Paulo Guinote – A Educação do Meu Umbigo*

O texto que segue, da autoria do professor Paulo Guinote, no dia do lançamento do seu livro, «A Educação do Meu Umbigo», resulta de uma pequena entrevista feita ao autor, por e-mail, durante o dia de ontem.

«O blogue «A Educação do Meu Umbigo» nasceu porque eu tinha diversos textos inéditos e queria divulgá-los, assim como o espaço de um blogue, por ser de criação e controle individual, se afigurou ideal para a expressão das minhas opiniões sobre a actualidade.
Quanto ao nome, assumi desde o início a componente narcisista de um projecto deste tipo.
Nunca pensei que o blogue viesse a ter este tipo de divulgação e reconhecimento. Digamos que foi uma excelente surpresa. Ultrapassou todas as minhas expectativas.
Seria desonesto afirmar que «A Educação do Meu Umbigo» não beneficiou da guerra dos últimos 4 anos entre professores e Ministério da Educação. Isso é evidente. O crescimento do blogue correspondeu ao agudizar do conflito. Embora se tenha autonomizado do contexto da “luta” dos docentes, não deixa de lhe estar ligado.
Ao longo dos anos, já tive ameaças relativas ao material que publiquei. Mais em off do que em on. Algumas mais sérias do que outras. Nenhuma (ainda) concretizada. Mas nunca tive medo. A questão do medo não se coloca quando se fazem as coisas por convicção. Costumo dizer que, em caso de necessidades, posso sempre ir tirar bicas para o café do bairro.
Em relação às críticas que alguns colegas me fazem, encaro-as como naturais e legítimas, porque detesto unanimismos. Se ninguém dissesse mal do blogue e de mim, começaria eu a fazê-lo. Aliás, por diversas vezes publiquei textos conscientemente “fracturantes” e polémicos para suscitar a discussão. Sem discussão e apenas com consenso, não há progresso.
No futuro, espero que «A Educação do Meu Umbigo» continue a ser um espaço de debate e divulgação de informações e posições, independente de qualquer tipo de alinhamento político-partidário ou organizativo.
O livro que hoje é publicado resulta do material que seleccionei do blogue. Quais os critérios que utilizei para fazer essa selecção? A certa altura, tentar que restassem aqueles textos sem os quais eu ficaria mesmo triste. Escrevi de forma compulsiva. O material dava para dois volumes como este.
Apesar de tudo, ofereceria o livro à Ministra da Educação. Com o maior dos gostos e uma dedicatória especial.»

* Em exclusivo para o Aventar

Comments


  1. Eis um caso de um blogue que merece atenção. De um autor consciente do que tem em mãos. Sem rodeios e com coragem. A chegada a livro acaba por ser um caminho quase natural.

  2. João Paulo says:

    Eu continuo surpreendido como é que foi possível uma classe crescer tanto em tão pouco tempo e de repente, voltar a cair no abismo.Meu caro Paulo, Será que temos resposta para isso no livro?JP