O optimismo e a confiança foram dar outra volta

O clima pessimista e desconfiado em que vivemos é criado diariamente pelos próprios governantes e pelas empresas dominantes. Não quer dizer que estejamos verdadeiramente conscientes disso, mas de alguma forma, a desconfiança reina porque é incutida inadvertidamente. Por exemplo, as empresas contraditórias: a Galp, que vende combustível, pede encarecidamente nos seus anúncios, para não se consumir combustível, convida a partilhar o carro e afins. A EDP, que vende electricidade, pede que se poupe no consumo. Mas depois, estas empresas lucram imenso. Nem imagino o quanto lucrariam se pedissem para consumir. Ainda por cima, lucros a partir de recursos que são do País, e não privados! Claro que estas políticas têm sempre o fundo ecológico. Claro! Agora somos todos verdes e ecológicos. Mas em nenhum posto da Galp que eu visitasse, existe sequer um caixote para reciclagem, por isso eu imagino o resto. Em qualquer grande empresa existe sempre a máquina do café com aqueles copinhos de plástico e um vulgar caixote do lixo ao lado, onde vai tudo para o mesmo saco. Mas isso não importa para nada. Que importa mais umas toneladas de plástico no lixo? “Parece que é isso que vai salvar o mundo”. É o que eu ouço dizer.
E isto estende-se para todo o lado empresarial. Mesmo o mais confiante e distraído fica a pensar o que caraças será o DLH+ para o cérebro que os óleos publicitam? A margarina não prestava para nada, mas agora é boa para barrar no pão? Como é que põe o Ómega 3 que vem do peixe, no leite? Se determinado leite é biológico, então os outros são o quê, sintéticos?  Porque é que os alimentos agora mais parecem medicamentos? Não se sabe. Come-se e cala-se.
Depois, o Estado. Pede aos cidadãos para se manterem em forma, mas depois cobra imposto em maços de tabaco que contêm a indicação “Fumar Mata”. Centenas de pequenas empresas fecham as portas e é a vida económica a funcionar; uma grande empresa ameaça fechar, e o Estado apoia-a financeiramente. Fazem-se constantes apelos “verdes” para deixar o carro em casa e utilizar os transportes públicos, mas depois o Estado paga para que eu destrua o meu carro antigo na compra de um novo. E vai comprar 27.500 carros novos. No Estado, não querem que se cometam actos ilegais, mas depois querem contabilizar os rendimentos ilegais no PIB. O Estado diz não ao proteccionismo, mas depois pede para “comprar o que é nosso”. O Estado desmantela as linhas férreas, mas quer construir um TGV. Não havia dinheiro nenhum, mas agora já há dinheiro para auto-estradas, pontes e aeroportos.
Confuso ou Confiante? Estamos rodeados de confusão e contradição. Como é que esperam que os cidadãos lidem com o desconhecimento e as contradições dos seus governantes? Eu respondo por mim: com desconfiança! É inevitável.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Sem dúvida, isto é um monte de contradições.

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