Drogas e Paralelos

A propósito da MGM. Não, não é a Metro Goldwin Mayer, é a Marcha Global da Marijuana.
Aqui há uns tempos estive a ver um documentário sobre o Maio de 68 e apercebi-me de algumas relações estranhas. Reparei que após o Maio de 68, em França, a primeira medida tomada pelos governantes da cidade foi a repavimentação de todas as ruas com asfalto. Reparei também que não havia uma única imagem em que não estivesse alguém sobre o efeito de drogas. Não percebi à primeira o porquê das referências aparentemente desconexa.
Mas depois fez-se luz.
As drogas são subversivas. E são-no porque põe um homem a questionar. Quem usa drogas estimulantes sabe que as drogas são subversivas. Até a gravidade é questionada. Um estudo recente – que entretanto perdi o link, mas fica mais um estudo do género – revela que 3 em cada 5 investigadores científicos usam drogas como ajuda no seu trabalho. Foi assim, com ajuda de LSD, que o modelo de dupla hélice de ADN ganhou vida na cabeça de Francis Crick e dos seus companheiros. Se bem que as drogas sejam legais, porque são vendidas por um laboratório qualquer, não deixam de ser drogas. E os seus princípios activos não são nada meigos. Os mais usados são duas substâncias, uma estimulante e outra para controlar e retardar o sono. Tem toda a lógica. Eles são cientistas e percebem de certeza toda a lógica dos danos cerebrais.
O que não tem lógica é a uma sociedade que por um lado permite, e bem, a livre escolha para abortar uma vida em crescimento, por outro proibir o uso de drogas. Correcção: algumas drogas. Tudo o que são drogas retardantes, que põe os cidadãos idiotizados a olhar para a parede sem pensamentos, ou a dormir indefinidamente, são permitidas e até comparticipadas pelo próprio Estado. Prozacs, Lordesals, Valliums, Cipralexs, Alprazolams, Tegretols, Diazepams, é só escolher. E isto é só o conteúdo da minha caixinha dos medicamentos. Nem sequer imagino o mundo maravilhoso das prateleiras das farmácias. Em Portugal, os medicamentos que mais se vendem são anti-depressivos, soporíferos e derivados. Significativo.
Por outro lado, tudo o que são drogas estimulantes são proibidas. Quer dizer, quando se tem 60 anos já se pode usar drogas legais estimulantes, para uma vida melhor.
A única justificação para a proibição, é que estas drogas e as suas substâncias activas, além de levarem os utilizadores para um estado de êxtase, também fazem com se questionem. Questionar sobre o universo, questionar sobre os planetas, questionar Deus, questionar o Homem, questionar a sexualidade, questionar o regular funcionamento de todas as coisas. E o problema é que quando se questiona o funcionamento de qualquer coisa, existe sempre a tendência natural de tentar arranjar alternativas melhores. Ou pelo menos, diferentes. Quando se questiona se se pode melhorar um walkman, e desenvolve-se um ipod, ninguém se chateia e está tudo bem. O problema começa a ser grave quando se questiona por exemplo o funcionamento dum regime democrático. E se tenta arranjar também uma alternativa. Os governos, sejam eles democráticos ou mais fechados e restritivos, proibem as drogas estimulantes, mas incentivam o uso de drogas retardantes.
O ano passado comemoram-se os 110 anos da invenção e comercialização livre da heroína. Ou tecnicamente da diamorfina – um opiáceo alcalóide, ou ainda mais tecnicamente de C21H23NO5. Só a própria existência destas fórmulas e destes nomes já comprova o uso de outras drogas por parte dos cientistas.
Heinrich Dreser – um nome a reter, porque também esteve envolvido na sintetização da Aspirina – desenvolveu a nova droga para uso hospitalar como analgésico, anti-tússico e pasme-se como substituto não-aditivo da morfina, e a Bayer – sim, A BAYER dos medicamentos “normais” – registou o nome: heroína. Num mundo que condena drogas é muito estranho que a heroína seja uma marca registada! De 1898 a 1910, a Bayer fez publicidade e vendeu heroína livremente como um medicamento não aditivo. Só quinze anos mais tarde começou a ser proibida… mas a Bayer continuou e continua a ter a marca registada. Isto parece-me uma lógica de junkie, mas tudo bem! Já a metadona, que é basicamente heroína sintetizada de outra forma é permitido o seu fabrico para tratamento da dependência da… heroína. Mais uma vez, lógica de junkie. E para ser totalmente uma lógica de junkie, é ser a Bayer proprietária dos direitos de produção da metadona.
Isto tudo parece apenas ser um problema de produção industrial,  direitos de produção e marcas registadas. Acho difícil imaginar dois “queimados” numa viela a discutirem patentes e coisas do género… mas se calhar até já foi uma realidade, visto que muitos dos originais drogados eram médicos que por acaso – só por acaso – se viciam em morfina e seus derivados…
E nem vale a pena falar que os principais países produtores destas drogas são o Afeganistão, Paquistão, Indonésia ou o Vietname, porque senão o comentário passa da esfera do drogado e da viela escura, para os colarinhos brancos e aos holofotes das relações mais complexas dos países e das suas intervenções militares…
E aqui está o problema principal: quando a Bayer produz metadona, e a comercializa paga impostos. Gera e movimenta capital que pode ser alvo de controlos e impostos por parte dos Estados. E torna-se um negócio tão normal quanto vender frutas, plutónio ou armas. Todas as trocas comerciais em que os Estados não possam intervir, retirando algum dinheiro para si através de taxas e impostos, são consideradas ilegais. A ilegalidade das drogas apenas representa a inoperacionalidade dos Estados em conseguir controlar e aplicar impostos no seu fabrico e comercialização. Apenas isso. No momento em que os Estados possam aplicar impostos nas drogas estas tornam-se legais. Mesmo que os governos pudessem arranjar – e de certeza absoluta que a arranjariam – uma forma de lucrar nestas trocas comerciais, nunca apoiariam o uso de drogas estimulantes, porque já perceberam o efeito secundário mais perigoso: a subversão.
O efeito subversivo das drogas estimulantes: destruir o que está assente, derrubar, confundir, perturbar, desorganizar, perverter, afundar, arruinar, submergir, sofrer, revolucionar. Este é o efeito secundário indesejável por parte dos governos e governantes.
Enquanto uma pessoa individualmente, se droga, se subverte e escreve o “Trainspotting” como o fez Irvine Welsh, não há problema. Quando William S. Burroughs escreve o Naked Lunch, não há problema. Quando toda uma Beat Generation aparece, não há problema. Aliás, acho que existiria um grande problema se se retirasse o álcool à Amália Rodrigues e à Nina Simone. Alguém imaginaria os Rolling Stones sem drogas? Alguém imaginaria gajos tão perfeitamente normais como os Beach Boys se não fossem as drogas? Ou anormalmente geniais como os Led Zeppelin? Ou os Pink Floyd? Se os Incas e os Maias não mastigassem folhas de coca todo o dia, teriámos Machu Pichu e outras obras grandiosas? Claro! Existiriam pirâmides, mas como essas foram feitas à base de chicotadas e escravatura são perfeitamente aceitáveis e “limpas”.
Se se fizesse uma lista com todos os eventos em que estivessem envolvidas drogas, essa lista seria tão grande e complexa quanto é a história da Humanidade. Até porque num espectro mais largo, todos nós somos drogados e dependentes de alguma coisa.
Todos estes fenómenos são compreensíveis.
O que não é de todo compreensível é que um Estado actual proíba o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal do aborto,
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e não é mais do que permitir que se retire uma parte viva do interior do corpo, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal de fumar tabaco e o uso da nicotina – cobrando impostos!! – que tem um efeito tão dependente quanto qual droga dura, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal de beber álcool, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal de consumir combustíveis fósseis que transformarão o Planeta em qualquer coisa que as gerações futuras dificilmente viverão nele, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permitir – e garantidamente vai permitir – a livre escolha pessoal de praticar eutanásia, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite todas estas actividades, aplica taxas e impostos sobre a sua produção e comercialização livre, não pode pura e simplesmente proibir o uso de nenhum tipo de drogas. Não tem estatuto moral ou ético. Nem sequer tem uma justificação. Apenas pode subverter os argumentos.
E o Estado tem o exclusivo da subversão. E nunca o perderá. Esta é a única justificação séria e imparcial porque os Estados e governantes não permitem o uso de drogas. As drogas são subversivas. E os Estados também aprendem. Aprenderam que determinadas drogas são estimulantemente subversivas e levam a questões adormecidas que quando são respondidas, geram descontentamentos que podem acabar em greves, motins ou revoluções.
Logicamente, quem governa ou gere pessoas, não quer gerir descontentamento. Quer aceitação e quer “ovelhice”.
Quem gere pessoas, quer uma fila rígida de tímidos, não-questionadores, obedientes e apáticos palermas que sigam as normas e directivas impostas. Quem governa, quer uma máquina que funcione sem falhas, sem sobressaltos, sem sentimentos, sem dúvidas, sem questões, sem emoções. No futuro, naturalmente as drogas irão ser legalizadas, nem que seja porque todos os estudantes de Direito e os futuros políticos as consomem e não quererão perder este bem adquirido.
E os paralelos? Bem, os paralelos são apenas um pormenor interessante. Porque é que todas as ruas das cidades são asfaltadas? Mesmo as ruas só para pedestres?
Simples! As revoluções rurais são facilmente debeladas nem que seja porque ninguém saberá, já que praticamente ninguém vive em ambiente rural. As revoluções e motins nas cidades não são tão facilmente resolvidas. Correcção. Não eram. E não eram porque os amotinados e revoltosos tinham uma arma gratuita: os paralelos que pavimentam as ruas. Os paralelos dos pavimentos eram uma arma gratuita de grande utilidade quando não se tem armas nenhumas. Qualquer miúdo arranca um paralelo na rua e desfaz um carro, uma loja, uma repartição de finanças, qualquer coisa. Na verdade, continuam-se a travar guerras urbanas só arremessando pedras, fazendo frente a exércitos com metralhadoras automáticas, sem que o poderio militar ganhe grande vantagem.
A máquina subversiva do Estado contrapõem esta substituição dos paralelos por asfalto com “segurança rodoviária”. Em 1974 também a redução dos limites de velocidade era por causa da “segurança rodoviária”. Bem subvertido. Que drogas terá o Estado e os seus representantes à sua disposição, para estas subversões tão gostosas?
Já agora, a piada da questão: muitas das drogas apreendidas não são destruídas. São reconvertidas num produto que serve… para asfaltar estradas.
No final e pensando melhor: se as drogas fossem liberalizadas a ordem económica mundial dava um grande trambolhão. Basta imaginar que toda a América do Sul se tornaria numa potência exportadora da noite para o dia. Se calhar é por causa disso que as drogas continuam proibidas. Imagino o que seria ver o Afeganistão como maior exportador mundial de ópio, cheio de alegres talibans na lista da Forbes.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    A única forma de controlar isto é torná-las legais e tratar os dependentes como doentes, ou como pessoas que precisam de tratamento.É mais barato do que as enormes somas de dinheiro que se gastam com polícia, equipamentos, doenças adquiridas via droga e as guerras que se fomemtam para controlar o tráfico!

  2. dalby says:

    Em relação a este discurso, que parece mais uma explicação de uma mãe pós- moderna a explicar à filha de 18 anos «como se utiliza um preservativo em condições», dou a resposta aos cavalheiros, no artigo de «à trois» abaixo no artigo de sonho do JP João Paulo, sobre o próximo governo a 3- BE-PC-PS, esse cérebro canelense, ou seja, la créme de la créme do sindical!!!Adalberto

  3. dalby says:

    MANUELA, SÓCRATES, E JÚLIA FLORISTA..TENHO A CONTRAPOR ISTO…O meu 1º de Maio de 2009 de Sangue.Ao percorrer aquelas ruas e avenidas lembrei-me de quem por mim, há 4 décadas atrás, foi esmagado pela policia política. Qual poema triste e melancólica canção ao entardecer, senti-me triste porque senti que mesmo que fossemos muitos não éramos milhões. Senti que a juventude mais recente estava embriagada em casa, vendo os seus programas favoritos, os seus jogos de computador ou sublimando o dia com coisas doces e agradáveis.E lembrei-me de uma Era que já morrera, ainda eu era adolescente em inicio de vida… Um fascismo cínico e feroz. NÃO CONHECI QUEM CONTRA O MAL, CONTRA O HORROR, CONTRA A DITADURA E O DESAMOR lutou. Não conheci as feridas que lhe lançaram ao corpo, não conheci as mulheres a quem queimaram os seios por dizer «quero ser uma mulher livre»! Não conheci o lutador a quem destruíram os genitais com choques, Não conheci, e estão tão «longe de mim», as mulheres que foram sucessivamente violadas pelos abutres do sistema de então, para que desse nomes, locais, histórias..Não sei o que foi feito delas no caminho da vida. Não sei do que é feito dos milhares de negros e de brancos cujo sangue humedeceu as terras de África, simplesmente porque queriam viver e crescer em paz e identidade com os seus filhos. Não sei onde pára essa gente, verdadeira vítima e última razão para que eu hoje possa ser o que sou e possa dizer o que quero, em paz e com determinação. Para que eu hoje possa viver como quero e com quem quero, sem que me entrem na porta e me digam como «devo viver e o que devo dizer»!Eu gosto de luxo, de cor e de suavidade. Gosto do toque da seda e do veludo na minha pele e no meu rosto cansado. Mas não posso, jamais poderei esquecer, o chão húmido e rugoso, o odor de podre que os meus irmãos, camaradas ou simples amigos, perdidos no tempo e no espaço tiveram de suportar, nas noites dos cadafalsos das prisões, para que eu hoje observasse o pôr do sol em harmonia com os meus sentimentos. NÃO POSSO NEM DEVO ESQUECER QUE O SOFRIMENTO DELES E DELAS foram ‘chão e adubo’ para que eu hoje deixasse crescer a minha sensualidade, sexualidade, harmonia, poesia ou palavra fluindo como o coração e os sentidos. SEM A DOR DELES NÃO PODERIA HOJE SENTIR AMOR. Devo-lhes isso e muito mais. Por isso, sem os/as conhecer, digo que são meus irmãos, amigos, camaradas e tudo o que for soletrado com graça, harmonia e raça. Do alto do New York Hilton vejo a magnificência da noite bela e requintada de Manhattan , mas ao longe ..mais ao longe e mais ao lado vejo o Tarrafal do passado, quente, húmido ,já sem história e sem o glamour de onde estou, mas que determinou tanto e indirectamente a visão do conforto actual. Não há luxo no sofrimento humano, mas foi um luxo pago a ferro e fogo hoje podermos ser livres. Não posso esquecer quem partiu para África e com o corpo tombado, ermo, no chão da selva por lá ficou. FICARAM, CRUELMENTE TAMBÉM, AS RAZÕES NESSE SOLO SANGRENTO: ninguém e todos tinham razão, ninguém foi inocente, e todos foram culpados e absolvidos. EU NÃO. MAIS DO QUE NUNCA QUERO AGRADECER A QUEM GRITOU POR MIM, A QUEM MORREU POR MIM, A QUEM SOFREU POR MIM. LEMBRAR-ME-EI SEMPRE E PARA A ETERNIDADE quando olhar o pôr do sol no Torrão do Lameiro, perdido entre Deus, entre a vida, entre o MAR ETERNO, entre a Profunda Natureza e o Vento-amigo que me fala tão bem ao ouvido quente..SEMPRE QUE ALI ESTIVER, como se estivesse dentro de uma pura melodia de Sade ADU, LEMBRAR-ME–EI SEMPRE desses heróis caídos e esquecidos, dessa gente que por mim e por TI disse «QUERO SER LIVRE, QUERO PENSAR, QUERO AMAR» e pagou ou morreu por isso. POR ISSO MESMO, TAMBÉM CAMINHEI ONTEM NA RUA, POR ISSO MESMO ONTEM GRITEI «SAI DO PASSEIO JUNTA-TE AO NOSSO MEIO».A crise não me cala nem o corpo nem a alma! Porque, como uma bela árvore de flores ao vento, a liberdade tem de ser regada. Como quiseres: com água ou mel, com vinho ou com esperança, mas TEMOS DE ALIMENTAR E REGAR A ESPERANÇA, A VIDA, A LIBERDADE TEM UM PREÇO. O TEU. VIVA O 1º MAIO, SEMPRE! POR TI, PELOS TEUS FILHOS, PELO IDEAL,PELA NATUREZA, PELO AMOR À VIDA. NÃO PENSES QUE SOMENTE A MODA É COOL! O 1º DE MAIO E PENSARES O QUE QUERES SEM TE ESMAGAREM É AINDA MAIS COOL! BE COOL! BE WILD BUT BE FREE too and most of all!Adalbertohttp://www.youtube.com/watch?v=U0t3T4SbuVoTen years after « i’d love to change the world», 1971.Everywhere isFreaks and hairiesDykes and fairiesTell me where is sanity?Tax the rich!Feed the poor!‘Till there are no Rich no moreI’d love to change the worldBut I don’t know what to do!So I’ll leave it up to youPopulation Keeps on breeding!Nation bleeding!Still more feeding, economyLife is funnySkies are sunnyBees make honeyWho needs money, monopolyI’d love to change the worldBut I don’t know what to doSo I’ll leave it up to youWorld pollutionThere’s no solutionInstitutionElectrocutionJust black or whiteRich or poorThem and usStop the warI’d love to change the worldBut I don’t know what to doSo I’ll leave it up to you!!!


  4. As drogas são subversivas e não agradam aos agentes das sociedades corporativas que tomam conta dos Estados. É uma realidade. E tudo tem muito a ver com… dinheiro. Mas são inegáveis os seus efeitos negativos e perversos, não só na ordem natural das coisas mas sobretudo na saúde física e mental de quem as toma e das pessoas que lhe estão mais próximas. E isto não iria desaparecer mesmo que as drogas sejam legalizadas e o seu comércio e consumo permitidos.


  5. Sim, claro. Assim como são inegáveis os efeitos negativos e perversos da actual “ordem natural das coisas”, mas essa é permitida e até mesmo incentivada. Pode ser que se leve a sério aquela questão de os governos quererem contabilizar no PIB a economia paralela. Aposto que todas as drogas e negócios obscuros de repente se tornarão um feixe de luz e transparência para a sociedade. É só um questão de perspectiva. Como sempre.

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