o Partido Socialista, inequivocamente não gosta de trabalhadores nem de sindicatos e despreza as suas manifestações. Se assim não fosse, não fazia campanha política no 1.º de Maio.
Também depreendo que,  independentemente de os políticos fazerem ou não de propósito para levarem porrada, o que é certo é que sempre que levam no corpo, ganham as eleições que disputam. Por isso, por favor, não extremem as vossas posições nos comícios políticos, e não batam em ninguém do PS e especialmemte no Eng. José Sócrates. Era o pior que se podia fazer a este país.

Megaprojectos:grito de alerta – 2

Prof Eduardo Catroga (economista, ex-ministro das Finanças).No Expresso.

A política das parcerias público-privadas (PPP) precisa de ser repensada.Os encargos já assumidos ou projectados pelo Estado representam cerca de 12% do PIB de 2008 ou seja, cerca de 20 000 milhões de euros, ou 4 000 milhões de contos na moeda antiga! É um montante enorme que põe em causa a sustentabilidade das frágeis finanças públicas, o financiamento futuro das despesas sociais…a competitividade fiscal, a justiça intergeracional.
Acresce, ainda que na prática, a garantia de rentabilidade dada pelo Estado a tais projectos de investimento em PPP tem externalidades negativas importantes que afectam a capacidade de alocação de recursos na economia.i) leva os bancos a preferirem tais projectos sem risco em vez de projectos empresariais com os naturais riscos de mercado mas muito mais importantes para a competitividade da economia. ii)incentiva o sector empresarial privado a investir em sectores abrigados da concorrência em mercados intenacionais, quando a nossa competitividade externa se joga basicamente nos sectores de bens e serviços transaccionáveis;III) tem um impacto negativo no ranking futuro e, logo, nas taxas de juro.

Sócrates está satisfeito por perder a Maioria Absoluta

A sondagem de hoje da Católica, no seguimento da anterior para as Europeias, deixa claro que o PS está claramente longe da maioria absoluta – tal como Daniel Oliveira do Arrastão, penso que o PS fica feliz por coisa nenhuma, o que dito de outra maneira, podemos dizer que o PS começa a ficar preocupado.

PS perde Maioria Absoluta

PS perde Maioria Absoluta

No 31 da Armada projectam, e bem, que entre o PS e o PSD as Europeias poderão ser vistas de modos diferentes porque em jogo não estão em causa as lideranças, é uma espécie de Pinto da Costa e treinadores do Porto. Explicando:
– No Porto quando ganham, a “culpa” é do PC; quando perdem, é dos treinadores.
No PS, se ganharem o mérito é da governação, se perderem é do Vital Moreira.
No PSD seria ao contrário, se ganhar o mérito é da Direcção, mas se perderem, é também a Direcção e MFL que fica a perder. Uma referência ao Paulo Rangel, um homem de Gaia, que com um bom resultado será elevado ao estatuto de estrela. Com um mau, pode sempre dizer que a culpa é da Ferreira Leite.

O BE surge, claramente, como a terceira força, o Louça como o que melhor aproveita o espaço mediático e neste momento, quem vota BE pensa: podemos “deixar” o BE fazer uma coligação pós-eleitoral com o PS de Sócrates? Espero que a resposta seja não!

O PCP continua no seu caminho feliz e contente até ao amanhã que cantará.
Alguém viu o Portas, Paulo claro, por aí? De Táxi a bicicleta!

Medina Carreira, o nosso “grilo falante”

Acho que já percebemos que Medina Carreira é um dos mais lúcidos especialistas portugueses em economia e política.

Desassombrado, liberto dos grilhões que impedem muitos outros de serem frontais e dizerem o que acham que devem sem a língua presa, Medina Carreira funciona como uma espécie de consciência colectiva, o nosso “grilo falante”.

Cada intervenção dele tem o peso de uma bomba, embora, na maior parte das vezes, se limite a repetir ideias que já tinha transmitido. Nós temos é dificuldade em as assimilar. Ou não queremos.

Ontem, numa entrevista ao Correio da Manhã / Rádio Clube Português voltou a ser claro: “A população não vai aceitar daqui a dez anos um Estado social como aquele em que nós estamos a viver, como é evidente. Porque a população já diz, bom, prometeram-nos mundos e fundos e nós não vemos coisa nenhuma. Dizem isto agora. Só pedem sacrifícios e quando acabam é preciso recomeçar os sacrifícios. Com toda a razão. Isto vale dez, vale vinte anos, não sei se chega a trinta. E como nós temos deficiências graves não vai ser fácil sair deste estado de economia rastejante. Se eu fosse chefe do Governo o que diria ao País é que o nosso grande problema é a economia.”

Toda a entrevista está AQUI.

Megaprojectos:Grito de alerta

Diz Eduardo Catroga (economista, ex-ministro das Finanças)

Decidir é estabelecer prioridades i) o projecto Porto-Vigo é mesmo prioritário, tendo presentes as necessidades estratégicas da região norte?As empresas nortenhas não necessitarão,antes,de outro tipo de apoios para melhorarem a sua competitividade externa?ii) o projecto Lisboa-Porto pressupõe o encerramento do serviço público normal de passageiros e do Alfa Pendular? Como se vai dividir a clientela futura,a rentabilidade, entre as duas linhas a operarem em paralelo?Não é verdade que o TGV para ser rentável exige uma distância mínima de 400 Kms?iii)O projecto Lisboa-Madrid vai representar seguramente, durante muitos anos,um “buraco financeiro”:serão os contribuintes a subsidiar? iv) se existe mercado que justifique algum troço (ou todos)…então porque o risco comercial do projecto e os riscos dos desvios dos custos das obras não ficam do lado das concessionárias privadas…nas parcerias público-privadas (PPP)?V) se é estratégico para a UE que Portugal execute, a curto prazo,…então porque não paga a UE?
Estes investimentos representam um largo quinhão da riqueza nacional e que, através da filosofia das parcerias público- privadas, hipotecam o futuro com encargos vultuosos para os contribuintes.São projectos de alto risco para todos os que pagam impostos e taxas!Não esquecer que, além da componente conjuntural da crise (que será ultrapassada com a recuperação da economia internacional) confrontamo-nos com uma componente estrutural que se lhe sobrepõe e que explica a “década perdida” em termos de convergência real e o endividamento externo galopante!

OFERECER UM COPO DE VINHO, É DAR DE COMER A UM MILHÃO DE PORTUGUESES

POLÉMICA EM PONTE DA BARCA

Lá andam eles de novo a exigir desculpas a uns e a outros.
A comitiva do PS, em campanha para as Europeias em Ponte da Barca, foi brindada com um copo de vinho, atirado para o meio da multidão. Não sei se branco se tinto, de qualquer modo, foi reeditada a célebre frase do anterior regime, “dar de beber um copo de vinho, é dar de comer a um milhão de portugueses”.
Foi pelo menos um “upgrade” à água com que o sr Vital foi brindado anteriormente nas manifestações do 1º de Maio. As gentes do Norte sempre foram mais beneméritas.
Com a economia tão em baixo, e com a agricultura em sérias dificuldades, não se percebe muito bem toda a polémica instaurada.

A estranha amnésia de Ferreira Leite e a aproximação a Santana Lopes

Manuela Ferreira Leite continua com uma estranha amnésia em redor da sua participação, como ministra das Finanças, no Governo liderado por Durão Barroso e agora na qualidade de presidente do PSD.

Como se não bastasse o anterior “sim” ao TGV, quando no Governo, e agora o “não” quando na oposição, traz-nos mais uma bela divergência pessoal de opiniões. A ministra das Finanças de outrora (como nos recorda Pedro Sales, no Arrastão) subscreveu uma lei de bases de política educativa onde apoiava a “lei da escolaridade obrigatória de 12 anos a começar a partir do ano lectivo 2005-2006 para os alunos que se inscrevam no primeiro ano do segundo ciclo do ensino básico”.

Passaram mais de cinco anos e Manuela Ferreira Leite parece ter esquecido essa assinatura. Na entrevista (ou terá sido uma conversa de velhos amigos da mercearia?) a Mário Crespo, a líder do PSD já dizia ser uma asneira implementar o aumento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano. No Expresso, no seu habitual artigo, manifesta a ideia de que “o aumento de escolaridade para 12 anos ou até aos 18 anos é, infelizmente, mais fonte de preocupação do que regozijo”.

Por sinal, até concordo com a senhora, que até já foi ministra da Educação. Embora defenda que um dos poucos caminhos de Portugal para ser um país decente se faça através da educação e qualificação, esse percurso não se faz por decreto, por imposição ou dentro de uma fórmula de facilitismo e de uma espécie de “não vamos chumbar (agora diz-se “reter” mas eu sou da velha guarda) para não traumatizar estas jovens criaturas”.

O certo é que Manuela Ferreira Leite parece divagar num mar de contradições demasiado agitado para quem advoga uma “política de verdade” nos seus já famosos cartazes. É o TGV, é o 12º ano, é o dizer e desdizer em relação à política de alianças pós-eleitoral, é o sapo engolido por via da candidatura de Santana Lopes a Lisboa.

Começo a perceber que MFL começa a aproximar-se depressa do estilo PSL.

Drogas e Paralelos

A propósito da MGM. Não, não é a Metro Goldwin Mayer, é a Marcha Global da Marijuana.
Aqui há uns tempos estive a ver um documentário sobre o Maio de 68 e apercebi-me de algumas relações estranhas. Reparei que após o Maio de 68, em França, a primeira medida tomada pelos governantes da cidade foi a repavimentação de todas as ruas com asfalto. Reparei também que não havia uma única imagem em que não estivesse alguém sobre o efeito de drogas. Não percebi à primeira o porquê das referências aparentemente desconexa.
Mas depois fez-se luz.
As drogas são subversivas. E são-no porque põe um homem a questionar. Quem usa drogas estimulantes sabe que as drogas são subversivas. Até a gravidade é questionada. Um estudo recente – que entretanto perdi o link, mas fica mais um estudo do género – revela que 3 em cada 5 investigadores científicos usam drogas como ajuda no seu trabalho. Foi assim, com ajuda de LSD, que o modelo de dupla hélice de ADN ganhou vida na cabeça de Francis Crick e dos seus companheiros. Se bem que as drogas sejam legais, porque são vendidas por um laboratório qualquer, não deixam de ser drogas. E os seus princípios activos não são nada meigos. Os mais usados são duas substâncias, uma estimulante e outra para controlar e retardar o sono. Tem toda a lógica. Eles são cientistas e percebem de certeza toda a lógica dos danos cerebrais.
O que não tem lógica é a uma sociedade que por um lado permite, e bem, a livre escolha para abortar uma vida em crescimento, por outro proibir o uso de drogas. Correcção: algumas drogas. Tudo o que são drogas retardantes, que põe os cidadãos idiotizados a olhar para a parede sem pensamentos, ou a dormir indefinidamente, são permitidas e até comparticipadas pelo próprio Estado. Prozacs, Lordesals, Valliums, Cipralexs, Alprazolams, Tegretols, Diazepams, é só escolher. E isto é só o conteúdo da minha caixinha dos medicamentos. Nem sequer imagino o mundo maravilhoso das prateleiras das farmácias. Em Portugal, os medicamentos que mais se vendem são anti-depressivos, soporíferos e derivados. Significativo.
Por outro lado, tudo o que são drogas estimulantes são proibidas. Quer dizer, quando se tem 60 anos já se pode usar drogas legais estimulantes, para uma vida melhor.
A única justificação para a proibição, é que estas drogas e as suas substâncias activas, além de levarem os utilizadores para um estado de êxtase, também fazem com se questionem. Questionar sobre o universo, questionar sobre os planetas, questionar Deus, questionar o Homem, questionar a sexualidade, questionar o regular funcionamento de todas as coisas. E o problema é que quando se questiona o funcionamento de qualquer coisa, existe sempre a tendência natural de tentar arranjar alternativas melhores. Ou pelo menos, diferentes. Quando se questiona se se pode melhorar um walkman, e desenvolve-se um ipod, ninguém se chateia e está tudo bem. O problema começa a ser grave quando se questiona por exemplo o funcionamento dum regime democrático. E se tenta arranjar também uma alternativa. Os governos, sejam eles democráticos ou mais fechados e restritivos, proibem as drogas estimulantes, mas incentivam o uso de drogas retardantes.
O ano passado comemoram-se os 110 anos da invenção e comercialização livre da heroína. Ou tecnicamente da diamorfina – um opiáceo alcalóide, ou ainda mais tecnicamente de C21H23NO5. Só a própria existência destas fórmulas e destes nomes já comprova o uso de outras drogas por parte dos cientistas.
Heinrich Dreser – um nome a reter, porque também esteve envolvido na sintetização da Aspirina – desenvolveu a nova droga para uso hospitalar como analgésico, anti-tússico e pasme-se como substituto não-aditivo da morfina, e a Bayer – sim, A BAYER dos medicamentos “normais” – registou o nome: heroína. Num mundo que condena drogas é muito estranho que a heroína seja uma marca registada! De 1898 a 1910, a Bayer fez publicidade e vendeu heroína livremente como um medicamento não aditivo. Só quinze anos mais tarde começou a ser proibida… mas a Bayer continuou e continua a ter a marca registada. Isto parece-me uma lógica de junkie, mas tudo bem! Já a metadona, que é basicamente heroína sintetizada de outra forma é permitido o seu fabrico para tratamento da dependência da… heroína. Mais uma vez, lógica de junkie. E para ser totalmente uma lógica de junkie, é ser a Bayer proprietária dos direitos de produção da metadona.
Isto tudo parece apenas ser um problema de produção industrial,  direitos de produção e marcas registadas. Acho difícil imaginar dois “queimados” numa viela a discutirem patentes e coisas do género… mas se calhar até já foi uma realidade, visto que muitos dos originais drogados eram médicos que por acaso – só por acaso – se viciam em morfina e seus derivados…
E nem vale a pena falar que os principais países produtores destas drogas são o Afeganistão, Paquistão, Indonésia ou o Vietname, porque senão o comentário passa da esfera do drogado e da viela escura, para os colarinhos brancos e aos holofotes das relações mais complexas dos países e das suas intervenções militares…
E aqui está o problema principal: quando a Bayer produz metadona, e a comercializa paga impostos. Gera e movimenta capital que pode ser alvo de controlos e impostos por parte dos Estados. E torna-se um negócio tão normal quanto vender frutas, plutónio ou armas. Todas as trocas comerciais em que os Estados não possam intervir, retirando algum dinheiro para si através de taxas e impostos, são consideradas ilegais. A ilegalidade das drogas apenas representa a inoperacionalidade dos Estados em conseguir controlar e aplicar impostos no seu fabrico e comercialização. Apenas isso. No momento em que os Estados possam aplicar impostos nas drogas estas tornam-se legais. Mesmo que os governos pudessem arranjar – e de certeza absoluta que a arranjariam – uma forma de lucrar nestas trocas comerciais, nunca apoiariam o uso de drogas estimulantes, porque já perceberam o efeito secundário mais perigoso: a subversão.
O efeito subversivo das drogas estimulantes: destruir o que está assente, derrubar, confundir, perturbar, desorganizar, perverter, afundar, arruinar, submergir, sofrer, revolucionar. Este é o efeito secundário indesejável por parte dos governos e governantes.
Enquanto uma pessoa individualmente, se droga, se subverte e escreve o “Trainspotting” como o fez Irvine Welsh, não há problema. Quando William S. Burroughs escreve o Naked Lunch, não há problema. Quando toda uma Beat Generation aparece, não há problema. Aliás, acho que existiria um grande problema se se retirasse o álcool à Amália Rodrigues e à Nina Simone. Alguém imaginaria os Rolling Stones sem drogas? Alguém imaginaria gajos tão perfeitamente normais como os Beach Boys se não fossem as drogas? Ou anormalmente geniais como os Led Zeppelin? Ou os Pink Floyd? Se os Incas e os Maias não mastigassem folhas de coca todo o dia, teriámos Machu Pichu e outras obras grandiosas? Claro! Existiriam pirâmides, mas como essas foram feitas à base de chicotadas e escravatura são perfeitamente aceitáveis e “limpas”.
Se se fizesse uma lista com todos os eventos em que estivessem envolvidas drogas, essa lista seria tão grande e complexa quanto é a história da Humanidade. Até porque num espectro mais largo, todos nós somos drogados e dependentes de alguma coisa.
Todos estes fenómenos são compreensíveis.
O que não é de todo compreensível é que um Estado actual proíba o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal do aborto,
qu
e não é mais do que permitir que se retire uma parte viva do interior do corpo, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal de fumar tabaco e o uso da nicotina – cobrando impostos!! – que tem um efeito tão dependente quanto qual droga dura, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal de beber álcool, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal de consumir combustíveis fósseis que transformarão o Planeta em qualquer coisa que as gerações futuras dificilmente viverão nele, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permitir – e garantidamente vai permitir – a livre escolha pessoal de praticar eutanásia, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite todas estas actividades, aplica taxas e impostos sobre a sua produção e comercialização livre, não pode pura e simplesmente proibir o uso de nenhum tipo de drogas. Não tem estatuto moral ou ético. Nem sequer tem uma justificação. Apenas pode subverter os argumentos.
E o Estado tem o exclusivo da subversão. E nunca o perderá. Esta é a única justificação séria e imparcial porque os Estados e governantes não permitem o uso de drogas. As drogas são subversivas. E os Estados também aprendem. Aprenderam que determinadas drogas são estimulantemente subversivas e levam a questões adormecidas que quando são respondidas, geram descontentamentos que podem acabar em greves, motins ou revoluções.
Logicamente, quem governa ou gere pessoas, não quer gerir descontentamento. Quer aceitação e quer “ovelhice”.
Quem gere pessoas, quer uma fila rígida de tímidos, não-questionadores, obedientes e apáticos palermas que sigam as normas e directivas impostas. Quem governa, quer uma máquina que funcione sem falhas, sem sobressaltos, sem sentimentos, sem dúvidas, sem questões, sem emoções. No futuro, naturalmente as drogas irão ser legalizadas, nem que seja porque todos os estudantes de Direito e os futuros políticos as consomem e não quererão perder este bem adquirido.
E os paralelos? Bem, os paralelos são apenas um pormenor interessante. Porque é que todas as ruas das cidades são asfaltadas? Mesmo as ruas só para pedestres?
Simples! As revoluções rurais são facilmente debeladas nem que seja porque ninguém saberá, já que praticamente ninguém vive em ambiente rural. As revoluções e motins nas cidades não são tão facilmente resolvidas. Correcção. Não eram. E não eram porque os amotinados e revoltosos tinham uma arma gratuita: os paralelos que pavimentam as ruas. Os paralelos dos pavimentos eram uma arma gratuita de grande utilidade quando não se tem armas nenhumas. Qualquer miúdo arranca um paralelo na rua e desfaz um carro, uma loja, uma repartição de finanças, qualquer coisa. Na verdade, continuam-se a travar guerras urbanas só arremessando pedras, fazendo frente a exércitos com metralhadoras automáticas, sem que o poderio militar ganhe grande vantagem.
A máquina subversiva do Estado contrapõem esta substituição dos paralelos por asfalto com “segurança rodoviária”. Em 1974 também a redução dos limites de velocidade era por causa da “segurança rodoviária”. Bem subvertido. Que drogas terá o Estado e os seus representantes à sua disposição, para estas subversões tão gostosas?
Já agora, a piada da questão: muitas das drogas apreendidas não são destruídas. São reconvertidas num produto que serve… para asfaltar estradas.
No final e pensando melhor: se as drogas fossem liberalizadas a ordem económica mundial dava um grande trambolhão. Basta imaginar que toda a América do Sul se tornaria numa potência exportadora da noite para o dia. Se calhar é por causa disso que as drogas continuam proibidas. Imagino o que seria ver o Afeganistão como maior exportador mundial de ópio, cheio de alegres talibans na lista da Forbes.

CRISE, CRISE, CRISE!

FINANCIAMENTO DOS PARTIDOS POLÍTICOS
Estou sensibilizado, direi mesmo comovido, para além de me sentir orgulhoso, com a notícia de hoje sobre a nova lei de financiamento dos partidos políticos.
Portugal, o país do nosso Primeiro e dos seus amigos políticos (sejam eles de que partido forem), vive desafogadamente, sem os problemas que afectam os outros países por esse mundo fora. Não temos problemas graves no que respeita à educação, à saúde, ao emprego, ou a qualquer outro sector, diga ele respeito à economia ou ao bem estar e nível de vida dos cidadãos.
A crise de que se ouve falar, não é de todos nem para todos. Portugal, o meu País, não é o país de que falei no parágrafo anterior. No meu, os problemas adensam-se dia-a-dia, o descontentamento popular cresce, as falências das empresas acontecem diariamente, o desemprego é cada vez maior, a fome começa a aparecer, a economia não mexe porque já quase não existe.
Os partidos políticos existentes em Portugal, deveriam servir, em primeira e última análises, o povo Português. Se o povo vive com dificuldades, se o povo não tem dinheiro, se as pessoas começam a ver os seus empregos a desaparecerem, não têm, a classe política e os partidos, o direito de verem os seus rendimentos a subir exponencialmente, ainda para mais se o dinheiro que passam a receber, for pago pelos cidadãos, todos, eu e qualquer um de nós, que vivem com dificuldades.
A nova lei do financiamento dos partidos, das campanhas eleitorais e dos grupos parlamentares, aprovada em tempo recorde por quem vai dela beneficiar, faz aumentar em mais de 55 (cinquenta e cinco) vezes o limite das entradas em dinheiro vivo, permitidas por lei.
Desta forma, faz-se tornar legal uma vergonha que era praticada por toda a gente.
Esta lei, é realmente original, e a sua célere aprovação mostra a transparência em que os nossos parlamentares vivem.
E nunca mais é Outubro!

Pedido de desculpas a António José Seguro

No dia 30 de Abril, aqui no Aventar, José Magalhães publicou um post – Um seguro Seguro, a propósito do debate no Clube dos pensadores onde participou José Seguro, deputado do PS.
Em comentário ao post, no dia 1 de Maio, pelas 9.08, escrevi:

“Ele sempre e só andou na Jotinha, tem agora que fazer um papel diferente do de Sócrates para aparecer como líder natural quando o outro cair – será Seguro ou Costa?
Acontece que Seguro anda demasiado calado e isso confirma a minha ideia sobre gente das Jotinhas – nunca trabalharam: http://aventadores.wpcomstaging.com/2009/04/07/ide-trabalhar/

Logo depois e em resposta a um outro comentário do José Freitas, no dia 2, às 0h25m escrevi:

“Se assim é e Seguro faz o seu trabalho e vive honestamente disso mesmo, retiro o que disse, e publicamente via Aventar, seguem as desculpas devidas.
Mas, o essencial da meu pensamento é o de que não confio nos Políticos que nascem das Jotas, até porque andei por lá nos anos 90. Quanto ao tom de voz do António José Seguro, continuo a achar que se não concorda assim tanto com o Sócrates, devia dizer. Aqui entre nós que ninguém nos ouve, em tempos, José Seguro, seria o homem que me faria regressar ao PS. Hoje, não.
JP”

Bom, hoje, dia 2 de Maio, pelas 16h54 recebi um mail do Dr. José Seguro dizendo que o difamei e que coloquei em causa a sua honestidade.
Assim, venho de forma pública (não sobre a forma de comentário) pedir desculpa ao Dr. José Seguro pelo meu comentário, tal como o fiz sob a forma de comentário, ainda antes do Dr. José Seguro me ter dito qualquer coisa.

Vocês não são pobres, gastam é muito mal o vosso dinheiro

Cadeia com eles!!!!!!!!!
Meus amigos,
O que vos vou contar é verdade.
Estava há dias a falar com um amigo meu nova-iorquino que conhece bem Portugal, o Eddie Habbaz que alguns de vós conheceram no iate clube do Porto, chegou a fazer umas regatas em Leixões no Red Falcon do João Andrade.
Dizia-lhe eu à boa maneira portuguesa de “coitadinhos” : – Sabes Eddie, nós os portugueses somos pobres …
Esta foi a sua resposta:
Manuel, como podes tu dizer que sois pobres, quando sois capaz de pagar por um litro de gasolina mais do triplo do que pago eu?
Quando vos dais ao luxo de pagar tarifas de electricidade, de telefone móvel 80 % mais caras do que nos custam a nós nos EUA?
Como podes tu dizer que sois pobres quando pagais comissões bancárias por serviços bancários e cartas de crédito ao triplo que nos custam nos EUA, ou quando podem pagar por um carro que a mim me custa 12.000 dólares o equivalente 20.000? Podem dar 8.000 dólares de presente ao vosso governo e nós não.
Não te entendo.
Nós é que somos pobres: por exemplo em New York o Governo Estatal, tendo em conta a precária situação financeira dos seus habitantes cobra somente 2 % de IVA, mais 4% que é o imposto Federal, isto é 6%, nada comparado com os 20% dos ricos que vivem em Portugal. E contentes com estes 20% pagais ainda impostos municipais.
Além disso, são vocês que têm ” impostos de luxo” como são os impostos na gasolina e gás, álcool, cigarros, cerveja, vinhos etc, que faz com que esses produtos cheguem em certos casos até 300 % do valor original., e outros como imposto sobre a renda, impostos nos salários, impostos sobre automóveis novos, sobre bens pessoais, sobre bens das empresas, de circulação automóvel.
Um Banco privado vai à falência e vocês que não têm nada com isso pagam, outro, uma espécie de casino, o vosso Banco Privado quebra, e vocês protegem-no com o dinheiro que enviam para o Estado.
Sois pobres onde Manuel?
Um país que é capaz de cobrar o Imposto sobre Ganhos por adiantado e Bens pessoais mediante retenções, necessariamente tem de nadar na abundância, porque considera que os negócios da nação e de todos os seus habitantes sempre terão ganhos apesar dos assaltos, do saque fiscal, da corrupção dos seus governantes e autarcas. Um país capaz de pagar salários irreais aos seus funcionários de estado e de Empresas ligadas ao Estado.
Deixa-te de merdas Manuel, sois pobres onde?
Os pobres somos nós, os que vivemos nos USA e que não pagamos impostos sobre a renda se ganhamos menos de 3000 dólares ao mês por pessoas, isto é mais ou menos os vossos 2000 € . Vocês podem pagar impostos do lixo, sobre o consumo da água, do gás e electricidade. Aí pagam segurança privada nos Bancos, urbanizações, municipais, enquanto que nós como somos pobres nos conformamos com a segurança pública.
Vocês enviam os filhos para colégios privados, enquanto nós aqui nos EUA as escolas públicas emprestam os livros aos nossos filhos prevendo que não os podemos comprar.
Vocês não são pobres, gastam muito mal o vosso dinheiro.

O que vou responder ao Eddie?

PS: assina Manel seja ele quem for, foi assim que me chegou!

Alberto João: 500 mil secretas

Na madeira há 30% de pobres! O sr. Jardim gasta em viagens 500 mil euros. Reuniões de um dia, viagens de 8 dias. Acompanhado pela esposa e pelo assessor. Ajuste directo com uma determinada agência! E eu estou a escrever isto e não acredito. Passem bem, não é só ele o culpado!

Se eu quiser levar uma coça, o que devo fazer?

Concordo com tudo o que dizem o Tiago e o Carlos.
Ora bem.
O Aventar tem apenas um mês e ainda não se impôs como eu gostaria na blogosfera. O que é que eu tenho de fazer para subir nas audiências?
Se calhar, dava-me jeito levar uma coça. Ia a um Congresso ou a um Comício do PS e punha, bem visível, no peito, na credencial de imprensa, o nome «Ricardo Santos Pinto».
Da mesma forma, se Pinto da Costa quiser levar uma coça, sei lá, para se vitimizar e granjear simpatias, nada melhor do que se meter no meio da claque dos «No Name Boys».
Ou Paulo Pedroso. Para limpar a imagem, levando na cara, que tal uma ida ao Encontro anual dos ex-alunos da Casa Pia?
Lembrei-me disto a propósito da ida de Vital Moreira, ontem, à manifestação da CGTP. Logo quando ia sair uma sondagem que dá empate técnico entre PS e PSD para as Europeias, umas palmadas vinham mesmo a calhar.
Aprender com o Mestre, é o que é. Também Mário Soares, em 1985, quando se viu aflito na corrida às Presidenciais, decidiu ir à Marinha Grande…

O fim de um agente secreto

alberto-j-jardim

Nos EUA, um “descuido” da administração Bush denunciou, como agente da CIA, Valerie Plame, no meio de um processo político infame dessa bela gestão governamental da mais importante nação do mundo. Hoje, é a vez dos jornalistas de caserna, e por certo cubanos, do Público apostarem em acabar com a carreira de agente secreto do presidente do Governo Regional da Madeira.

Uma vergonha este relatório do tribunal de contas sobre as viagens de Alberto João Jardim.

Vital Moreira à caça ao voto!

Eu estava na Alameda à espera da manifestação e o que ouvi das pessoas que viram o incidente é bem mais prosaico.
O VM e a Ana Gomes, depois de cumprimentarem quem muito bem entenderam, quiseram ficar na cabeça da manifestação, no que foram impedidos! Eles queriam ficar e actuaram para ficarem e outros houve, que actuaram em sentido contrário,correram com eles.
Daí resultou um desaguisado com uns encontrões e uma “regas” que os iniciadores da discussão estão agora a explorar com o mesmo descaramento com que quiseram provocar uma “notícia”. É preciso dizer que Vital Moreira e Ana Gomes foram provocar a situação! O que provocou a situação foi a tentativa de encabeçar a manifestação.
Os promotores da manifestação não podem escolher as pessoas que seguem na frente? Para tirar alguém, fisicamente, de um qualquer lugar contra sua vontade tem que se lhe sacudir o”pó”!Foi só isso e não houve agressão nenhuma!

Explicações socráticas


O que pensar da recente notícia que dá como desaparecidos documentos do processo da compra da casa da mãe de Sócrates? Exactamente os documentos que identificam a entidade que através de uma off shore procedeu ao pagamento do apartamento.
Isto dá que pensar, por muito que se queira esconder a cabeça na areia. Desaparecem documentos de um processo de um cartório notarial, exactamente os que se procuram, e não outros? Dir-me-ão que é por se procurarem que se deu pela sua ausência, outros haverá que tambem desapareceram e não se fala nisso.
Extraordinário, atingimos, como acontece na física com a “anti-matéria”, um “buraco negro” onde tudo acontece ao sabor de acasos que não dominamos e que estão à partida explicados. Temos familiares e amigos no caso Freeport? E então?
O professor das cadeiras vencidas ao domingo é um dos protagonistas no caso “Central de tratamento do lixo da Cova da Beira” que está em tribunal? Sim e depois?
O apartamento é comprado por um valor muito abaixo do preço de mercado e através de uma off shore? So what?
E os documentos que sabemos foram solicitados por jornalistas que investigam o caso, desaparecem? Pois! E é tudo normal?
É! E legal? Sim! E nós podemos pensar que são casos a mais para alguem que exerce a função de primeiro ministro? Não! Porquê? Porque é tudo normal! É normal desaparecerem documentos de um cartório notarial? É! E aqueles e não outros? Sim! E… se não te calas levas com um processo, já percebeste?

Sondagem para as Europeias: PSD pode ganhar

Buenos dias,
espero que dia primeiro do mês quinto vos tenha corrido de feição.
Como há muito, muito tempo tenho vindo a dizer o PS há meses que perdeu a maioria absoluta. Ou antes, além da que a ditadura do parlamento lhe dá, não tem qualquer base sociológica que suporte o poder da sua arrogância.
E as sondagens começam a mostrar isso mesmo.
A de ontem, da Católica, sugere um empate no número de mandatos para o Parlamento Europeu, entre o PS e o PSD: “Se as eleições europeias se realizassem neste momento os socialistas ganhavam as eleições com 39% dos votos. O PS ficaria a uma curta distância do PSD, que arrecada 36% das intenções de voto, segundo o barómetro de Abril do Centro de Sondagens da Universidade Católica elaborado para o DN, JN, Antena 1 e RTP. O estudo de opinião coloca ainda o BE como a terceira força política com 12%, seguida da CDU com 7% e do CDS com 2%.”, pode ler-se no DN. No JN temos a seguinte infografia:
Sondagem UNiversidade Católica de Abril 2009

Em jeito de comentário pdoeria dizer que BE e PSD ganham.

O BE, porque mesmo havendo só 22 deputados para eleger (antes eram 24) corre o risco de passar de um para três.
O PSD porque claramente começa a fazer passar a sua mensagem e a transmitir a ideia de que pode ganhar o que é crucial nestas eleições. Em número de deputados até empatam com o PS.
O PS claramente perde. Perde o que há muito tempo perdeu na rua – o apoio de quem votou PS.
O PCP parece descer, mas as sondagens no PC são sempre piores que os resultados – no entanto, o Rato de Espinho deverá ter apenas uma companhia na Europa.
O CDS repete os fantásticos resultados que havia tido em Lisboa há 2 anos: desaparece.

Assim, projectando um resultado semelhante para as legislativas, o cenário aventado há dias é assim tão estúpido?

O primeiro Dia do trabalhador em liberdade: 1 de Maio de 1974

Porque, parafraseando Saramago, onde dez mil páginas não bastariam, uma só já é demais, este «post» só tem fotografias. O primeiro 1.º de Maio depois do 25 de Abril levou milhões de portugueses às ruas. Celebravam a liberdade e uma mudança económica e social que, afinal, nunca se concretizou. Esses milhões de portugueses foram os verdadeiros protagonistas do 1.º de Maio.
   

 

 

Na última foto do lado direito, Cristina Torres, que sofreu durante a Ditadura, ao lado de Mário Santos, no 1.º de Maio da Figueira da Foz.  in anibaljosedematos.blogspot.com

UM PS DESESPERADO

VITAL OFENDIDO COM AS OFENSAS AO PS
.
É uma vergonha democrática o que fizeram ao sr Vital. Tinha ele acabado de cumprimentar o sr Carvalho da Silva e os insultos, e as tentativas de agressão e outras coisas ainda menos abonatórias de quem as proferiu, lhe foram atiradas. Agarrado pelo braço, que isto de andar no meio do povinho implica segurança, lá o foram levando por entre a populaça, enquanto ele, o sr Vital, ia respondendo a um ou outro repórter que tentavam obter reacções aos desacatos, e lá foi dizendo que tudo aquilo não era para ele mas contra o PS, acusando  implicitamente o PCP.
O sr Canas sentiu-se também ofendido em nome do partido que representa, e lá foi debitando umas coisitas iguais às de sempre.
Aos poucos, uns e outros, lá se vão vitimizando, copiando os tiques do grande irmão, o nosso inestimável Primeiro.

.

"Magalhães" na Feira da Ladra

Os resultados estão aí ! A primeira geração do “Magalhães”, obsoleto devido ao elevado aproveitamento dos nossos alunos que trabalham já com a segunda geração, estão a atingir a população mais desprotegida (atingir no sentido de chegar, não de acertar na tola de um qualquer gajo). Vendem-se por 150,00 euros na Feira da Ladra. Como sabem, é feira da ladra por ali se ter recebido, no passado, os artigos roubados, o que não é o caso no presente.
Assim, numa prova de grande dinamismo, pode comprar a maravilha da tecnologia de ponta construída em Portugal, ao mesmo tempo que o ferro de engomar a carvão, tecnologia em desuso, mas que com a eficácia deste governo pode estar aí a salvar-nos da crise! As famílias que estão a vender a primeira geração do “Magalhães”, não querendo dar a cara, dizem-nos que não têm espaço em casa para terem dois computadores porque o filho mais velho está desempregado e voltou para casa dos pais.
Mas todos dominam o “Magalhães” e lá em casa é uma alegria contínua. Com os 150,00 euros, conseguiram pagar o spread que o banco lhes exigiu face à baixa da taxa de juro! Andem depressa que o artigo está a esgotar-se!

1º de Maio:

No dia dos trabalhadores, fazendo uma pausa no trabalho, não posso deixar de escrever sobre o tema.
Não vou falar sobre os trabalhadores que as centrais sindicais arrebanham para a Avenida da Liberdade nem para o folclore mediático onde aproveitam um dia com toda esta simbologia para praguejar contra o governo, a direita, os capitalistas e outros perigosos fascistas.
Nem vou falar daqueles trabalhadores que, nas palavras de João Paulo Silva, “trabalhem na preparação das comemorações dos queques caviar de direita que nos levaram ao ponto em que estamos”.
Não, eu prefiro falar naqueles trabalhadores que nascidos noutras paragens escolheram Portugal como porto de abrigo, a exemplo de mais de um milhão de compatriotas nossos que foram para fora procurar uma vida melhor. É desses que me lembro neste dia, sobretudo depois de ouvir ontem, na TSF, o inenarrável “Paulinho das feiras” a defender o fecho das nossas fronteiras aos trabalhadores estrangeiros, querendo travestir-se de “Paulinho das feras”. Seguindo a linha de pensamento recentemente adoptada por certos sectores do PSD que, infelizmente, andam a navegar à vista e a ser muito mal aconselhados.
Quem defende a Liberdade não pode, por maioria de razão, alinhar neste tipo de populismo barato. Um país com mais de um milhão de trabalhadores espalhados pelo Mundo, não pode dar-se ao luxo de bramir contra os trabalhadores estrangeiros.
É deles que me lembro hoje, no dia do Trabalhador.

O 1.º de Maio e os Direitos dos Trabalhadores, visto pelo POUS

  rue
(explicação da iniciativa aqui, outros depoimentos aqui e aqui)

«O Primeiro de Maio é comemorado este ano pelos trabalhadores de todo o mundo, no quadro de uma ofensiva avassaladora contra todas as conquistas laborais, contra as próprias convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), como é o caso da desregulamentação do horário de trabalho ou da tentativa de transformar os sindicatos em organismos corporativos, comprometidos em fazer os trabalhadores aguentar a manutenção do capitalismo em decomposição. No centro de toda esta ofensiva está a própria negação, feita a milhões de trabalhadores, de poderem vender a sua força de trabalho, logo de sobreviverem na sociedade capitalista. É a destruição física da classe trabalhadora que está a ser feita, é a destruição da base de sobrevivência da sociedade democrática e da civilização.
No caso de Portugal, são direitos conquistados com a Revolução do 25 de Abril que estão a ser subvertidos, direitos que o calor da revolução impôs que fossem consignados na Constituição da República.
Deles constam: a segurança no emprego, a possibilidade de serem criadas Comissões de Trabalhadores, o reconhecimento à livre associação sindical e os respectivos direitos das associações sindicais, entre as quais exercer o direito de contratação colectiva e obter a legitimidade para a celebração das convenções colectivas de trabalho, o direito à greve e a proibição do lock-out.
O Código laboral – imposto pelo governo de Durão Barroso e ainda mais agravado pelo governo de Sócrates, um Código que, logo no primeiro artigo, afirma ser a adaptação de 17 directivas da União Europeia – materializa esta subversão, destruindo a contratação colectiva e legalizando o trabalho ultra precário, o trabalho a recibo verde.
Temos consciência de que hoje muitos trabalhadores, principalmente os mais jovens, não se associam às organizações sindicais por variados motivos: alguns não têm plena consciência dos seus direitos; outros não contam com a eficácia das organizações sindicais para os defender; outros ainda estão em tal situação de precariedade que receiam sindicalizar-se com medo de verem os seus contratos não serem renovados. Poucos estarão dispostos a fazer parte dos sindicatos para defender os direitos que já perderam. Mas uma perda muito acentuada de direitos poderá, eventualmente, inverter este processo: afinal os sindicatos são a fortaleza dos trabalhadores, como diz a Carmelinda Pereira, militante do POUS e cabeça da nossa lista às eleições para o “Parlamento” Europeu.

1886 – O primeiro 1º. de Maio

O 1º. de Maio que hoje se comemora teve a sua origem numa manifestação de trabalhadores, realizada em Chicago (EUA), em 1886. Nela se reivindicava a redução do tempo de trabalho para 8 horas diárias. Milhares de trabalhadores participaram nesta manifestação, dando-se início, na sequência, a uma greve geral nos EUA. As manifestações dos dias que se seguiram resultaram na chamada Revolta de Haymarket.
Uma bomba lançada para os polícias foi o pretexto para a carga policial e para as injustiças decorrentes. Mas a semente da consciência estava lançada: era cada vez mais necessário e urgente defender os direitos dos trabalhadores.

A CONDIÇÃO DA PRECARIEDADE GENERALIZOU-SE COM O FANTASMA DO DESEMPREGO: 90 DESEMPREGADOS POR HORA, EM PORTUGAL E UM POUCO POR TODA A PARTE

Hoje, o 1º de Maio comemora-se um pouco por toda a parte. Este ano, as três maiores centrais sindicais francesas estarão unidas contra as consequências da crise que o sistema económico gerou. Consequências que recaem sobre os próprios trabalhadores. Obama, o G20 e a União Europeia incentivam os bancos a “fugir para a frente”, com o sistema a resvalar para o abismo da crise. Despojam-se os sistemas produtivos, alimentando o capital financeiro, em vez de se apoiar os sectores produtivos e se impedir os despedimentos. A desregulamentação é total. Existem fábricas viáveis que fecham ou se deslocalizam, como a Qimonda.
Desmantelam-se os serviços públicos, privatiza-se. Colocam-se os trabalhadores uns contra os outros, na divisão hierárquica das carreiras. A condição da precariedade generalizou-se com o fantasma do desemprego: 90 desempregados por hora, em Portugal e um pouco por toda a parte.

EXIGIMOS A PROIBIÇÃO DOS DESPEDIMENTOS

Por isso, a RUE se juntou ao POUS para apoiar o projecto de lançar uma candidatura ao Parlamento Europeu, para exercer o seu direito cívico de difundir um Apelo a EXIGIR ao Governo que faça uma lei que proíba os despedimentos. Este Apelo já foi levado à UGT, já foi levado à CGTP, aos sindicatos dos professores, às manifestações dos trabalhadores, ao Cordão Humano dos professores, à Marcha do 25 de Abril, e pode ser assinado pela internet. Mas é principalmente na rua, junto dos trabalhadores e de todos os cidadãos que tem tido o melhor acolhimento. Muitos foram os que se dispuseram a assinar este Apelo. Porém, nem todos assumem a necessidade da ruptura com a União Europeia. Ruptura não apenas com as políticas, mas com as próprias instituições da UE, nas quais não confiamos por não terem sido eleitas, como é o caso do nomeado Presidente da Comissão Europeia; e, também, por não defenderem os interesses económicos de cada nação, mas sim os interesses da Globalização em nome do Banco Central Europeu (BCE) – defensor dos interesses dos imperialismos dominantes, ao serviço da alta finança; assim como não acreditarmos nos poderes do Parlamento Europeu, que legisla de acordo com as decisões da Comissão Europeia e do BCE.

TEMOS O DEVER CÍVICO DE LANÇAR O APELO À PROIBIÇÃO DOS DESPEDIMENTOS E DE PÔR A NU AS INSTITUIÇÕES DA UNIÃO EUROPEIA

Estamos juntos nesta lista (ver declaração eleitoral) porque acreditamos que este não é o melhor caminho para a cooperação entre as nações que almejamos. E não vemos como se pode sair da crise de uma forma positiva, com despedimentos em massa, desregulamentando e destruindo o que antes era produtivo. Entregando capitais à Banca, ela própria geradora da crise.
Hoje saudamos aqui o Dia do Trabalhador e defendemos o seu direito ao Trabalho, à sua dignidade profissional: nas fábricas, no mar, nas escolas, em todos os serviços públicos, e apelamos a todos os trabalhadores a unirem-se na exigência ao Governo de pôr fim aos despedimentos. Unidos também em defesa dos serviços públicos e dos direitos do trabalho. Unidos em defesa da Escola Pública, a escola dos filhos dos trabalhadores. Unidos na exigência da proibição dos despedimentos.

Pela Lista do POUS às Eleições para o “Parlamento” Europeu

Carmelinda Pereira
Paula Montez»

O enriquecimento ilícito e os contribuintes dos partidos

dinheiro

Excelente a analogia de João Miranda, no Blasfémias, sobre a questão do financiamento dos partidos.

Expressa aquilo que, de facto, se passou de relevante no parlamento nas últimas semanas. Por um lado, o sempre popular enriquecimento ilícito. Em ano eleitoral os partidos gostam sempre de apelar à veia moralista e soa-lhes bem ouvir uns “muito bem” provenientes da maralha, em vez de apenas da bancada ali perto deles.

Por outro, olham para os cofres da sede e vêm as notas a descer de volume. A festa da democracia exige gastos elevados com inúmeras despesas. Há brindes para distribuir, cartazes para imprimir e colar, tempos de antena para pagar, carros para alugar, uma data de beijos e apertos de mão para trocar. E tudo tem um preço, até os beijos e os apertos de mão. Por isso, o melhor é encontrar soluções coloridas.

De resto, é sempre divertido ver o madeirense Guilherme Silva abordar os contextos sócio-políticos de alguns partidos, “como é o caso do PCP”, fazendo de conta que o Chão da Lagoa já não dá uvas.

O 1.º de Maio e os Direitos dos Trabalhadores, visto pelo PND

nova-dem 

(explicação da iniciativa aqui, outros depoimentos aqui)

«A forma de pensar o trabalho em Portugal enferma, à partida, de duas utopias, e/ou mitos, que muito têm contribuído para viciar o mundo laboral e empresarial:
– o emprego para sempre
– o Estado e os políticos é que criam empregos
Parece óbvio que este duplo desígnio é privilégio exclusivo do sector público, em especial da chamada função pública, que luta com unhas e dentes pela sua manutenção. Não é que seja impossível manter esse status para um grupo social mais ou menos numeroso. O que importa é saber o custo e as consequências para o País e, já agora, até quando é sustentável a máquina do sector público com o seu défice.
Não vale a pena escamotear a importância da complementaridade entre o trabalho e o capital, da mesma forma que não vale a pena pôr o vício de um lado e a virtude do outro. Há de tudo nos dois lados. O vício e a virtude não pertencem a uma classe social, mas sim à natureza humana que vive nos dois lados.
É nessa complementaridade e recíproca necessidade que o mundo do trabalho, e a sociedade em geral, deve assentar os seus alicerces. O capital precisa do trabalho e o trabalho precisa do capital. É histórico. De uma forma ou de outra, sempre foi assim.
Sendo utópica a pretensão de garantir o emprego para sempre, por vezes mais até do que outros contratos de carácter mais pessoal e familiar, é desejável que seja o mais duradouro possível.
O emprego é matéria complexa, tal como a economia e o clima, e, por isso, propícia para os políticos se porem em bicos de pés e darem a sensação que têm muita influência na “criação de emprego”, como eles dizem. Mas, curiosamente, nenhum reconhece que tem influência na criação do desemprego.
A solução é simples e razoável: se houver empresas, há empregos. E para haver mais trabalho e riqueza, menos impostos. Não deixa de ser paradoxal, para aqueles que julgam que são os políticos que vão arranjar emprego para os milhares de desempregados, que uma das poucas coisas que ao longo dos anos os políticos podiam ter feito, e não fizeram, para criar empregos: baixar os impostos sobre as empresas. Os altos impostos, sobre as empresas e outras actividades, são um obstáculo fabuloso para a criação de emprego e a dinamização do mundo laboral.
Por fim, se em momentos de crise e défice, as empresas despedem empregados para tentar sobreviver, é de justiça que as empresas repartam os seus lucros, quando existem, pelos seus colaboradores, pois eles fazem parte do sucesso. Era muito interessante, e um grande passo em favor da justiça no trabalho, que as entidades empresariais chegassem a um acordo quanto à parte de lucros a distribuir anualmente pelos empregados, segundo o seu mérito, diligência e competência.»

Prof. Manuel Brás, membro da Direcção do PND

Contra a gripe – 1º de Maio ao ar livre

Vou para a Alameda com os meus amigos comemorar.
Conto que o Carvalho da Silva não demore muito com o discurso e a seguir vou para os copos e para os petiscos. Há petiscos e vinho de todas as regiões do país, produtos genuínos, do melhor, que no dia a dia normal não passam no estreito. Até há famílias de farnel de comer e chorar por mais. Em troca, compro o que os seus parcos salários não lhes permite comprar. O que trazem é da horta , do galinheiro, do quintal. Ficamos amigos para o resto da vida, embora nunca mais os veja.
Os meus amigos são comunistas, malta da minha terra e meus amigos de infância, juram a pés juntos que não há festa como aquela. Talvez a festa do “Avante” mas os comunistas são outra coisa. Está ali tudo por devoção, felizes e malta que está ali é porque é dos “nossos”.
Grandes abraços, gostos em comum e desta vez é que vamos mesmo subir. As sondagens não mentem. E, depois, estão todos contra nós, a começar pela comunicação social. Os americanos já estão a comer à mão em Cuba, isto não acaba assim, a Rússia já está novamente a crescer e agora é para sempre, já viram o que é o capitalismo. A camaradagem mede-se pelos copos e pelos petiscos que se oferecem aos camaradas que passam por ali perto, há fome e miséria. Chega para todos. Não sou comunista, mas hoje sou um deles. Aos copos, ao ar livre e à camaradagem.
Segunda-feira recomeçam as discussões ideológicas. Os camaradas todos contra mim. Mas os amigos de infância não são para toda a vida?

O 1.º de Maio e os Direitos dos Trabalhadores, visto pelo PCTP/MRPP

  1c2ba-de-maio

(explicação da iniciativa aqui)

«Qualquer trabalhador consciente está hoje em condições de compreender que o combate à presente crise económica exige um método de acção firme, cujo primeiro e decisivo elemento deverá consistir numa separação política clara entre os responsáveis pela crise e aqueles que são as suas vítimas.
Ninguém de bom senso estará hoje disposto a embarcar na conversa mole do doutor Soares, do professor Sousa, ou mesmo do doutor Louçã, segundo a qual os únicos responsáveis pela actual crise são os financeiros e os especuladores mal intencionados…
Com efeito, o lugar onde todo o enriquecimento ilícito se origina, reside na actividade de produção, na fábrica e na empresa onde os trabalhadores são diariamente espoliados da maior parte dos frutos do seu trabalho.
Não foi a fabricar notas ou moeda bancária que se alimentaram as “donas Brancas” que, como cogumelos, há muito proliferam no sistema financeiro nacional e internacional, mas foi sim e sobretudo com as enormes fortunas acumuladas tendo por base as actividades de produção e venda de bens e serviços. No sistema económico nacional e mundial, não é possível destrinçar o grande capital industrial do grande capital financeiro, pela simples razão de que não é possível fazer aumentar o valor real do dinheiro se não for através da transformação deste em capital industrial e em mais-valia produzida pelos trabalhadores e apropriada pela classe capitalista e respectiva corte de lacaios.
Hoje, em Portugal, apenas pouco mais de um terço da riqueza produzida é representada por rendimentos do trabalho, sendo o restante constituído por rendimentos do capital. E hoje, no Portugal europeu em que se louvam os partidos da situação, as actividades produtivas vão inexoravelmente desaparecendo, umas após outras. Concentrado em poucas mãos, o dinheiro é canalizado sobretudo para actividades parasitárias e especulativas. Estas duas realidades alimentam-se uma da outra, num círculo vicioso a que é necessário e urgente pôr cobro.
Os responsáveis pela actual crise são assim todos aqueles que, ao tomarem o lugar dos Mellos e dos Champalimauds depois do período revolucionário de 1974/75, restabeleceram em Portugal uma ordem económica capitalista idêntica à que vigorava antes daquela data. E são os partidos, sobretudo o PS e o PSD, que, sob o chapéu protector da União Europeia, apresentaram esta escolha como a melhor para o país e que, alternadamente, se banquetearam à mesa do orçamento, transitando das grandes empresas para o governo e do governo para as grandes empresas…
Deixar que os responsáveis pela crise sejam os que ficam a cuidar da sua solução, é como pôr o ladrão a guardar a vinha. Nas medidas que tem tomado na presente emergência, o governo Sócrates tem vindo a fazer aquilo que melhor sabe, que é canalizar milhões a fundo perdido para os bancos e grandes empresas, sob o argumento de, com isso, estar a defender o emprego, ao mesmo tempo que as empresas encerram umas após outras ou impõem condições de exploração da força de trabalho que colocam Portugal ao nível das piores práticas de trabalho barato e sem direitos.
Acentuar ainda mais, como está a ser feito pelo actual governo, a repartição do rendimento nacional a favor do capital, significa regar com gasolina o fogo que se ateou.
De facto, o que a presente crise veio já revelar com enorme clareza é que, no sistema capitalista de produção, toda a riqueza se acumula naquela pequena parte da população que vive do trabalho da maioria, e que é em tal facto que reside a principal causa dessa mesma crise. Assim, e em termos imediatos, é preciso fazer com que a riqueza produzida reverta para quem a produz, o que significa que, para combater os despedimentos e o encerramento das empresas, se tenha de instituir um horário de trabalho mais reduzido, a semana de 30 horas, para todos os trabalhadores, e, ao mesmo tempo, fazer aumentar drasticamente a proporção da massa salarial global no rendimento nacional, reduzindo na mesma proporção os rendimentos do capital.
É em torno da reivindicação da semana de trabalho de 30 horas e de um aumento geral de salários acompanhado de uma diminuição substancial dos leques salariais, que se poderá começar a estabelecer uma clara linha de demarcação entre os responsáveis e as vítimas da crise actual. Esse terá de ser o primeiro passo para o ataque imediato a essa mesma crise, o qual há que transformar no prelúdio de uma revolução total do sistema económico, político e jurídico em que assenta o funcionamento da sociedade actual.
Vamos à luta!»

O 1.º de Maio e os Direitos dos Trabalhadores, visto pelos pequenos Partidos


O Aventar pediu um depoimento exclusivo, subordinado ao tema «O 1.º de Maio e os Direitos dos Trabalhadores», aos Partidos Políticos não representados na Assembleia da República e ainda a alguns movimentos cívicos de cidadãos. Ao longo do dia de hoje e nos próximos dias, vamos publicando os depoimentos que nos forem chegando.
A ideia inicial era publicá-los todos ainda hoje, mas o atraso nos convites atrasou também a recepção dos textos. Nestes pequenos organismos, como nos blogues, não há um profissional sempre pronto a responder às solicitações.
Os textos serão publicados por ordem de chegada.

UM SEGURO SEGURO

SEGURO FUROU

Não o conhecia.  Ouvi-o pela primeira vez no debate promovido pelo Clube dos Pensadores.  Foi para mim uma revelação.  Hoje, transformou-se numa certeza, ao ser o único parlamentar a mostrar coragem e honestidade ao votar contra a alteração à Lei de Financiamento do Partidos.
Bem haja, António José Seguro.
.