Extremar de posições

É a tal questão de no meio estar a virtude. Quem me ensinou isto foi a minha avó. Não podemos ser extremistas. O exemplo da minha avó: sempre que deixo crescer um pouco mais o cabelo, diz-me que pareço um militante do CDS e que me faz “tísico”, mas sempre que corto o cabelo curto demais, a minha avó diz que pareço um “skinet”. Algures ali pelo meio, lá consigo ficar “jeitoso”. Coisas (estranhas) da minha avó, mas que têm uma certa lógica.
Isto pode parecer estranho, mas depois vejo o Ricardo a mudar de nome para r. porque lhe querem dar porrada.(E, sim, eu percebo a ironia). Mas parece-me um extremar de posições. Basta percorrer a blogosfera para ver que se as opiniões fossem emitidas cara-a-cara provavelmente teríamos um acréscimo de entradas nas urgências hospitalares e lá teríamos que levar com a Ministra da Saúde a ler mais uns comunicados em conferências de imprensa. Ou, se calhar, não existiam posições tão extremas. Fala-se muito de pluralidade, de frontalidade, de partilha de opinião, de comunicação e de diálogo, mas interiormente continuamos com a nossa arrogância opinitiva. Eu admito-o. Por exemplo, eu, com o meu radicalismo ecológico, continuo a pensar que já resolvi o problema da humanidade e agora só me falta convencer 6 biliões de gajos a ficarem como eu. Não me levem a mal, não é arrogância. É só a minha opinião. E não gosto que não estejam de acordo com a minha opinião. Se ela está totalmente correcta, porque é que alguém haveria de discordar?
Agora, a sério. Ainda hoje, ecoam as agressões a Vital Moreira. Extremar de posições, lá está. Alguém que não partilha das mesmas opiniões do Homem do Cabelo de Aço decidiu dar-lhe um abanão. E agora ele quer que lhe peçam desculpas pelo abanão. E as opiniões extremam-se. “O Vital fez de propósito e foi-se meter numa manifestação da CGTP para levar porrada e ganhar as eleições, como já fez o Soares na Marinha Grande.” Por outro lado: “o problema é a extrema-esquerda que é pior que a extrema-direita”. São as duas grandes conclusões que retenho nas opiniões que recolhi entre a mesa 7 e a 10, aqui no café da esquina. Na imprensa e na blogosfera, as opiniões são ainda mais extremas. Mas isto são só opiniões e como tal ninguém vai mudar a sua posição e cada um vai ficar com a sua própria bicicleta para pedalar. A mim, nesta questão das chapadas e arremessos de copos de vinho na Ovibeja, importa-me reter outras questões que se calhar são mais importantes e que são as seguintes:

As posições em sociedade, mesmo as do mais anónimo cidadão, estão a extremar-se. Seja por culpa da pressão da crise económica ou pela vontade de opinar sem medos das reacções de outros, as opiniões e posições estão a extremar-se. E as acções começam a acompanhar esta tendência.
Nesta situação ficou também implícito que o Partido Socialista, inequivocamente não gosta de trabalhadores nem de sindicatos e despreza as suas manifestações. Se assim não fosse, não fazia campanha política no 1.º de Maio.
Também depreendo que,  independentemente de os políticos fazerem ou não de propósito para levarem porrada, o que é certo é que sempre que levam no corpo, ganham as eleições que disputam. Por isso, por favor, não extremem as vossas posições nos comícios políticos, e não batam em ninguém do PS e especialmemte no Eng. José Sócrates. Era o pior que se podia fazer a este país.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Quando estamos frente a frente leem-se os sinais do corpo, este gajo está a deitar fumo pelos ouvidos e não é preciso dizer nada, bastam os sinais.Aqui é a escrita sem contexto, sem sinais corporais e com gajos que a mais das vezes não conhecemos de lado nenhum.Daí que é preciso ter cuidado, as palavras pesam mais que habitualmente e ao memo tempo não têm importância nenhuma, basta não responder na hora.Deixa passar um tempinho e não há zangas…

  2. Luis Moreira says:

    Eu quero dizer com isto que o VM sabia bem ao que ía…

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